Austeridade com benefícios sociais: o desafio do governo Cameron

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18 Maio 2015

O futuro do primeiro-ministro inglês David Cameron, reeleito com maioria absoluta na última quinta-feira, dependerá da sua capacidade de transformar os frutos da austerity em um benefício social generalizado. E não será um trabalho fácil.

A opinião é do sociólogo e economista italiano Mauro Magatti, professor da Universidade Católica de Milão, em artigo publicado no jornal Corriere della Sera, 12-05-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Entrando novamente no número 10 da Downing Street, David Cameron terá que lidar com uma agenda difícil, por causa da dupla verdade que essas eleições lhe entregam.

De um lado, o resultado eleitoral confirmou aquilo que já sabíamos: as eleições são vencidas no centro. O sentido da inesperada vitória de Cameron está todo aqui: criticado por não ser carismático e passional, o primeiro-ministro conservador ganhou graças ao dividendo político de um bom desempenho da economia e de uma taxa de desemprego que caiu para menos de 6%.

E tudo isso graças ao pragmatismo do chanceler do Tesouro, George Osborne (não por acaso confirmado no seu posto), que uniu os cortes ao welfare com uma política monetária expansionista. Isso confirma o fato de que, nas democracias pós-ideológicas, para os eleitores, a política é importante, mas dentro dos seus limites: são premiadas as lideranças que obtêm resultados concretos, sem pretender curvar a realidade a visões abstratas.

Por outro lado, porém, o resultado das eleições britânicas também diz que o crescimento econômico corre o risco de não ser mais suficiente: o voto compacto dos escoceses – tradicionalmente pró-Labour – e os 12,6% obtidos pelo Ukip dizem que até a sociedade britânica hoje está um pouco decomposta.

No momento em que não é mais ao redor da classe, mas do território (ou, em outros casos, a religião) que se assentam os processos de construção identitária, a oposição social não é mais monopólio da esquerda. É aqui que Miliband fracassou: apesar do custo econômico do ajustamento ter sido suportado em grande parte pelas classes populares, a crítica às políticas de austeridade não basta para agregar um novo centro de gravidade social.

Renzi tem razão: na civil Grã-Bretanha, Cameron obtém a maioria absoluta com 36,9% dos eleitores. Sem dúvida, isso assinala a capacidade do sistema inglês de evitar a paralisia da instabilidade. No entanto, o caso inglês também serve para captar o estado das democracias contemporâneas. Cameron venceu as eleições porque conquistou o centro. Mas não pode esquecer que se trata de um centro bastante pequeno, quase um "centrinho". E que a oposição social continua sendo vasta, embora descontínua.

Essa é a dupla verdade contida nos resultados eleitorais ingleses. Mas que vale um pouco para todas as democracias europeias. As democracias (especialmente as mais enraizadas) descobrem ser resilientes graças à sua capacidade de se coagular em torno de um centro social capaz de servir de contrapeso para os impulsos populistas ou desagregadores. Mas seria um erro subestimar o porte da crise social que tudo isso esconde.

Cameron vai se encontrar governando sabendo que é maioria no Parlamento, mas minoria no país. Ele deverá manter unidas as exigências econômicas com as pressões que se descarregam sobre os arranjos institucionais. É por isso que, passada a surpresa do primeiro momento, os tons dos jornais ingleses e internacional se tornaram mais cautelosos, sublinhando a dificuldade da tarefa.

O novo governo, de fato, terá a responsabilidade de consolidar e, se possível, ampliar aquele centro que também soube construir. E deverá tentar fazer isso agindo simultaneamente em três frentes, não propriamente convergentes: manter unida a sociedade inglesa (parando o empobrecimento da classe média); manter unido o Reino Unido (embora concedendo autonomia à Escócia); manter unida a União Europeia (compondo os interesses da City, os humores antieuropeístas de uma parte dos seus eleitores e as demandas de outros países membros, a partir das políticas migratórias).

Para fazer isso, Cameron (e, como ele, outros chefes de governo) deverá ir além daquilo que ele fez nos últimos anos, demonstrando que a nova tessitura dos laços sociais – hoje tão gravemente empobrecidos – não só é compatível, mas é a própria condição do crescimento econômico. Isto é, estará na sua capacidade de transformar os frutos da austerity em um benefício social generalizado o segredo do seu eventual sucesso. E não será um trabalho fácil.

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