A reforma da Igreja a 20 anos da morte de Yves Congar

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22 Junho 2015

Yves Congar é um dos maiores eclesiólogos do século XX, que abriu o eclesiologia católica ao ecumenismo. Um de seus textos mais significativos é Verdadeira e falsa reforma na Igreja, de 1950, que interpretava o florescimento de experiências e movimentos em curso na Igreja Católica, que dariam os seus frutos no Concílio Vaticano II.

Segundo o seu discípulo Jean-Pierre Jossua, um dos principais representantes da teologia francesa, "Verdadeira e falsa reforma na Igreja, sem dúvida, é o maior livro do padre Congar", e também é preciso reconhecer "a importância decisiva que ele teve para a ideia de um Concílio de reforma da vida da Igreja" (o "Concílio pastoral" de João XXIII).

No imediato pós-Concílio, Congar publicou a segunda edição desse livro, em 1968, com um prefácio já histórico, que iluminava a virada conciliar, que punha a Igreja em estado de reforma. O já citado teólogo francês Jossua reuniu as páginas mais significativas de Congar, centrando-as no conceito de "reforma na Igreja" [1].

O blog Teologi@Internet, da Editora Queriniana, 19-06-2015, publicou um trecho do livro de Congar. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

João XXIII, em menos de algumas semanas, e, depois, o Concílio criaram um clima eclesial novo [2]. A abertura maior e que veio de cima. De repente, forças de renovação que custavam a se manifestar abertamente podiam se desenvolver. Os tímidos exemplos de reformas que se encontravam mencionados no nosso texto de 1950 estão amplamente superados!

Aqui que ocorre hoje, do ponto de vista positivo, certamente corresponde ao que desejávamos, mas ultrapassa de longe o que se podia esperar em 1950.

Reforma litúrgica ainda em plena evolução, instituição de Conselhos Presbiterais e Pastorais (com a participação dos leigos), restauração daquilo que se pode chamar de vida conciliar da Igreja (Sínodo dos bispos, Conferências Episcopais, sínodos diocesanos etc.), encorajamento à pesquisa no âmbito das ciências religiosas, pesquisa e primeiras aplicações de um novo estilo na formação dos clérigos etc.

No geral, e apesar de alguns incidentes ruins, os teólogos gozam de uma liberdade normal de pesquisa e de expressão. Mas os dois grandes fatos que já afetam e irão afetar cada vez mais o clima da vida eclesial são principalmente: uma eclesiologia do Povo de Deus e o ecumenismo.

Nós não terminamos de listar as consequências das tomadas de posição do Vaticano II no contexto eclesiológico: superação de uma eclesiologia de pura "hierarquiologia" e denúncia do juridicismo (não ignorância do direito, que fique claro!), primado dado à ontologia da graça de base sacramental na existência cristã ou batismal como tal, em relação aos lugares ocupados na sociedade-Igreja; concepção apostólica, não primariamente ritual, do sacerdócio e valorização da Palavra, da catequese; reconhecimento dos carismas e da variedade dos ministérios etc.

Quanto ao ecumenismo, pode-se afirmar que ele se tornou ou está em processo de se tornar uma dimensão que acompanha toda a vida da Igreja, mesmo a vida mais íntima. Isso envolve e vai envolver, evidentemente, novas interrogações, aberturas das quais, no momento, não podem ser mensuradas nem a amplitude nem a profundidade.

Desse modo, encontra-se, de outra maneira, o vínculo que, desde o início, percebemos e evidenciamos entre ecumenismo e reformismo: as reformas não são apenas uma reivindicação preliminar do ecumenismo, mas se alimentam dele.

Se o clima eclesial é novo, a problemática também se renovou. Mais por adição e aprofundamento do que por substituição completa dos novos dados pelos velhos. As questões são de adaptação, mas se tornaram mais radicais, não só por serem mais duras, mais agudas e mais urgentes, mas também pelo fato de que, hoje, tocam as próprias raízes da Igreja e da fé.

Enquanto em 1947-1950 operávamos no âmbito de um catolicismo que ainda nos assegurava um espaço de ação, hoje, intelectual e culturalmente, somos arrancados do quadro do catolicismo ou, melhor, do quadro religioso e projetados em um mundo que, pela sua densidade de vida e de evidência, nos impõe os seus problemas.

Notas:

1. Cfr. Card. Yves Congar. Écrits Réformateurs, Textes choisis et présentés par Jean-Pierre Jossua. Paris: Cerf, 1995.

2. Perguntamo-nos se João XXIII leu Vraie et fausse réforme. A resposta nos veio um dia de um missionário que espontaneamente nos contou isto: em 1952, fazendo uma visita a Dom Roncalli na nunciatura em de Paris, eu o encontrei enquanto ele estava lendo esse livro, às margens do qual havia traçado marcas a lápis (esse exemplar, sem dúvida, ainda existe). Dom Roncalli disse ao seu visitante: "É possível uma reforma da Igreja?".

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