Colau e a esquerda no poder em Barcelona

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Por: Jonas | 01 Junho 2015

O atual prefeito de Barcelona, Xavier Trias, abriu-se ontem para liderar um novo governo municipal com o apoio de independentistas e socialistas para impedir a investidura da candidata vencedora nas eleições municipais, a ativista de esquerda Ada Colau, mas logo desistiu dessa ideia impulsionada pela direita e setores econômicos afins. De sua parte, a candidata de Agora Madri, Manuela Carmena, disse ontem que será a próxima prefeita da capital da Espanha, com o apoio do Partido Socialista (PSOE), e qualificou como “infantil” a atitude de sua rival do Partido Popular (PP), Esperanza Aguirre, que deseja evitar sua investidura com “desqualificações” e propostas inviáveis.

A reportagem é publicada por Página/12, 29-05-2015. A tradução é do Cepat.

Trias me deixou bem claro que serei a próxima prefeita”, afirmou, ontem, Colau, candidata por Barcelona em Comum, após ter uma reunião com o prefeito em atividade. Desse modo, Colau descartou que Trias fosse forjar um pacto para continuar com a prefeitura de Barcelona, uma possibilidade que o próprio dirigente da força nacionalista Convergência e União (CiU) havia considerado “improvável, mas possível”. “Não recuso que me tornem prefeito, não sou tão tonto assim para dizer ‘não’, caso me apoiem para somar 21 conselheiros”, sustentou ontem Trias em uma entrevista. A ideia passa pela formação de um “governo forte”, no qual também entrariam os independentistas da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) e os socialistas catalães.

Com o debate em aberto, o candidato da ERC, Alfred Bosch, rejeitou participar do pacto por considerá-lo “contra natura”. Destacou que “não se entenderia que um governo soberano surgisse dos votos do PP”. Trias teria dito que o PP comunicou que votaria nele, caso formasse um governo com outras forças para evitar a chegada de Colau ao Ajuntamento.

Enquanto Bosch frustrava os planos da direita, Colau e Trias se reuniam para abordar questões relacionadas à transição de poderes no município. Na saída do encontro, a líder de Barcelona em Comum confirmou que o próprio Trias reconhecia que essa proposta era inviável: “Dá como certo que serei prefeita”.

Segundo explicou Colau, Trias lhe disse que a proposta de que ele fosse proclamado prefeito “provém do PP” e de setores econômicos, e que também entende que “Barcelona em Comum venceu as eleições e será capaz de formar governo”.

Colau já se reuniu com Bosch e com os socialistas e indicou que “há vontade de diálogo” para chegar a “acordos pontuais ou estáveis”. De sua parte, Bosch disse que as condições para apoiar Colau são: “Regeneração, reativação econômica e que Barcelona aposte na independência” da Catalunha.

No entanto, Colau quis distanciar os fantasmas do “medo” que rondam sobre a sua investidura e confirmou que não se oporá a que se assine o prolongamento de um contrato que mantém o Mobile World Congress, um megaevento mundial que traz milhões de euros à cidade. Não obstante, a futura prefeita deixou claro que quer se reunir com os diretores do evento para que a atividade econômica gerada apresente mais “benefícios sociais”.

Manuela Carmena reconheceu que se vê no posto da prefeitura de Madri e que mantém conversas com os socialistas para consegui-lo. “Parece que sua atitude é a de permitir minha investidura, mas sem fazer parte do governo, como estamos falando”, explicou a candidata em entrevista à emissora Cadeia Ser. A ex-juíza de 70 anos, que ficou em segundo lugar nas eleições municipais do último domingo, com um conselho menor (20) do que o de Aguirre (21), é favorável a um acordo com os socialistas (10) para, posteriormente, ir governando com pactos pontuais. “A primeira coisa é a investidura e depois iremos vendo. Parece-me interessante mudar a forma de fazer política. Por exemplo, há propostas de Cidadãos que nos parecem possíveis”, acrescentou, sobre a possibilidade de alcançar também acordos pontuais com o partido de Albert Rivera, que conquistou sete conselhos.

“Parece-me importante colocar em andamento medidas de igualdade social, e já estamos dando passos para a criação de oficinas para que, antes que um juiz dê a ordem definitiva de um lançamento hipotecário, tenhamos uma alternativa habitacional, para que ninguém fique na rua”, apontou.

Enquanto se prepara para assumir sua responsabilidade como prefeita, Carmena afirma que não quer perder tempo em responder Esperanza Aguirre, que nos últimos dias propôs um pacto de “centro” para evitar sua investidura e, em seguida, uma espécie de governo de pacto com todos os partidos vencedores.

Para defender sua iniciativa de frente comum contra o Podemos – que apoia a iniciativa de Carmena -, Aguirre disse que o PP, socialistas e Cidadãos deveriam evitar que Agora Madri utilize o Ajuntamento para “romper a democracia ocidental”. Os socialistas responderam com um “não” categórico.

No dia seguinte, a dirigente do PP propôs um bloco que inclua todos e disse que a única coisa que não aceitaria é que Agora Madri torne os distritos de Madri em “sovietes”. Após se reunir com a candidata de Cidadãos, Aguirre reconheceu que sua proposta era inviável.

Ontem, Carmena qualificou a atitude de Aguirre como “uma birra de criança caprichosa”. “É tão pueril e tão infantil”, sustentou, para depois dar um conselho ao PP a respeito da histórica dirigente madrilena. “Dizer que eu coloco em risco a democracia ocidental não faz sentido. Toda minha vida foi o contrário”, ressaltou.

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