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17 Junho 2015

“A contínua aceleração das mudanças da humanidade e do planeta se une hoje à intensificação dos ritmos de vida e de trabalho, naquela que alguns chamam, em espanhol, “rapidación” (aceleração). Embora a mudança faça parte da dinâmica dos sistemas complexos, a velocidade que as ações humanas lhe impõem hoje contrasta com a natural lentidão da evolução biológica. A isso se acrescenta o problema que os objetivos desta veloz e constante mudança não são necessariamente orientados ao bem comum e a um desenvolvimento humano, sustentável e integral”, escreve o Papa Francisco no XVIII parágrafo de sua encíclica, dedicada aos temas do ambiente, a “casa comum” da qual cada um deve cuidar.

Eis algumas antecipações do texto publicadas pelo jornal Corriere della Sera, 16-06-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

Da contaminação dos rejeitos ao superaquecimento global

“Existem formas de poluição que atingem cotidianamente as pessoas. A exposição aos poluentes atmosféricos produz um amplo espectro de efeitos sobre a saúde, em particular dos mais pobres [...]. A Terra, nossa casa, parece transformar-se sempre mais num imenso depósito de imundície. Em muitos lugares do planeta, os anciãos recordam com nostalgia as paisagens de outros tempos, que agora aparecem submersos por lixo [...]. Estes problemas estão intimamente ligados à cultura do rejeito, que golpeia tanto os seres humanos excluídos quanto as coisas que se transformam velozmente em lixo”.

“O clima é um bem comum, de todos e para todos. Esse, em nível global, é um sistema complexo em relação com muitas condições essenciais para a vida humana. Existe um consenso científico muito consistente que indica que estamos em presença de um preocupante aquecimento do sistema climático. [...] A humanidade é chamada a tomar consciência da necessidade de modificações de estilos de vida, de produção e de consumo, para combater este aquecimento ou, pelo menos, as causas humanas que o produzem ou o acentuam. [...]. Se a tendência atual continuar, este século poderia ser testemunha de mudanças climáticas inauditas e de uma destruição sem precedentes dos ecossistemas, com graves consequências para todos nós”.

As mudanças climáticas e os migrantes abandonados

“As mudanças climáticas são um problema global com graves implicações ambientais, sociais, econômicas, distributivas e políticas, e constituem um dos principais desafios atuais para a humanidade. Os impactos mais pesados recairão provavelmente nas próximas décadas sobre Países em via de desenvolvimento. Muitos pobres vivem em lugares particularmente golpeados por fenômenos conexos ao aquecimento [...]. É trágico o aumento dos migrantes que fogem da miséria agravada pela degradação ambiental, os quais não são reconhecidos como refugiados nas convenções internacionais e, portanto, carregam o peso da própria vida abandonada sem nenhuma tutela normativa. Infelizmente há uma indiferença generalizada diante destas tragédias, que acontecem atualmente em diversas partes do mundo. A falta de reações diante destes dramas dos nossos irmãos e irmãs é um sinal da perda daquele senso de responsabilidade pelos nossos semelhantes sobre os quais se fundamenta toda sociedade civil”.

A água, direito fundamental e o respeito pela biodiversidade

“A água potável e limpa representa uma questão de primária importância, porque é indispensável para a vida humana e para sustentar os ecossistemas terrestres e aquáticos. [...]. Enquanto a qualidade da água disponível piora constantemente, em alguns lugares avança a tendência de privatizar este recurso escasso, transformado em mercadoria sujeita às leis do mercado. Na realidade, o acesso à agua potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas, e por isso é condição para o exercício dos outros direitos humanos. Este mundo tem um grave débito social com os pobres que não têm acesso à água potável, porque isso significa negar a eles o direito à vida, radicado em sua inalienável dignidade”.

“Também os recursos da terra são depredados por causa de modos de entender a economia e a atividade comercial produtiva, demasiado ligadas ao resultado imediato. A perda de florestas e bosques implica ao mesmo tempo na perda de espécies que poderiam constituir no futuro recursos extremamente importantes, não só para a alimentação, mas também para a cura de doenças e para múltiplos serviços. [...] Mas, não basta pensar nas diversas espécies somente como eventuais “recursos” desfrutáveis, esquecendo que têm um valor em si mesmos. A cada ano desaparecem milhares de espécies vegetais e animais que não poderemos mais conhecer, que os nossos filhos não poderão ver, perdidas para sempre. A imensa maioria se extingue por razões que têm a ver com alguma atividade humana. Por nossa causa, milhares de espécies não darão glória a Deus com sua existência nem poderão comunicar-nos a própria mensagem. Não temos esse direito”.

A renúncia ao paradigma tecnocrático

Existe um modo de compreender a vida e a ação humana que é desviado e que contradiz a realidade até o ponto de arruiná-la. Porque não podemos parar e refletir sobre isto? “De nada servirá descrever os sintomas, se não reconhecermos a raiz humana da crise Proponho, portanto, que nos concentremos sobre o paradigma tecnocrático dominante e sobre o lugar que aí ocupam o ser humano e sua ação no mundo”. “Em tal paradigma ressalta uma concepção do sujeito que progressivamente, no processo lógico-racional, compreende e de tal modo possui o objeto que se encontra fora. Tal sujeito se explica no modo de estabelecer o método científico com sua experimentação, que já é explicitamente uma técnica de posse, domínio e transformação [...]. Por isso, o ser humano e as coisas têm cessado de dar-se amigavelmente a mão, tornando-se, ao invés, contendentes.

Daqui se passa facilmente à ideia de um crescimento infinito ou ilimitado [...]. Isso supõe a mentira sobre a disponibilidade infinita dos bens do planeta, que conduz a “espreme-lo” até limite e além”.

O ponto de vista dos excluídos também na ecologia

“Gostaria de observar que com frequência não se tem clara consciência dos problemas que golpeiam particularmente os excluídos. Eles são a maioria do planeta, bilhões de pessoas. Hoje são mencionados nos debates políticos e econômicos internacionais, mas em geral parece que os seus problemas sejam colocados como um apêndice, como uma questão que se acrescente quase por obrigação ou de maneira periférica, quando não são considerados como um mero dano colateral. [...] Mas hoje não podemos deixar de reconhecer que uma real concepção ecológica se torna sempre uma concepção social, que deve integrar a justiça nas discussões sobre o ambiente, para escutar tanto o clamor da terra quanto o clamor dos pobres”.

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