''Motivar, sair e enviar.'' Entrevista com Víctor Manuel Fernández

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19 Maio 2015

O reitor da Pontifícia Universidade Católica Argentina, Dom Víctor Manuel Fernández, oferece uma leitura da Evangelii gaudium como condição permanente da Igreja e de cada fiel: "A maior parte do tempo deveria ser gasto para levar o Evangelho a cada um, pessoalmente. O próprio papa nos dá o exemplo". Ele denuncia: "Alguns preferem não mudar nada ou simplesmente esperar a morte do papa". E convida a ir ao encontro dos que estão longe com a fantasia evangelizadora do povo.

A reportagem é de Vincenzo Corrado, publicada por Servizio di Informazione Religiosa (SIR), 18-05-2015. A tradução é de  Moisés Sbardelotto.

A Igreja italiana se prepara para uma "verificação da recepção da exortação apostólica Evangelii gaudium". Está dedicada a esse tema a assembleia geral do episcopado italiano, que se realiza no Vaticano, na Sala do Sínodo, entre os dias 18 e 21 de maio.

"Vamos nos perguntar – explicou o cardeal Angelo Bagnasco, presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI) – quanto a exortação entrou na mente e nos corações dos fiéis, e se tornou critério de vida espiritual e de pastoral".

Para enquadrar o tema da assembleia, pedimos que Dom Víctor Manuel Fernández, arcebispo reitor da Pontifícia Universidade Católica Argentina, nos ajudasse na leitura e na compreensão desse documento. Autor de diversos livros, incluindo um Guía breve para aplicar Evangelii gaudium (San Pablo), Fernández aparece entre os teólogos citados na exortação (cf. n. 263).

Eis a entrevista.

Excelência, a Evangelii gaudium parece retomar as exortações de Paulo VI Gaudete in Domino e Evangelii nuntiandi. Em que sentido?

A Evangelii nuntiandi e a Evangelii gaudium são programas pastorais. O Espírito Santo guia toda a Igreja através do papa, e é por isso que queremos levar a sério esse programa, que tem "consequências importantes" (n. 25). Alguns preferem não mudar nada ou simplesmente esperar a morte do papa. Voltando às exortações citadas, no entanto, existe uma diferença. A Evangelii gaudium não é um documento sobre a "evangelização" em geral, mas, como diz o subtítulo, "sobre o anúncio do Evangelho". Por essa razão, por exemplo, detém-se longamente sobre a homilia. A Gaudete in Domino inspirou as primeiras páginas da Evangelii gaudium, contribuindo para definir o tom dessa nova fase. O Papa Francisco desperta a alegria no povo de Deus e espera que nós sejamos testemunhas da alegria do Evangelho.

A relação entre alegria e evangelização, por conseguinte, é muito estreita. É também um modelo para a linguagem da "nova evangelização"?

O grande risco atual é "uma tristeza individualista" (n. 2), que sufoca "o dinamismo da missão", porque "não há espaço para os outros" (ibid.). O problema surge quando os fiéis "se transformam em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida" (ibid.). No entanto, "essa não é a escolha de uma vida digna e plena" (ibid.).

Entrando no coração da exortação, quais critérios o senhor indica para a sua aplicação?

Existe um problema sério. Quando se tenta colocar em prática qualquer documento, é difícil para nós identificar o ponto central. O centro da Evangelii gaudium é o anúncio, mas não o anúncio de todo o Catecismo, mas daquele núcleo do Evangelho que é chamado querigma: "a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado" (n. 36). Ela começa destacando a beleza porque não basta anunciar essas coisas, se não transmitirmos a sua atratividade.

Se alguns consideram que essa proposta é light, o papa especifica: "Nada há de mais sólido, mais profundo, mais seguro, mais consistente e mais sábio que esse anúncio" (n. 165). Alguns dirão: já sabíamos. Mas nem todos aqueles que receberam a catequese estão vivendo alegremente esse anúncio, que não é algo que deixamos para trás no lugar de coisas mais importantes. É o "coração" (n. 34), que sempre deveria fazer "arder os corações".

