Será que Francisco contará com o legado de Bento XVI quando visitar os EUA?

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20 Mai 2015

O Papa Francisco manter-se-á dentro da tradição das visitas papais anteriores aos Estados Unidos quando vier ao litoral leste do país neste segundo semestre, disse Dom Jaime Soto, bispo da Diocese de Sacramento, que acrescentou que a viagem do papa contará com o papado de Bento XVI se ele abordar a questão do meio ambiente.

A reportagem é de Matt Hadro, publicada por CNA/EWTN News, 17-05-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

“O Papa Bento XVI deu início a muitos comentários sobre as mudanças climáticas”, explicou Dom Jaime Soto, “e eu acho que o Papa Francisco vá enfatizar este assunto em seu discurso, especialmente do ponto de vista de como estas mudanças afetam os pobres”.

Bento XVI falou repetidas vezes sobre a necessidade de cuidarmos do meio ambiente como sendo a criação de Deus, e fez o tema do Dia Mundial da Paz 2010 ser: “Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação”.

Durante a sua visita em 2008 aos EUA, Bento XVI falou à Assembleia Geral das Nações Unidas que “a ação internacional, na busca de preservar o ambiente, e proteger as várias formas de vida sobre a terra não deve garantir somente um uso racional da tecnologia e da ciência, mas deve redescobrir a autêntica imagem da criação”.

O Papa Francisco, por sua vez, escreveu uma encíclica sobre o meio ambiente a ser publicada nos próximos meses. Falou também abertamente sobre a necessidade de se proteger a criação.“Este é um dos maiores desafios de nossa época: convertermo-nos a um desenvolvimento que saiba respeitar a criação”, disse ele num encontro com trabalhadores na Universidade de Molise, em 5 de junho de 2014. “Eu vejo a América – minha pátria –, muitas florestas despojadas que se tornam terras que não podem ser cultivadas, não podem dar a vida. Este é o nosso pecado: explorar a terra e não deixar que ela nos dê o que tem dentro, com a nossa ajuda no cultivo”.

O Papa Francisco fará uma turnê aos EUA com três paradas pelo litoral leste em setembro deste ano: primeiro passando por Washington, DC, onde irá canonizar Junipero Serra do lado de fora do Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em 23 de setembro. Depois, irá se reunir com o presidente Obama na Casa Branca e discursar a uma sessão conjunta do Congresso, no dia 24.

No dia 25, fará um discurso à Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York e, então, irá à Filadélfia para participar do Encontro Mundial das Famílias, nos dias 26 e 27. Estima-se que 1 milhão de pessoas participarão da missa no dia 27 de setembro.

Dom Jaime Soto falou sobre a visita papal durante um evento católico-evangélico sobre a pobreza ocorrido em Washington, DC, no dia 11 de maio, organizado pela Iniciativa para o Pensamento Social Católico e a Vida Pública, da Georgetown University.

Soto participou de um painel sobre a pobreza e falou aos jornalistas a respeito da necessidade de se superar a tolerância para com injustiças, como o alto índice de encarceramento entre os pobres.

A pobreza e a família estão intrinsecamente ligadas, e a Igreja deve encarar esta questão se quiser ajudar as famílias ao redor do mundo, explicou o prelado.

Os problemas ambientais – principalmente o problema da seca – afetam particularmente os pobres da Diocese de Sacramento, de Dom Jaime Soto, a qual se estende pela região norte do estado da Califórnia.

O desemprego chega a 20% em algumas partes rurais da diocese, disse ele. O prelado citou a Agência de Proteção Ambiental, que mostra que os piores problemas ambientais acontecem nas áreas mais pobres do estado.

Existem problemas sociais que afetam a família, refletiu ele, e com o Encontro Mundial das Famílias e o Sínodo dos Bispos a se realizarem neste segundo semestre, a Igreja tem uma oportunidade de abordar estas questões.

A pobreza das famílias nos EUA agrava-se com os problemas de imigração e do sistema educacional, disse. A falta de uma reforma ampla na lei de imigração tem impedido que imigrantes, na Califórnia, comecem negócios e se estabeleçam em sociedade.

O sistema público de educação também tem falhado junto às famílias pobres, segundo o prelado. “O sistema educacional californiano não está servindo bem às nossas famílias, às famílias dos imigrantes e às famílias da classe trabalhadora. Os filhos destas famílias não estão recebendo a educação que merecem, o que enfraquece a capacidade deles de escaparem dos ciclos de pobreza. Com resultados educacionais falhos (...) estas crianças se limitam a ambientes dos quais é muito difícil escapar”.

“Acho que que precisamos continuar explorando novas formas de envolver os pais e as famílias na educação dos filhos. As escolas autônomas são uma maneira de se conseguir isso. E se existirem outras formas, formas melhores, então devemos explorá-las”.

Aqui temos uma oportunidade para que a Igreja realize um trabalho social junto às famílias, através das escolas paroquiais. Há uma “inquietude nacional” na questão de as escolas católicas trabalharem com as famílias de baixa renda, ajudando a mudar a trajetória de pobreza de muitas destas crianças, disse ele.

“As escolas católicas não só produzem, creio eu, bons católicos, mas também bons cidadãos. E então, como podemos usar esta fórmula, que funcionou tão bem, e termos certeza de que ela está servindo melhor os imigrantes e as famílias da classe trabalhadora?”

Com a eleição presidencial americana de 2016, esta situação põe em primeiro plano outras preocupações sociais relacionadas à falta de participação civil e à marginalização da religião, reconheceu.

“Me preocupo que haja uma tendência em querer se desqualificar o discurso religioso”, disse ele em relação à eleição presidencial de 2016.

As instituições católicas já realizam um grande trabalho com os pobres nos EUA e “eu espero que os candidatos vejam o valor de termos instituições religiosas fortes, vibrantes, como as escolas católicas, os hospitais católicos, os serviços sociais católicos, envolvidos como parceiros na sociedade”, disse Dom Jaime Soto.

O silenciamento da fé na vida pública foi um assunto que o Papa Bento abordou em sua visita aos Estados Unidos, disse o prelado, e o Papa Francisco chamará a atenção para este tema através do papel da Igreja em servir aos pobres.

“Ele também irá nos desafiar a irmos adiante como pastores”, disse o bispo: desafiar-nos-á “a sermos ‘pastores com cheiro de ovelha’ e a realmente fazermos a Igreja voltar à sua missão primária (...) de anúncio da Boa Nova aos pobres”.

A recente agitação popular em Baltimore e Ferguson, no estado de Maryland, acabou ressaltando o perigo que há na falta de participação civil, continuou o religioso. Observando que alguns dos protestos foram pacíficos e outros não, o prelado acrescentou que “parte disso é eles querem ser ouvidos. Eles mostraram uma condenação do processo político, que não permite que estas vozes sejam ouvidas”.

“Há uma grave falta de participação das pessoas, e isso não é bom para o nosso sistema político”, continuou. “A participação dos eleitores na Califórnia é triste, e não é nada bom para o pacto social quando inúmeras pessoas, independentemente de quais sejam as razões, não participam”.

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