“Igreja de puros” ou “rede com peixes misturados”. Entrevista com Jean-Miguel Garrigues

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Por: André | 19 Junho 2015

Igreja de puros ou rede que contém bons peixes e peixes que não prestam misturados, como diz Santo Agostinho? Esta é a pergunta que levo em minha mente enquanto meus hóspedes chegam: o cardeal Christoph Schönborn e seu irmão dominicano Jean-Miguel Garrigues. Recebo-os no meu gabinete no qual domina o branco, cor característica dos filhos de Santo Domingo. Os dominicanos e os jesuítas foram muitas vezes descritos como unidos, mas em conflito. A história é inclemente. Mas é também verdade que há entre eles uma profunda afinidade, a ponto de que mais de um membro de suas duas respectivas ordens, em certo momento da sua vivência vocacional, se encontrou diante da opção de escolher entre o caminho de Santo Inácio e o de Santo Domingo. Entre eles, o próprio Papa Francisco.

Durante a nossa conversa sobre a Igreja, sobre o momento que vivemos, sobre as dificuldades e os desafios, prevalece um sentimento de coragem e de confiança. O cardeal e o professor manifestam em sua conversa a agudeza incisiva do intelectual e a paixão da solicitude pastoral. Os dois, de maneira diferente, viveram plenamente estas duas dimensões. O primeiro como arcebispo de Viena, o segundo como fundador, com outros irmãos, de fraternidades monásticas em paróquias das dioceses de Aix-en-Provence e Lyon. O cardeal Schönborn me apresenta o seu irmão, amigo e condiscípulo, e depois me deixa falar com ele.

O nome do Pe. Jean-Miguel Garrigues, unido ao seu italiano perfeito, faz pressentir uma variedade de raízes culturais e geográficas. Ele nasceu em Istambul em 1944 em uma família de diplomatas espanhóis. Entrou nos dominicanos da França em 1963. Estuda no Le Saulchoir onde se licenciou em Filosofia e Teologia. Ordenado padre, passa um ano de estudos na Faculdade de Teologia Ortodoxa de Tessalônica, e entra na Faculdade de Teologia do Instituto Católico de Paris onde defende uma tese de doutorado sobre São Máximo o Confessor. Professor de Teologia, exerceu diversos cargos. Entre 1989 e 1992, colaborou, na qualidade de especialista, com o atualmente cardeal Schönborn na redação do Catecismo da Igreja Católica.

De 2000 a 2014, participou, sob a direção dos cardeais dominicanos Cottier e Schönborn, do diálogo entre católicos e um grupo de Judeus Messiânicos. Atualmente, ensina teologia patrística e dogmática no Instituto Superior Tomás de Aquino, na casa de estudos dos dominicanos de Toulouse e no Seminário de Ars. Vive, pois, ao lado da sepultura de Santo Tomás e dá aulas em um lugar prestigioso de estudos tomistas. Publicou cerca de 20 livros de dogmática, patrística, ecumenismo e teologia da política. Numerosos são os seus artigos em revistas como La Revue Thomiste, La Nouvelle Revue Théologique, Nova et Vetera, Communio. Desde 2005, é membro correspondente da Pontifícia Academia de Teologia de Roma.

O Pe. Garrigues professa de saída sua simpatia pela tradição dos jesuítas: “Tenho uma imensa dívida para com o Pe. Henri de Lubac. Conheci-o em Paris na década de 1970, graças à sua amizade com o dominicano que era o orientador da minha tese de doutorado, o Pe. Marie-Joseph Le Guillou. Foi, para mim, uma imensa alegria ter escrito recentemente uma longa introdução ao volume de suas obras completas que recolhe sua correspondência com Jacques Maritain. Pude conhecer também a este último, em Toulouse, durante o último ano de sua vida. Para mim, foi um mestre intelectual e espiritual”.

A entrevista é de Pe. Antonio Spadaro e publicada por La Civiltà Cattolica, edição nº 3959, p. 493-510, de 13-06-2015. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

E as históricas divergências teológicas entre dominicanos e jesuítas?

Esse conflito foi uma manobra diabólica para privar a Igreja dos frutos da complementaridade entre nossos respectivos carismas. Nós pregamos, preocupados, sobretudo, em expor com precisão a Palavra de Deus e sua Sagrada Doutrina. Vocês, os jesuítas, são missionários e educadores no sentido mais amplo da palavra, desejosos de ajudar as almas a receber essa Palavra. Nossos respectivos carismas encontram-se, um e outro, ema cada extremidade da mesma comunicação misteriosa da Palavra de Deus.

Você conhece, pois, a mística dos jesuítas e os Exercícios Espirituais?

Foi a leitura de Maritain que me introduziu nos escritos de Lallemand, de Surin e de Caussade.

Esses são, precisamente, os autores preferidos do Papa Francisco! Alguns escreveram que ele está dando Exercícios Espirituais à Igreja de hoje. O que lhe parece?

