Conglomerados econômicos compram vastas áreas de terra apta para a agricultura

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Por: André | 14 Maio 2015

Recentemente, o portal de notícias internacionais New Eastern Outlook publicou um relatório no qual ressalta o envolvimento de grandes conglomerados econômicos, com a Monsanto à frente, na compra de enormes extensões de terra em todo o mundo.

 
Fonte: http://bit.ly/1PiT5y6  

A reportagem é de Giorgio Trucchi e publicada por Rel-UITA, 12-05-2015. A tradução é de André Langer.

De acordo com vários especialistas internacionais – assinala o portal – a compra de terra representa um “investimento econômico altamente lucrativo”, tanto para países desenvolvidos como para suas empresas transnacionais.

Neste sentido, para países como China, Coreia do Sul, Japão, Índia, os países do Golfo Pérsico e os Estados Unidos, entre outros, a compra de terras agrícolas fora de suas fronteiras nacionais converteu-se em uma “política de Estado”.

Se há alguns anos, o continente africano era o território mais atraente para adquirir enormes extensões de terra a baixo custo, a crise econômica e financeira da Ucrânia colocou este país no topo das preferências.

De acordo com dados relatados pelo New Eastern Outlook, o fenômeno da estrangeirização das terras na África afeta a mais de 60 milhões de hectares, ou seja, duas vezes a superfície do Reino Unido.

Países à venda. Transgênicos e agrocombustíveis em toda parte

Na Etiópia, explica o portal, o preço do arrendamento anual de um terreno não passa do 1,20 dólar por hectare, ao passo que o preço da venda mantém-se entre 20 e 30 dólares.

Nos últimos anos, os países que mais investiram na compra de terra neste continente são a Alemanha e os Estados Unidos.

“As empresas destes países cultivam preferencialmente trigo e óleo de palma geneticamente modificados para a produção de agrocombustíveis. A Monsanto, empresa líder na produção de alimentos transgênicos, foi muito ativa neste sentido”, explica o New Eastern Outlook.

O portal assinala também o envolvimento de várias universidades norte-americanas na compra de terra na África, entre outras, a Harvard University e a Vanderbilt University, que estão comprando através do mediador inglês Emergent Aset Management.

Também a Universidade de Iowa, em colaboração com a AgriSol, iniciou um projeto na Tanzânia avaliado em mais de 700 milhões de dólares, que prevê o deslocamento das comunidades de Katoomba e Misham, onde vivem mais de 160 mil pessoas.

Frequentemente – assinala a mesma fonte informativa –, estes novos “fazendeiros” são cidadãos norte-americanos que aproveitam seu cargo institucional para estes fins.

“O então embaixador dos Estados Unidos no Sudão, Howard Eugene Douglas, fundou a Kinyeti Development Company, com sede legal no Texas, convertendo-se em proprietário de cerca de 600 mil hectares de terra.

“Não deixa de surpreender o fato de que, na hora de iniciar sua atividade no setor imobiliário, Douglas desempenhava o cargo de coordenador para os refugiados no Sudão, muitos deles expulsos por sua própria companhia”, recorda o New Eastern Outlook.

Ucrânia: de celeiro da Europa a dispensador de venenos

Muitas vezes, a compra de terras realiza-se de maneira semi-oculta, tratando de driblar as legislações nacionais que proíbem a venda a estrangeiros. O portal internacional explica que, nestes casos, criam-se joint ventures.

“Afinal, a aquisição de terras revela o seu verdadeiro objetivo: o colonialismo. Se no passado, para criar uma colônia era preciso ocupar um território à força, agora basta comprá-lo, e os novos proprietários são aqueles que mandam”, analisa a publicação.

No caso da Ucrânia, destaca-se o processo acelerado de estrangeirização da terra.

A Ucrânia é o terceiro maior exportador mundial de milho e o quinto maior de trigo. Tem 32 milhões de hectares de terras de cultivo, ou seja, um terço da terra produtiva total de toda a União Europeia.

De acordo com dados da instância governamental que controla o uso das terras neste país, 75% das terras aráveis – cerca de 32 milhões de hectares – já estão nas mãos de privados, entre eles diferentes corporações agroindustriais europeias e norte-americanas.

“Estas empresas são atraídas pelo baixo custo e pela fertilidade da terra preta da Ucrânia, neste momento o melhor lugar do mundo para cultivar alimentos geneticamente modificados e milho para agrocombustíveis. A Monsanto já anunciou um investimento milionário no setor agrícola ucraniano, e o mesmo farão outras empresas como Cargill e DuPont”, adverte o New Eastern Outlook.

Em suma, trata-se de uma verdadeira escalada ao setor agrícola ucraniano.

A Cargill, por exemplo, já controla mais de 5% da Ucraina UkrLandFarming, uma das maiores empresas agrícolas do país, ao mesmo tempo que comercializa de maneira massiva agrotóxicos, sementes transgênicas e fertilizantes.

O portal internacional também chama a atenção para a presença na Ucrânia de cerca de 40 empresas agrícolas alemãs, que operam em fazendas de entre 2.000 e 3.000 hectares.

E como se isso fosse pouco, o fundo de pensões estadunidense NCH Capital já arrendou cerca de 450 mil hectares e entrou na produção de transgênicos.

O resultado desta política, que tem fortes repercussões geoestratégicas, promovida e fomentada pela União Europeia, Estados Unidos e os grandes organismos financeiros internacionais, é que, atualmente, cerca de 1,7 milhão de hectares de terras agrícolas da Ucrânia estão em mãos de estrangeiros.

Alerta glifosato. Autoridades mudas, cegas e surdas

No dia 03 de maio passado, mais de 30 mil médicos e especialistas em saúde de toda a América Latina exigiram que os produtos da Monsanto fossem proibidos. Um dos principais argumentos é a recente confirmação por parte da Organização Mundial da Saúde de que o glifosato é cancerígeno.

A Monsanto desenvolveu e patenteou este herbicida de amplo espectro em 1974 e, embora sua patente tenha expirado em 2000, segue sendo o princípio ativo do herbicida Roundup, que está associado à maioria de seus transgênicos.

“Lamentavelmente, a estrangeirização das terras e a expansão de cultivos transgênicos parecem não preocupar as autoridades ucranianas, que mostraram um total desinteresse diante dos perigos que correm tanto seus cidadãos como o resto da população europeia”, concluiu o New Eastern Outlook.

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