E quais passos devem ser dados para essa aplicação?

Motivar, sair, enviar. Esse triplo dinamismo implica a fazer arder o fogo, a sair de nós mesmos para comunicá-lo de pessoa em pessoa, e em cada circunstância. Enfim, buscar as formas para motivar outros a serem missionários.

Quais são as consequências para todas as comunidades?

Somos convidados a pôr tudo a serviço da saída missionária. Para fazer isso, devemos que "repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores" (n. 33), dando prioridade à proximidade misericordiosa e ao anúncio de pessoa em pessoa, antes de qualquer coisa. A maior parte do tempo deveria ser gasto para levar o Evangelho a cada um pessoalmente. O próprio papa nos dá um exemplo. Ele dedica horas para ficar perto das pessoas, para expressar o amor de Deus, para ouvir, abraçar, abençoar. Por isso, ele pede que a paróquia "realmente esteja em contato com as famílias" (n. 28). Devemos mudar os hábitos, o estilo, a linguagem e até os horários, para que nos ajudem a chegar a todos.

O que significa concretamente entrar em um "estado permanente de missão"?

Isso significa ir ao encontro "daqueles que estão longe de Cristo". Mas não necessariamente na Ásia ou na África. Talvez muito mais perto. Quem são? Aqueles que em consciência não se consideram mais como parte da Igreja. Aqueles que não vivem a sua fé com alegria, com prazer, com consolação (cf. n. 14). As "periferias" são aqueles de que esquecemos ou ignoramos. Em última análise, o convite é: dar prioridade àqueles que, neste momento, não fazem parte das nossas comunidades.

Além disso, para que a Igreja chegue a todos, aqueles que anunciam o Evangelho não podem ser os mesmos poucos, e nem todos devem seguir o mesmo estilo. Para chegar a cada periferia, são necessários todos os tipos de agentes de pastoral, com carismas e características diferentes, com modos diferentes de ser e de se expressar, até mesmo imperfeitos. Para chegar aos loucos, o Espírito louco derrama carismas sobre alguns loucos. Devemos fazer surgir essas formas de evangelização que nascem espontaneamente do próprio povo, para além do nosso controle.

Pode sugerir algumas perguntas para verificar se realmente levamos a sério o documento?

Como posso fazer, neste país, nesta diocese, nesta comunidade, para que o anúncio fundamental chegue a todos e a cada um? Quais são as motivações que podemos aprofundar para que se desperte um forte espírito missionário? Que pessoas do nosso bairro poderiam se tornar missionárias atraentes no lugar em que vivem e trabalham, para chegar aonde nós não conseguimos chegar?

Qual seria a relação entre essa tarefa missionária e o Ano da Misericórdia?

O papa nos propõe que tenhamos que tenhamos uma imensa paciência, para que haja espaço para todos. Por isso, " é preciso acompanhar, com misericórdia e paciência, as possíveis etapas de crescimento", na consciência de que "um pequeno passo, em meio a grandes limitações humanas, pode ser mais agradável a Deus do que a vida externamente correta de quem transcorre os seus dias sem enfrentar sérias dificuldades" (n. 44). Se a perfeição não chega, "não renuncia ao bem possível, ainda que corra o risco de se sujar com a lama da estrada" (n. 45). E, se alguém volta a cair, Francisco nos diz que "Ele perdoa setenta vezes sete. Volta a nos carregar sobre os seus ombros uma vez e outra. Ninguém pode nos tirar a dignidade que esse amor infinito e inabalável nos confere" (n. 3). É preciso traduzir isso pastoralmente.

Gostaria de acrescentar outras considerações?

A Evangelii gaudium inclui um capítulo sobre a dimensão social e outros sobre a espiritual. Porque "não servem as propostas místicas desprovidas de um vigoroso compromisso social e missionário, nem os discursos e ações sociais e pastorais sem uma espiritualidade que transforme o coração" (n. 262). É a união luminosa dessas duas coisas que atrai.

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