Que melhor coisa pode dar um filho de Santo Inácio de Loyola, o autor dos Exercícios Espirituais? Você tem razão: o Santo Padre está colocando os crentes diante das exigências práticas, ou seja, evangélicas e teologais, da sua fé. Ele nos está propondo fazer “exercícios espirituais”. Devemos, pois, prever que este exercício é perturbador para um certo conforto espiritual que associa amavelmente, em um agradável mundanismo, opiniões bem pensantes e bem rígidas com a complacência de julgar o próximo. Outros aplaudem muito fortemente este discernimento espiritual do papa, com a esperança de que isto vá devolver aos católicos o subjetivismo e o relativismo moral. Não deveriam, no entanto, alegrar-se cedo demais.

Estes desvios exigiram, a partir do final dos anos 1970, que São João Paulo II e Bento XVI garantissem de novo os fundamentos da fé diante de uma interpretação do Concílio Vaticano II em chave de ruptura da Tradição. Se o Papa Francisco pode hoje referir-se à reforma evangélica da Igreja, é porque esses fundamentos, que estavam ameaçados por uma falsa interpretação relativista desse espírito, foram firmemente assegurados. Tenhamos presente que, entre os amigos de coração do novo papa, estão os cristãos evangélicos, como os pastores que gosta de visitar, que certamente não podem ser suspeitos de liberalismo bíblico, nem de laxismo moral, pelo contrário.

Então o Papa Francisco é um Pontífice da autêntica tradição?

Ao inclinar-se com compaixão sobre os feridos da vida familiar, me parece que o Papa retomou de fato uma velha tradição romana de misericórdia eclesial para com os pecadores. A Igreja de Roma, que a partir do século II havia inaugurado a prática da penitência pelos pecados posteriores ao batismo, no século III esteve a ponto de provocar um cisma por parte da Igreja do Norte da África, conduzida por São Cipriano, porque reconciliava os lapsi, isto é, os que haviam apostatado nas perseguições, que eram, infelizmente, muito mais numerosos do que os mártires. Diante do rigorismo dos donatistas nos séculos IV e V, como mais tarde diante dos calvinistas e dos jansenistas nos séculos XVI e XVII, rechaçou uma “Igreja de puros” em prol do “reticulum mixtum”, isto é, da rede que reúne justos e pecadores, de que fala Santo Agostinho em seu Psalmus contra partem Donati.

Parece-me interessante esta referência à tradição eclesial junto com a tradição do carisma de Santo Inácio. Isso implica uma visão da Igreja, não acredita?

Francisco é Papa sendo jesuíta. Por isso, é o fruto maduro de uma grande tradição espiritual que também defendeu o que acabamos de dizer contra o rigorismo da Reforma e o elitismo dos jansenistas. A visão da Igreja que Francisco tem é a de uma Igreja para todos, posto que Cristo morreu por todos os homens sem exceção e não apenas por alguns poucos. A Igreja não é, portanto, um clube seleto e fechado: nem o clube de um grupo social católico por tradição, nem sequer o de gente capaz de heroísmo virtuoso.

Para esta Igreja das portas misericordiosamente abertas, vocês jesuítas reconquistaram durante três séculos uma grande parte da Europa, que havia passado para o protestantismo, com uma pastoral da misericórdia e do Coração de Jesus expressa através da “teodramática” barroca e da pedagogia pastoral da casuística. O objetivo sempre foi “ajudar as almas” na situação concreta em que Deus os chama.

Misericórdia e verdade, sabendo que a verdade “é” misericórdia...

Em um contexto eclesial, no qual os princípios doutrinários e morais foram consolidados pelos dois grandes papas que o precederam, o Papa Francisco retoma instintivamente esta tradição de misericórdia, pois não quer fechar os olhos diante das misérias de tantos filhos seus. Ao mesmo tempo, como se pode constatar por ocasião do último sínodo romano dos bispos, confia na dinâmica eclesial para encontrar, pouco a pouco e às vezes trabalhosamente, a articulação entre a verdade dos fundamentos da fé e a misericórdia pastoral para com as pessoas.

Você não acredita que em nossa palavra de Igreja tendemos muitas vezes a falar em termos ideais? Está bem, pois isto nos permite ter uma visão norteadora. Creio, no entanto, que teremos que encontrar palavras boas para as situações que não correspondem a este ideal. O que não corresponde ao ideal não deve ser julgado sempre de maneira negativa, mas como etapa de um caminho. Esta é a minha pergunta: pode-se valorizar alguma forma de gradualidade? O ponto n. 11 da Relatio Synodi me parece ter visto justamente este sentido. É o coração vivo da Relatio, ali onde diz que “devemos acolher as pessoas, com sua existência concreta, saber apoiar sua busca, animar seu desejo de Deus, inclusive naqueles que viveram um fracasso ou que se encontram nas situações mais contrastantes”. O que lhe parece?

