O rótulo alterado

Revista ihu on-line

Metaverso. A experiência humana sob outros horizontes

Edição: 550

Leia mais

Caetano Veloso. Arte, política e poética da diversidade

Edição: 549

Leia mais

Mulheres na pandemia. A complexa teia de desigualdades e o desafio de sobreviver ao caos

Edição: 548

Leia mais

Mais Lidos

  • Metaverso? Uma solução em busca de um problema. Entrevista com Luciano Floridi

    LER MAIS
  • Comunidades Eclesiais de Base, sim. Artigo de Pedro Ribeiro de Oliveira

    LER MAIS
  • A implementação do Concílio no governo do Papa Bergoglio. Artigo de Daniele Menozzi

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


05 Mai 2015

"Qual a razão econômica do nobre deputado se empenhar tanto na alteração de um simples rótulo que dava o direito de escolha às pessoas? Por que tanto empenho do deputado em garantir o lucro do agronegócio em detrimento do direito do cidadão de escolher o que ele deseja consumir? Ok, se o sujeito acredita que transgênicos não são problema e os consome; mas onde fica o meu direito de não acreditar que eles são produtos benéficos para a minha saúde? Enquanto isso, na Europa até mesmo a ração animal é identificada quando usa produtos geneticamente modificados", escreve Adriana Franciosi, jornalista e fotógrafa, em artigo publicado no jornal Zero Hora, 05-05-2015.

Eis o artigo.

Mais uma vez, a liberdade de escolha é afrontada pela Câmara dos Deputados, que acaba de aprovar a resolução da retirada dos rótulos do “T” que alertava para produtos transgênicos. O projeto de autoria do deputado gaúcho Luis Carlos Heinze (PP-RS) é uma síntese da inexistência de liberais de fato neste país: liberais que defendam o princípio básico de liberdade de escolha. Isso significa que eu, você ou a mãezinha que escolhe a papinha do seu filho não poderemos saber que tipo de produto vamos consumir. Segundo o deputado, não há necessidade de informar o público, já que, na visão dele, os transgênicos são absolutamente seguros. Será?

Qual a razão econômica do nobre deputado se empenhar tanto na alteração de um simples rótulo que dava o direito de escolha às pessoas? Por que tanto empenho do deputado em garantir o lucro do agronegócio em detrimento do direito do cidadão de escolher o que ele deseja consumir? Ok, se o sujeito acredita que transgênicos não são problema e os consome; mas onde fica o meu direito de não acreditar que eles são produtos benéficos para a minha saúde? Enquanto isso, na Europa até mesmo a ração animal é identificada quando usa produtos geneticamente modificados. E o consumidor europeu cada vez mais exige a identificação de todo e qualquer rótulo, e cada vez consome menos esse tipo de alimento. Mas por aqui os “interéeeeesssessss” do lobby mais rastaquera continuam dando as cartas. São eles que elegem esses senhores com seus discursos moralistas, anticorrupção e mil blá-blá-blás, mas que no fundo só representam interesses econômicos muito bem conhecidos.

Enfim, termino rezando para que nasça algum liberal neste país que defenda o princípio da liberdade de escolha. Ou, quem sabe, apelamos para a velha esquerda defender um princípio liberal, garantindo o nosso direito. Esse Congresso atual é para envergonhar qualquer cidadão minimamente informado. E, mais uma vez: não sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra. O Brasil está na contramão da legislação dos países mais desenvolvidos, que têm, sim, a identificação dos produtos como transgênicos ou não. O nobre deputado Heinze, que já ofendeu índios, negros e homossexuais como “tudo aquilo que não presta”, diz bem a que veio.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

O rótulo alterado - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV