Romero, primeiro mártir do Concílio

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25 Mai 2015

 

Foto: conciliaria.com

Durante sua última visita a El Salvador, o povo se apinhava em torno dele: todos queriam saudá-lo, tocá-lo e, sobretudo, dizer-lhe o seu obrigado. Era o dia 11 de março e o arcebispo Vincenzo Paglia voara ao menor país da América Latina para anunciar, como postulador junto à Congregação das causas dos santos, a data da beatificação de Óscar Arnulfo Romero, arcebispo mártir de San Salvador, assassinado pelos esquadrões da morte enquanto celebrava a Missa no dia 24 de março de 1980.

Quase dois meses depois, o dia esperado chegou. O presidente do Pontifício Conselho para a família retornou, portanto, à nação para a histórica celebração, em programa amanhã, sábado dia 23 de maio.

A entrevista é de Lucia Capuzzi, publicada por Avvenire, 22-05-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

Eis a entrevista.

Excelência, está emocionado?

Sim... Dom Romero não terminou a Missa no fatídico dia 24 de março há 35 anos. O funeral também ficou incompleto por causa de um atentado. Neste sábado, 23 de maio, ocorrerá a conclusão daquelas duas Missas interrompidas sobre a terra, que encontrarão o seu cumprimento no céu.

Com o reconhecimento do martírio "in odium fidei” de Romero, no dia 03-02-2015, o Vaticano, de certo modo, “ampliou” o próprio conceito do termo: o arcebispo foi morto por pessoas que se consideravam formalmente cristãs... 

O martírio de Dom Romero é o cumprimento de uma fé vivida em sua plenitude. Aquela fé que emerge com força nos textos do Concílio Vaticano II. Neste sentido, podemos dizer que Romero é o primeiro mártir do Concílio, o primeiro testemunho de uma Igreja que se mescla com a história do povo com o qual viver a esperança do Reino. Uma esperança de justiça, de amor, de paz.

Em tal sentido Romero é um belo fruto do Concílio. Um fruto amadurecido através da experiência da Igreja latino-americana que, entre as primeiras no mundo, procurou traduzir os ensinamentos conciliares na história concreta do Continente, tendo a coragem de formular a opção preferencial pelos pobres e testemunhar, numa realidade marcada por profundas injustiças, a via do diálogo e da paz. A Igreja latino-americana presenteou ao mundo grandes figuras. Por isso gera em mim uma grande alegria o início da causa de beatificação de outro salvadorenho e amigo de Romero, o padre Rutilio Grande, e do brasileiro Helder Câmara.

Romero mártir do Reino e de sua justiça...

A figura do arcebispo e, em geral dos mártires, nos recorda Jesus Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. Em Romero tal semelhança chega até o ponto de recordar a articulação temporal da vida de Cristo. Romero, como Jesus, viveu os últimos três anos do seu ministério pregando o Reino e estando próximo dos fracos e dos pobres. Como Jesus chegou a oferecer sua vida sobre a cruz, assim Romero chegou a oferecê-la sobre o altar. E, como o Senhor, Romero teve o coração transpassado, no seu caso por uma bala.

O anúncio da beatificação, em março, foi acolhido com uma arrebatadora explosão de alegria pelo povo salvadorenho. Por diversas vezes interromperam os seus discursos com gritos de alegria e cantos espontâneos. Que coisa mais lhe tocou naquela ocasião?

Comoveu-me profundamente ver os camponeses salvadorenhos dirigir-se ainda hoje à tumba de seu arcebispo, na cripta da Catedral, e falar com ele como se estivesse presente fisicamente. Foi belíssima a onda de entusiasmo geral de todo o país. Romero parece hoje uni-los todos.

O que representa para os salvadorenhos a beatificação de monsenhor Romero?

Romero, como Bom Pastor, não só congrega as ovelhas, porém as ensina a abandonarem a violência. Refiro-me, em particular, aos jovens das maras (gangues criminosas atuais protagonistas da atual matança, ndr), com os quais o arcebispo, se exercesse agora o seu ministério episcopal, procuraria encontrar um canal de diálogo para convencê-los a abandonarem a violência e a se empenharem por uma sociedade mais justa e solidária.

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