Penso que perder a compreensão dos fundamentos do casal e da família seria pretender avançar sem bússola, guiado exclusivamente por uma compaixão afetiva condenada a afundar em um sentimentalismo irrealista. Por exemplo, é uma verdade inescusável o fato de que todos os cristãos vivem sob a lei de Cristo e que a todos se aplica a indissolubilidade do matrimônio. Não há, pois, uma “gradualidade da lei”, uma finalidade moral que variaria de acordo com as situações do sujeito.

No entanto, não significa negar ou relativizar esta verdade o fato de pedir aos que não conseguem seguir este mandamento de Cristo que não acrescentem ao pecado da infidelidade o da injustiça, por exemplo, não pagando a pensão alimentícia depois de um divórcio civil. Como dizia o rei Luis XV a um cortesão que zombava dele porque continuava a jejuar nas sextas-feiras e ao mesmo tempo tinha uma amante: ‘O fato de incorrer em um pecado mortal não autoriza a incorrer em dois’. É aqui que se situa a ‘lei da gradualidade’, que convida as pessoas que, de fato, não são capazes de romper de repente com o pecado a sair progressivamente do mal começando a fazer o bem (ainda insuficiente mas real) que são capazes de fazer.

Há aqui uma casuística que se relaciona com o que definiria como ‘o exercício progressivo do bem’ e que não contradiz em nada o princípio que exige que especificamente a lei natural e a lei de Cristo se apliquem igualmente a todos os cristãos.

É preciso, então, evitar uma pastoral do “tudo ou nada”?

Sim. A pastoral do tudo ou nada parece mais “segura” para os teólogos “tucioristas”, mas conduz inevitavelmente a uma “Igreja de puros”. Ao valorizar sobretudo a perfeição moral como um fim em si mesmo, corre-se infelizmente o risco de cobrir de fato muitos comportamentos hipócritas e “farisaicos”. O discernimento do Papa dos Exercícios Espirituais o leva inevitavelmente a colocar o dedo nesta chaga. Como um bom médico, prefere correr o risco de machucar do que deixar que o mal do orgulho espiritual se esconda sob um bem formalmente virtuoso.

O discernimento tão penetrante do Papa no que diz respeito à dinâmica pessoal dos nossos atos humanos não pode ser confundido banalmente com um relativismo. Seria insensato confundir a “lei da gradualidade”, que orienta um exercício progressivo e sempre finalizado do ato livre para a virtude, com o relativismo subjetivista de uma “gradualidade da lei”. A Encíclica Veritatis Splendor de São João Paulo II fechou definitivamente na Igreja a entrada deste beco sem saída. Mas deixou aberta a oficina do exercício prudencial do ato livre de um pecador que, salvo graça excepcional, não se moraliza de repente.

Compreende-se bem a preocupação desse papa com o desenvolvimento do individualismo e do subjetivismo em matéria moral. Na encíclica há palavras que exigem uma leitura atenta e sábia.

Um bom exemplo disto é o n. 52, onde podemos ler: “Os preceitos negativos da lei natural são universalmente válidos: obrigam a todos e cada um, sempre e em qualquer circunstância. Trata-se, com efeito, de proibições que vetam uma determinada ação semper et pro semper, sem exceções”. Santo Tomás, com efeito, distingue as certezas e os métodos especulativos dos métodos e das certezas morais. Nas coisas especulativas, a verdade não tem nenhuma exceção, nem nos casos particulares, nem nos princípios gerais. A razão prática, isto é, a moral, ocupa-se, por sua vez, de realidades contingentes. Os princípios gerais são sempre universais, mas quanto mais se entra nas questões particulares, mais exceções se encontra. Sempre na Suma Teológica, Santo Tomás afirma mais adiante que pode haver modificações na lei natural, em tal caso particular e como exceção por certas causas especiais.

A pergunta que alguém se faz então é: quem determina as exceções? Precisamos compreender melhor, com imagens mais claras que nos falem de nossa caminhada.

Você fala de imagens e eu tenho uma em mente que me parece muito eficaz. Não ria: o GPS, ou navegador. Quando temos que ir a determinado lugar, introduzimos um endereço no navegador. Não é isso?

Sim. Mas por que aparece aqui o GPS?

Deixe-me dizer. A premissa teórica para a utilização desta metáfora é que os princípios morais que concernem os fins inerentes ao ser humano não são metas que cada um escolhe para si mesmo como quiser. Eles expressam de fato finalidades da vida humana que são intermediárias com respeito ao fim último que é Deus mesmo. A Igreja os discerne de maneira progressiva, homogênea e irreversível no desenvolvimento de sua doutrina moral. Mas esta finalidade afeta cada ser humano ao mesmo tempo em sua natureza e em sua graça, atraindo-o para Deus em sua liberdade pessoal. Se respondêssemos todos como a Virgem Maria, nossa vida corresponderia ao primeiro itinerário que o GPS nos indica para ir até o endereço indicado.

