O papa, o embaixador gay e aquela oração comum

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11 Maio 2015

"O papa agora tem todos os elementos para decidir." Sobre a nomeação do novo embaixador francês junto à Santa Sé, vaza do Eliseu um moderado otimismo, enquanto, na Santa Sé, permanece um silêncio eloquente.

A reportagem é de Anais Ginori e Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 08-05-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Passaram-se quase três semanas desde que o diplomata escolhido pela França, Laurent Stefanini, encontrou-se com o Papa Francisco. Um face a face incomum que, por enquanto, não marcou nenhuma virada na esperada aprovação da Santa Sé em relação ao diplomata.

O atraso da validação da nomeação pelo Vaticano se assemelha cada vez mais a uma rejeição, embora o pontífice tenha querido conhecer pessoalmente Stefanini, chefe do protocolo no Eliseu e que já trabalhou como número dois na embaixada francesa junto à Santa Sé.

Católico praticante, 55 anos, o diplomata goza do apoio e da estima de alguns cardeais franceses como André Vingt-Trois e Jean-Louis Tauran. É célibe, sem filhos, leva uma vida privada discreta, a sua homossexualidade nunca foi ostentada e, ao contrário, só foi tornada pública por aquela que, no Eliseu, consideram como uma "campanha de imprensa difamatória", voltada justamente a impedir a aprovação do novo embaixador.

Até mesmo as supostas tomadas de posição de Stefanini em favor da lei para o casamento gay são "absurdas", repetem na comitiva presidencial, ainda mais para um homem acostumado a trabalhar nas sombras.

François Hollande continua estando convencido de que Stefanini é "o candidato certo na posição certa", explicam os colaboradores do presidente. A França está tentando fazer as pazes com o Vaticano, mas sem assumir como hipótese outros nomes no lugar de Stefanini.

A crise começou no fim de janeiro, quando um texto do jornal Le Figaro anunciou a nomeação do novo embaixador, designado sem que houvesse ainda a aprovação da Santa Sé como previsto pelos procedimentos. Um anúncio incauto que não agradou no Vaticano.

No início de fevereiro, o núncio apostólico em Paris, Luigi Ventura, pediu oficiosamente que Stefanini retirasse a sua candidatura. O diplomata respondeu que não era uma decisão que cabia a ele, mas ao presidente Hollande. O embaixador designado, então, escreveu uma carta a Bergoglio, para lhe explicar que não havia sido ele que tinha escolhido ser nomeado, assim como ele não tinha "escolhido a orientação sexual".

Quem conhece Stefanini conta como ele ficou ferido nas últimas semanas. A suspeita, dizem no Eliseu, é que o caso foi criado com arte por ambientes católicos franceses para provocar um incidente diplomático com o governo socialista, culpado de ter aprovado a reforma sobre o casamento homossexual.

O objetivo do confronto é político mais do que pessoal, repetem no Eliseu, enfatizando que houve outros embaixadores gays no Vaticano, sem que isso nunca tenha provocado um escândalo preventivo.

Na sexta-feira, 17 de abril, Stefanini esteve no Vaticano. Primeiro na Secretaria de Estado, depois em Santa Marta para uma conversa de mais de 40 minutos com o papa. Os dois falaram e também rezaram juntos. Francisco não entrou no mérito da questão sobre o "acordo" apresentado por Paris; simplesmente quis ouvir Stefanini e mostrar-lhe que não existem preconceitos contra ele.

No Vaticano, o dossiê preparado sobre Stefanini pelo núncio em Paris, Luigi Ventura, foi lido com cuidado. No texto, haveria vestígios de algumas declarações públicas feitas por Stefanini em favor do "Mariage pour tous", sobre o qual a Igreja Católica sempre expressou forte oposição, mesmo que, ainda do outro lado do Tibre, insiste-se sobre o fato de que não foram essas declarações que puseram um veto no seu nome, mas sim a violação por parte de Paris de uma das regras mais basilares da diplomacia internacional: quando se pede o "acordo" para outro Estado, espera-se receber uma resposta antes de dar publicamente o nome como confirmado.

"Nada a acrescentar", dizem do outro lado do Tibre, onde também dão a entender que não será enviada nenhuma declaração oficial a Paris. Porque o que já diz tudo, afirmam, é simplesmente o fato de que a aprovação necessária para Stefanini não existe. "Não está em discussão a boa fé de Stefanini – explicam ainda no Vaticano –, nem a sua homossexualidade."

O impasse aparente deve se resolver nas próximas semanas. Caso contrário, Hollande também estaria disposto a deixar vaga a sede de Villa Bonaparte. Um fato grave, apontam no Eliseu, que "não é do interesse de ninguém". A França está envolvida em diversos dossiês diplomáticos em que a colaboração com o Vaticano é fundamental: da defesa dos cristãos do Oriente à normalização das relações com Cuba, passando pela gestão dos fluxos migratórios da África.

No Vaticano, reiteram que o pontífice não vai mudar a linha escolhida. Mas o papa é capaz de surpresas.

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