Papa Francisco adverte sobre destruição do ecossistema em rascunho vazado da encíclica

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17 Junho 2015

Nesta semana, o Papa Francisco pedirá por mudanças no estilo de vida e no consumo de energia para evitar a “destruição sem precedentes do ecossistema” antes do final deste século, de acordo com um rascunho vazado de uma encíclica papal. Em documento divulgado por uma revista italiana na segunda-feira, o pontífice irá advertir que uma omissão humana teria “graves consequências para todos”.

A reportagem é de Stephanie Kirchgaessner e John Hooper, publicada por The Guardian, 16-06-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Francisco também pede por uma nova autoridade política mundial encarregada de “combater (...) a redução da poluição e de ajudar no desenvolvimento dos países e regiões pobres”. Este apelo ecoa aquele feito pelo seu predecessor, o Papa Bento XVI, que em uma encíclica de 2009 propôs uma espécie de super-ONU para lidar com os problemas e as injustiças econômicas do mundo.

De acordo com o texto vazado, obtido e publicado pela revista Espresso, o papa argentino irá se alinhar ao movimento ambientalista e seus objetivos. Apesar de aceitar a existência de algumas causas naturais para o aquecimento global, o papa também indicará que a mudança climática é principalmente um problema criado pelo homem.

“A humanidade é chamada a tomar nota da necessidade de mudanças no estilo de vida e de mudanças nos métodos de produção e consumo para combater este aquecimento, ou pelo menos as causas humanas que produzem e a acentuam”, escreveu ele. “Inúmeros estudos científicos indicam que a maior parte do aquecimento global nas últimas décadas deve-se à grande concentração de gases de efeito estufa (...), liberados sobre todos por causa da atividade humana”.

O papa também vai destacar aqueles que se opõem à problemática ambiental. Em uma aparente referência aos negadores da mudança climática, o rascunho afirma: “As atitudes que se interpõem no caminho de uma solução, mesmo entre os crentes, variam desde a negação do problema, à indiferença, à resignação conveniente ou à fé cega nas soluções técnicas”.

O vazamento frustrou o lançamento elaborado do Vaticano para esta encíclica – carta papal aos bispos – a ser feito na quinta-feira. O seu lançamento foi organizado para acontecer antes da viagem do papa aos EUA, onde ele deverá discursar às Nações Unidas, bem como a uma reunião conjunta do Congresso.

Informou-se aos jornalistas que eles receberão uma cópia adiantada do texto na quinta-feira pela manhã e que o documento será lançado, publicamente, ao meio-dia na sequência de uma coletiva de imprensa. O Cardeal Peter Turkson, que escreveu o rascunho inicial da encíclica, e Hans Joachim Schellnhuber, cientista climático de destaque na Alemanha, devem participar da coletiva. Na segunda-feira à noite, o Vaticano pediu aos jornalistas que não publicassem detalhes do rascunho, enfatizando que ele não era o texto final. A autoridade vaticana disse acreditar que o vazamento foi um ato de “sabotagem contra o papa”.

O rascunho não constituía uma análise científica detalhada da crise do aquecimento global. Em vez disso, era a reflexão do papa sobre a responsabilidade dada por Deus à humanidade na qualidade de guardiã da Terra.

Lê-se no começo do rascunho que a Terra “está protestando pelo mal que estamos fazendo a ela, por causa do uso e abuso irresponsável dos bens que Deus colocou sobre ela. Crescemos pensando que somos os seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência que existe no coração do homem, ferido pelo pecado, também se manifesta nos sintomas da doença que vemos na Terra, na água, no ar e nas coisas vivas”.

Por outro lado, ele imediatamente deixa claro que, diferentemente de encíclicas anteriores, esta dirige-se a todos, independentemente da religião. “Face à degradação global do meio ambiente, eu gostaria de me dirigir a cada pessoa que habita este planeta”, escreveu o papa. “Nesta encíclica, eu particularmente proponho a todos entrar no debate concernente à nossa casa comum”.

De acordo com o documento vazado, o papa vai elogiar o movimento ambientalista mundial, que “já percorreu uma longa e rica estrada e deu origem a inúmeros grupos de pessoas comuns que inspiraram a reflexão”.

Em uma passagem surpreendentemente específica e inequívoca, o rascunho rejeita diretamente os “créditos de carbono” como uma solução para o problema. O texto diz que isso “pode dar origem a uma nova forma de especulação e não ajudaria a reduzir as emissões globais de gases poluentes”. Pelo contrário, escreveu o papa, isso poderia “apoiar o superconsumo de certos países e sectores”.

A encíclica sobre o meio ambiente não é a primeira incursão de Francisco no debate sobre o clima. O pontífice, eleito em 2013, já havia tornado pública a sua decepção com o fracasso em se alcançar um acordo global sobre a redução das emissões de gases de efeito estufa, repreendendo os negociadores do clima por uma “falta de coragem” nas as últimas grandes negociações, realizadas em Lima, no Peru.

Francisco irá, provavelmente, querer influenciar os republicanos em Washington com os seus comentários. A maioria dos republicanos no Capitólio negam que as mudanças climáticas constituem um fenômeno criado pelo homem; eles vêm mostrando uma firme oposição aos esforços de regulação por parte do governo Obama.

Esta encíclica constituir-se-á em uma leitura embaraçosa para alguns republicanos católicos, incluindo John Boehner, o orador republicano na Câmara. Embora muitos republicanos tenham elogiado o papa, esta não será a primeira vez que eles romperão publicamente com o pontífice no tocante à questão do aquecimento global.

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