Minha experiência, efetivamente, é que às vezes tomo um caminho errado, pois não compreendo bem as indicações do GPS, ou porque estou distraído ou porque a estrada está interrompida.

É exatamente o que ia lhe dizer. Sabemos que “todos pecaram” (Rm 5, 12) e que, como diz Santa Teresa de Liseux, “todos somos capazes de tudo”. Somos pecadores e certamente não respondemos como a Virgem Maria. Pois bem, o que faz o GPS quando nos desviamos do itinerário indicado para chegar ao endereço? Não pede que voltemos ao ponto de partida para pegar novamente o primeiro caminho que nos havia indicado. Propõe-nos um itinerário alternativo a partir da situação em que nos encontramos.

Sim, é verdade, agora compreendo...

Pois bem, de maneira análoga, cada vez que nos desviamos devido ao nosso pecado, Deus não nos pede para retornar ao ponto de partida, porque a conversão bíblica do coração (metanoia) não é um retorno (epistrophè) platônico ao começo. Deus nos reorienta para Ele traçando um novo percurso. Notamos que, assim como os endereços não mudam no GPS, também não mudam os fins morais no governo divino. O que muda (e como!) é o percurso de cada pessoa em seu livre caminhar para Deus. Pensemos em todos os itinerários alternativos que o GPS divino indicou ao bom ladrão antes do último e supremamente dramático atalho da cruz.

Agradeço-lhe esta imagem muito eficaz com sua força de explicitação. Michael Fuller, teólogo e químico orgânico, escreveu que os teólogos podem observar utilmente as evoluções tecnológicas para descobrir quais metáforas e que analogias podem enriquecer o pensamento teológico. A imagem que utilizou é uma delas. Você vê, assim, o valor e o significado verdadeiro da lei da gradualidade como dinâmica da conversão pessoal, já que indica cada vez um caminho pessoal que, no entanto, segue sendo sempre finalizado pelos mesmos fins morais e teologais.

Você, como jesuíta, sabe bem disso. O carisma inaciano de “ajudar as almas” tende para isso mesmo. Esse carisma de ajuda se manifesta no comportamento e nas palavras do Papa Francisco. Eu vejo isso como uma cooperação com a Providência Divina que nos alcança cada vez na concretude da nossa situação pessoal, ao mesmo tempo interna e externa. Por isso, perder de vista essa maneira misericordiosa com que Deus nosso Pai nos guia, é desencarnar as finalidades morais fazendo delas um corpo de doutrina ideal de tipo platônico que não nos alcança em nossa vida.

Corre o perigo de que o defendamos, sobretudo, por motivos não evangélicos, como nos auto-afirmar (a nós mesmos e ao nosso mundo) condenando os fracos que não conseguirem aplicá-lo. Isto significa principalmente esquecer que a moral que a Igreja ensina é uma sabedoria prática que dá vida, não um “farisaísmo” que se autojustifica julgando os outros. Isto, enfim, implica em correr o risco de ser visto pelos não crentes, inclusive de boa vontade, como uma seita com convicções fanáticas.

Sem dúvida, o que você diz tem consequências e projeções na vida cristã, sobre, por exemplo, a maneira de compreender o testemunho cristão, inclusive o dos movimentos de Igreja, e a forma da missão que justamente não deve converter-se em fanatismo.

Certo. Partamos desta consideração: o Papa São João Paulo II, de maneira profética, e o Papa Bento XVI, de maneira magistral, suscitaram, um e outro, o que se chamou de “geração JMJ”, a geração das Jornadas Mundiais da Juventude. Esta foi particularmente emblemática e ativa por seu papel dinâmico de “minoria significativa” que propõe um comportamento moral alternativo ao relativismo permissivo das sociedades pós-cristãs.

Não obstante, depois do tempo em que os papas animaram o nascimento e o primeiro crescimento desta geração, chega o momento do discernimento, exigido entre outras coisas de maneira urgente pelas crises que afetaram muitos destes movimentos e comunidades.

Com efeito, nascidos em sociedades pós-cristãs, carregam características da mentalidade à qual, no entanto, se opõem no terreno da moral da família e da vida: embora só seja a preocupação com a eficácia e a visibilidade, que pode levar a comportamentos de marketing espiritual, de busca do espetacular e de um culto do juvenil que se opõe à geração anterior, a do Concílio Vaticano II, às vezes, em nome de um tradicionalismo, certamente mais sonhado que real.

O discernimento inaciano do Papa Francisco não deixou de assinalar em sua conduta características que devem ser corrigidas para que o profetismo de seu testemunho, muitas vezes admirável e às vezes heróico, não se veja contaminado subrepticiamente por motivações não evangélicas. A mais grave seria apresentá-las como exemplo arrogante de virtude familiar diante dos outros, julgando implicitamente aqueles que não conseguem viver como eles, e de serem incapazes de reconhecer e de acolher a parte de bem que há apesar de tudo na vida destes, em vez de ajudá-los a levar sua carga como pede São Paulo (Gl 6,2).

Constato, no entanto, que algumas vozes se declaram inquietas sobre o respeito à doutrina. Refiro-me, por exemplo, à maneira como foram recebidas as discussões sinodais. Eu participei do Sínodo e posso testemunhar que em nenhum instante a doutrina foi posta em questionamento. Pelo contrário, um elemento interessante do Sínodo foi justamente a liberdade de discutir sem “questionar”. Para além do debate correto e livre, observo, no entanto, com preocupação que uma ou outra pessoa e algum grupo se expressam com acentos violentos, agressivos, barulhentos. Um dos pontos que inquietou alguns, por exemplo, é o fato de que se tenha dito que pode haver algum bem humano inclusive nas pessoas que vivem em situações irregulares.

É um efeito significativo que um dos pontos que suscitou mais alvoroço é a afirmação de que pode haver algum bem em pessoas que vivem em uniões de fato que, ou não são assimiláveis ao matrimônio, como as uniões homossexuais, ou que realizam apenas imperfeitamente seus requisitos, como as uniões civis em que há um ou dois divorciados. Nesta reação se pode apreciar como um certo jansenismo pode infiltrar-se naqueles que querem uma “Igreja de puros”.

O que diria hoje Santo Tomás de Aquino?

Para Santo Agostinho, que se opõe ao pelagianismo, sem a graça – seja em pensamento, em vontade, em amor ou em ação – os homens não são capazes de fazer absolutamente nada de bom. Santo Tomás, embora esteja de acordo com Santo Agostinho sobre a impossibilidade de uma vida moralmente boa sem a graça, tem uma posição muito mais matizada ao distinguir a moralidade da existência pessoal, da moralidade deste ou daquele dos atos da pessoa.

No tratado da fé da Suma Teológica, pergunta-se se toda a ação dos infiéis é um pecado. Responde o seguinte, fundando-se no caso do centurião Cornélio em Atos 10, 31: “As ações dos infiéis não são todas pecados, mas algumas são boas”. E precisa que, posto que “o pecado mortal não arruína totalmente o bem da natureza”, “o infiel pode também fazer uma boa ação naquilo que ele não relaciona com a infidelidade como um fim”.

Para Santo Tomás, embora sem a graça não possamos fazer “todo o bem” que está em nossa natureza, pois está ferida por não estar ordenada para o seu fim último, podemos, no entanto, fazer atos moralmente bons neste ou naquele aspecto da nossa vida, sem que esta se torne por isso moralmente boa em sua finalidade pessoal. Isto permite compreender, por exemplo, o paradoxo desses criminosos que podem comportar-se em algumas situações como bons pais de família.

Falamos do que Santo Tomás e a teologia clássica chamam de “graça operante”, pela qual Deus conduz o pecador à justificação, podendo este último também negá-la. Pode-se pensar no que diz o Concílio de Trento em seu decreto sobre a justificação.

Santo Tomás reconhece que a justificação não é milagrosa e que sua preparação pode levar tempo e uma colaboração por parte do homem. Esta, se não merecemos a graça, constitui, no entanto, uma cooperação com a graça operante sob a moção desta para dispor a alma para a justificação.

Como a graça operante previne todo homem que Deus quer salvar, esta preparação para a justificação, por menos que os pecadores se deixem dispor, produz incessantemente, apoiando-se sobre aquilo que em sua humanidade está menos arruinado, atos bons que, sem serem meritórios, pois ainda não estão movidos pela caridade, mantêm, pela misericórdia de Deus, fragmentos de bem natural nas pessoas, nas famílias e nas sociedades.

Você mantém que é assim como devemos entender e explicar a afirmação feita no Sínodo dos Bispos que inquietou os partidários do “tudo ou nada”.

Exatamente. A teologia da preparação progressiva para a justificação e do que chamamos de GPS divino permite dar uma interpretação da lei da gradualidade que a coloca ao abrigo de ser interpretada como uma gradualidade da lei em uma “moral de situação” subjetivista que o magistério recusou. Permite também compreender que, não estando a pessoa humana determinada por seus condicionamentos, os homens podem responder à graça salvadora de Cristo que os atrai para a caridade mesmo quando se encontram em estruturas mentais e sociais imperfeitas em relação à verdade.

Os seres humanos podem caminhar para a salvação de Cristo cumprindo uma parte importante de bem moral em uma união imperfeitamente matrimonial, e inclusive em uma união radicalmente diferente do matrimônio. Se essas pessoas não são santificadas por estas uniões de fato, podem sê-lo nestas uniões por tudo o que nelas dispõe à caridade através da ajuda recíproca e da amizade. Todos aqueles que tiveram contato com divorciados casados no civil ou com casais homossexuais puderam constatar essa abnegação às vezes heróica. Em que negar isto fortalecerá as nossas certezas e o nosso testemunho da verdade?

O ponto mais importante do que você diz é que os católicos devem encontrar uma maneira positiva de afirmar as certezas morais, em vez de se deterem no juízo, que resvala tão facilmente do ato ao seu autor. Se nós cremos realmente que o caminho que a Igreja nos traça seguindo a Cristo é um caminho de vida e de autêntica felicidade, a nossa certeza não tem necessidade de condenar e de rechaçar aqueles que não compartilham dela ou que não conseguem viver em conformidade com ela.

Com efeito, não se vê em que uma pastoral mais misericordiosa com os “fracos” poderia fazer com que os casais “fortes” e às vezes heróicos possam sentir-se ridicularizados ou desprezados. Caso é assim, é porque sua virtude está demasiado fundada na auto-satisfação e, por conseguinte, é uma “obra morta”, pois privada de caridade. Ao contrário, a caridade se expressa na misericórdia, sendo capaz de aproximar-se fraternalmente daquele que avança às apalpadelas pelo caminho da sua vida, de reconhecer a parte de bondade que permanece nele e de carregar com ele um pouco da sua carga. Não é para isto que nos chama o Papa Francisco nestes fantásticos exercícios espirituais que, como bom jesuíta, nos está dando diariamente?

No tempo que nos separa do próximo Sínodo, nós devemos rezar para que a Igreja encontre formas de como melhorar o seu testemunho de suas certezas, com vigor no que toca à verdade de Cristo, mas sem que esta se converta em rigidez. Devemos estar atentos para salvar aqueles que se perdem em vez de estar preocupados apenas em não perder os que se salvam.

A rigidez doutrinal e o rigorismo moral podem conduzir, inclusive os teólogos, a posições extremistas que desafiam o ‘sensus fidei’ dos fiéis e inclusive o senso comum. Um recente artigo cita, elogiando-a, a carta de um teólogo estadunidense que faz estas afirmações insensatas: ‘Qual é, nesse caso, o mal mais grave? É o de prevenir a concepção – e a existência – de um ser humano dotado de uma alma imortal, desejada por Deus e destinada à felicidade eterna? Ou interromper o desenvolvimento de uma criança no ventre de sua mãe? Um aborto desses é, certamente, um mal mais grave e é qualificado pela Gaudium et Spes como ‘crime abominável’. Mas existe, seja como for, uma criança que viverá eternamente. Ao passo que, no primeiro caso, uma criança que Deus quer que venha ao mundo jamais existirá. Com este raciocínio considera-se, pois, mais aceitável o aborto do que a anticoncepção. Incrível!

Sim, eu compartilho da sua opinião. Eu também li essas palavras e fiquei chocado com seu caráter lucidamente insensato.

Não é por acaso que esse argumento procede de um representante da ala mais dura da corrente “tuciorista”, opinião certamente condenada pelo Santo Ofício em 1690, que se opõe ao enfoque muito mais matizado do Papa Francisco, que leva mais em conta os casos particulares. Penso que esta mesma corrente pediu que fosse retirada, no Sínodo de 2014, a referência à “lei da gradualidade”, que tem certamente que se distinguida de uma “gradualidade da lei” em sua especificidade.

Esta lei encontrava-se, no entanto, já mencionada na Exortação Apostólica pós-Sinodal de São João Paulo II Familaris Consortio (1981) e aplicada na prática pela maioria dos confessores e dos padres espirituais que querem acompanhar pastoralmente aqueles que São João Paulo II chamava de “feridos da vida”.

E me parece que esse raciocínio é semelhante àqueles que já se haviam escandalizado quando missionárias, expostas em determinadas regiões do mundo em guerra ao perigo de serem violadas, receberam autorização para tomar a pílula anticoncepcional. Segundo eles, toda relação sexual, seja quais forem as circunstâncias, inclusive de violação, tem que permanecer aberta à fecundidade, porque Deus pode querer desta maneira fazer vir uma nova alma à vida.

Sim, são os mesmos que pediram que São João Paulo II, em sua Encíclica Veritatis Splendor (1993), proclamasse como dogma de fé que “matar um inocente é sempre um crime independentemente das circunstâncias do ato”. João Paulo II não o fez, pois – na medida em que uma fórmula dogmática irreformável não admite nem considerações nem exceções – teria pelo próprio fato deslegitimado a doutrina católica da legítima defesa, podendo esta última acarretar a morte de inocentes em atos de duplo efeito que ocasionam danos colaterais.

É a mesma corrente que criticou a opinião pessoal de Bento XVI em seu livro Luz do Mundo (2010), porque disse: “Em determinados casos, quando a intenção é a de reduzir o risco de contágio, o uso do preservativo pode ser um primeiro passo para abrir o caminho a uma sexualidade mais humana, vivida de maneira diferente. Pode haver casos individuais, como quando um homem que se prostitui usa o preservativo, no qual este pode ser um primeiro passo para uma moralização, um início de responsabilidade que permite tomar novamente consciência de que nem tudo é permitido e de que não se pode fazer tudo o que se quer”. Para os opositores do Papa Bento XVI, o preservativo é intrinsecamente ruim, independentemente de qualquer consideração sobre as circunstâncias de seu uso.

Observa-se o mesmo medo diante de qualquer consideração das circunstâncias nos casos excepcionais, por temor “tuciorista” de que isso possa enfraquecer a obediência à sã doutrina geral...

Não se deve de maneira alguma suprimir por “tuciorismo” a gradação entre as diversas faltas morais; nem tampouco, como se viu antes, declarar mais grave o pecado que o é menos sob o pretexto de que está mais difundido e que, consequentemente, pode levar socialmente a aceitar o primeiro. É uma forma de “consequencialismo” social, tão detestável quanto o “consequencialismo” individual condenado pela Veritas Splendor. Leva a professar uma aberração manifesta. Não, a posição mais rígida não é a mais segura.

Mas, então, segundo você, é acaso verossímil que o Sínodo dos Bispos pode representar um perigo para a doutrina católica do matrimônio e da família confirmada por São João Paulo II e por Bento XVI?

É totalmente inverossímil. O Papa busca de maneira manifesta que a justiça vá acompanhada de uma aplicação mais equitativa da lei e que a firmeza dos princípios ande de mãos dadas com a misericórdia para com as pessoas em seu itinerário pessoal. Quando Santo Tomás, no tratado da justiça da Suma Teológica, fala da equidade, denomina-a, seguindo Aristóteles, de epieikeia, palavra que no Novo Testamento tomou o significado de moderação (Fl 4, 5) e de indulgência (1Pd 2, 18); apresenta-a como “a parte mais eminente da justiça legal”.

E explica: “Uma vez que os atos humanos sobre os quais se promulgam leis consistem em casos singulares e contingentes, variáveis ao infinito, sempre foi impossível instituir uma regra geral que nunca tivesse uma falha. Por isso, os legisladores, atentos ao que acontece na maioria das vezes, promulgaram as leis neste sentido. Não obstante, em determinados casos, observá-las vai contra a igualdade da justiça e contra o bem comum almejado pela lei”.

Nesses casos, disse Santo Tomás, “o bem consiste, abandonando a letra da lei, em obedecer às exigências da justiça e do bem público”. Cabe ao Sínodo e ao Santo Padre dizer até onde a Igreja pode ir para ajudar nos casos particulares dos náufragos do matrimônio em uma linha na qual a equidade se faz mais nitidamente epieikeia, ou seja, segundo o Novo Testamento, indulgência.

Você foi padre em paróquia, tem a experiência. Você sugere que se considere algum caso concreto e específico que não poderia se beneficiar da equidade estrita de que acabamos de falar?

Sim, penso em um casal de fato em que um deles esteve casado antes, casal com filhos e com uma vida cristã efetiva e reconhecida. Imaginemos que a pessoa já casada tivesse submetido o casamento anterior a um tribunal eclesiástico que decidiu pela impossibilidade de pronunciar a nulidade por falta de provas suficientes, enquanto eles mesmos estão convencidos do contrário sem terem os meios para prová-lo.

Com base nos testemunhos de sua boa fé, de sua vida cristã e de seu apego sincero à Igreja e ao sacramento do matrimônio, em particular por parte de um padre espiritual especialista, o bispo diocesano poderia admiti-los com discrição à Penitência e à Eucaristia sem pronunciar a nulidade do matrimônio. Estender-se-ia desta maneira a estes casos uma exceção pontual a título de boa fé que a Igreja já oferece aos casais divorciados que se comprometem a viver na continência.

Notemos que neste último caso trata-se já realmente de uma epieikeia, pois se a continência livra do pecado de adultério, não abole a contradição entre a ruptura conjugal com a formação de uma nova família – com laços afetivos e de vida comum – e a eucaristia.

Que outro caso quer propor?

O outro tipo de situação é, sem dúvida, mais complicado. É aquele em que, depois do divórcio e do casamento civil, os cônjuges divorciados viveram uma conversão a uma vida efetiva, da qual pode ser testemunho, entre outros, o padre espiritual. Eles acreditam, no entanto, que seu matrimônio sacramental foi realmente válido e, se pudessem, tratariam de reparar sua ruptura porque vivem um arrependimento sincero: mas têm filhos e, por outro lado, não têm a força de viver na continência. O que fazer neste caso? Deve-se exigir deles uma continência que seria temerária sem um carisma particular do Espírito?

Nos dois casos particulares que examinou, parece-me que não se trata de contornar a indissolubilidade do matrimônio. Pelo contrário, nestes dois casos específicos, as pessoas envolvidas reconhecem e aceitam a indissolubilidade do matrimônio sacramental e não têm nenhum desprezo pela lei. Não pedem à Igreja um reconhecimento matrimonial, mas apenas que se lhes seja permitido prosseguir da melhor maneira possível na sua vida cristã graças a uma vida sacramental mais completa.

Para a Igreja se trataria de uma derrogação excepcional de uma disciplina tradicional, fundada sobre a altíssima conveniência sacramental entre eucaristia e matrimônio; derrogação devida ou a uma dúvida verossímil sobre a validade do matrimônio sacramental ou a um retorno impossível, de fato mas não de desejo, à situação matrimonial anterior ao divórcio.

Em ambos os casos, esta exceção interviria a favor de uma vida cristã construída solidamente. Esta epieikeia de indulgência iria no sentido da oikonomia dos Padres da Igreja entre os séculos I e V, antes que a pressão mundana dos imperadores bizantinos a fizesse se estender no Oriente (Concílio in Trullo, século VII) até admitir as segundas núpcias dos divorciados.

Estes casos dolorosos são relativamente pouco frequentes. São muitos, ao contrário, os casos de casais muito marginais em relação à vida cristã e à prática religiosa que reclamam com grande polêmica midiática uma mudança de disciplina da Igreja em relação aos divorciados recasados, antes de mais nada para que a mesma reconheça socialmente sua nova união, aceitando, de um modo ou de outro, o princípio de um novo casamento depois do divórcio.

Legislar para eles, correndo o risco de comprometer o significado do matrimônio fiel e indissolúvel, que muitos casais cristãos vivem sem esforço, significaria encorajar outra forma deste “mundanismo espiritual” que o Santo Padre justamente identifica. Eu o definiria como um “mundanismo religioso”.

Qual seria, então, a atitude pastoral adequada?

“Ter o espírito duro e o coração terno”. Esta frase tão conhecida de Jacques Maritain dita para Jean Cocteau, que convivia com a heróica Sophie Scholl, em 1943, antes de ser executada em uma prisão nazista, me vem à mente a propósito do Sínodo dos Bispos. Em conexão com isso, gostaria de desenvolver a metáfora de Maritain e dizer aos católicos: não tenham nem o espírito duro com um coração seco, nem o coração terno com um espírito molengo. Pois são estas duas atitudes as que tendem hoje a confrontar-se em uma dialética estéril.

Por outro lado, parece que alguns não acharam necessário que o Sínodo recordasse novamente os fundamentos, naturais e sobrenaturais, do matrimônio e da família, assumidos e ensinados pelo Magistério anterior.

Talvez considerem que são suficientemente conhecidos, até mesmo muito repisados no passado; mas aparece em filigrana através do que dizem que na verdade estão irritados e são “muito teóricos”, temendo que dificultem a atitude compassiva da conduta pastoral. Por isso, são vistos, por sua vez, como suspeitos de favorecer o relativismo moral pelos partidários da linha doutrinal.

Estes, por sua vez, são vítimas de outro medo: que a Igreja abandone essas verdades fundamentais. No contexto confuso de nossas sociedades ocidentais, estas pessoas medrosas não querem que o Magistério, ocupado com a profusão de casos excepcionais, corra o risco de enfraquecer os princípios na alma dos fiéis. Estes são, por sua vez, suspeitos pelos outros de formalismo idealista e desconectado da vida e do sofrimento das pessoas.

* * *

Ao final da nossa entrevista, estamos plenamente de acordo sobre o fato de que o testemunho que os cristãos são chamados a dar é o do Deus da verdade, do Misericordioso. “Devemos rezar ao beato Paulo VI”, me disse Garrigues. “Que este beato Pontífice, prossegue, interceda para que os católicos saiam dessa dialética estéril, que procede de seus medos opostos, para avançar na direção de uma sabedoria integradora e ordenadora na qual, como diz o Salmo, “o amor e a verdade se encontram, a justiça e a paz se abraçam”.

Vem-me à mente o fogo de Pentecostes, a efusão do Espírito que nos faz reviver as origens da Igreja. “Esta efusão transformou completamente os discípulos: o medo foi substituído pela coragem e o fechamento deu lugar ao anúncio”, disse o Papa Francisco durante o Regina Caeli do último dia 24 de maio. “A mãe Igreja não fecha a porta para ninguém, para ninguém! Nem mesmo para o mais pecador, para ninguém! E faz isso pela força, pela graça do Espírito Santo. A mãe Igreja abre, escancara suas portas para todos, porque é mãe”.

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“Igreja de puros” ou “rede com peixes misturados”. Entrevista com Jean-Miguel Garrigues - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

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