Walmart: como pensa o gigante egoísta?

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Por: André | 30 Abril 2015

O Walmart foi fundado em 1962 por Sam e Bud Walton na cidade de Bentonville, localizada no Estado de Arkansas, nos Estados Unidos. Conseguiu posicionar-se durante a primeira década do século XXI como a multinacional com maior volume de venda no ramo varejista de supermercados, em nível mundial.

A reportagem é de Germán Segura Nuñez e publicada por Rebelión, 29-04-2015. A tradução é de André Langer.

A ênfase desta empresa transcende, certamente, as margens de lucros econômico-financeiros. A interação dos campos em que se desenvolve o poder (como escreveu o sociólogo francês Pierre Bourdieu), conecta-se com o político e ideológico. Assim como outras empresas, em diferentes contextos sócio-históricos em nível mundial, tentou por meio de diferentes métodos articular sua busca e imposição de projetos de sociedade com determinadas cosmovisões. Não se trata apenas de lucrar por lucrar.

A empresa de Bentonville, desde a sua origem, manifestou a intenção de transmitir cultura, primeiro nos Estados Unidos e depois, a partir de 1991, em nível mundial. A transmissão desta cultura está ditada pelas ordenanças de seu falecido fundador Sam Walton (1918-1992). Ele se declarava protestante, especificamente de perfil calvinista (reformado ou presbiteriano como se denomina atualmente esta corrente). O seu perfil se confunde com as principais ideias do calvinismo: a predestinação e o ser humano como instrumento da vontade divina. O trabalhador é obrigado a cumprir o mandato que lhe foi confiado. O empresário não é um explorador, mas foi predestinado por Deus para guiar uma porcentagem do rebanho, e por meio da via econômica crer nos mandatos do empresário, posto que ele é o eleito.

Autores como René-Paul Desse e o professor de história da Universidade da Califórnia e Santa Bárbara nos Estados Unidos, Nelson Lichtenstein, dedicaram-se a investigar o Walmart em seu conjunto. Ou seja, em suas dimensões econômica, política e principalmente ideológica. Desse (2009) em seu artigo “Walmart: o cavalo de Troia da globalização”, explicita que na construção da cultural da empresa, esta visão da América do Norte profunda anda de mãos dadas com os valores cristãos daquelas mesmas sociedades rurais (batistas, metodistas e, mais tarde, pentecostais em sua grande maioria) (p. 17-18).

Em 1970, Sam Walton e seus dirigidos começaram a selecionar jovens dirigentes em universidades de confissão protestante, tais como: o The College of Ozarks, a John Brown University de Siloam Springs e a Southwest Batpitst University em Bolivar, Missouri. Os Sam Walton Free Enterprise Fellows vão se constituindo em centenas de escolas e universidades dos Estados Unidos através de outra instituição: a SIFE (Student In Free Enterprise), associação cuja ideologia afinada nas pequenas universidades cristãs do Arkansas e Missouri desenvolve uma mensagem de defesa dos valores de um capitalismo completamente exacerbado. No final dos anos 1990, um terço dos novos dirigentes do Walmart contratados são membros da SIFE. Em contrapartida, a empresa investe no conselho de administração da SIFE, de forma direta através de seus dirigentes, e de forma indireta fazendo entrar no conselho os seus principais provedores (Desse, 2009, p. 34-35).

Claramente, o projeto em marcha de Walton naquela fase de seu desenvolvimento perseguia como objetivo a formação de uma elite gerencial homogênea, que compartilhasse uma cosmovisão protestante no aspecto axiológico e livre mercadista no âmbito econômico.

Lichtenstein (2003) ocupou-se em desvelar os procedimentos e a ação do Walmart, principalmente nos Estados Unidos e na China. Indica-nos que se trata, sem dúvida, de uma empresa republicana, um dos mais altos níveis de gestão, cuja política de financiamento de campanhas eleitorais de 2000 e 2004 fluiu quase exclusivamente para George Bush e seu partido. Dessa maneira, o Walmart demonstrou ser um sucesso notável na propagação de uma marca diferente do espírito empresarial e do igualitarismo cristão de imitação, muito além de suas raízes do sul. Os executivos exerceram um papel sistemático na tradução de um populismo conservador da era Reagan em um conjunto de apoios ideológicos que buscam legitimar a estrutura hierárquica (p. 7).

A multinacional, por meio de seus gerentes e principais executivos, ou seja, sua elite dirigente, encarregou-se de expressar uma espécie de neoconservadorismo populista, que teve sua maior ênfase na administração do presidente estadunidense Ronald Reagan (período de 1981-1989), principal precursor das reformas de ordem neoliberal, em conjunto com Margaret Thatcher na Inglaterra, durante a mesma década.

Walton e outros executivos institucionalizaram uma construção social imaginária com uma hábil mudança (eufemismo) linguística. Passaram a chamar todos os empregados (trabalhadores) de “associados” ou colaboradores. Como assinalamos, a elite dirigente desta EMN, procurou alcançar um equilíbrio entre suas esferas ideológica (ética protestante, cristã), econômica (capitalismo, livre mercado) e política (neoconservadorismo).

Como conjunto homogêneo, encontra-se imersa em uma ética cristã que une a salvação pessoal no êxito empresarial e de serviços sociais com a livre iniciativa. O Walmart publicações (são espécies de boletins informativos testemunhais de seus trabalhadores) está cheio de histórias de dura pressão sobre os associados que encontram a redenção econômica e espiritual a través da dedicação à empresa. O serviço desinteressado, para o cliente e a comunidade (Lichtenstein, 2003, p. 9).

A construção racional-axiológica elaborada pelas mentes dirigentes do gigante sulista conta com um planejamento estratégico exaustivo e seu propósito econômico-financeiro central é maximizar seus lucros e reduzir seus custos (meta comum dos grandes conglomerados multinacionais). Com uma política depredadora que age no sentido de enfraquecer seus competidores.

Sua posição política consiste em um perfil de ordem neoconservadora sintonizando-se com o partido representante desta tendência no país do Norte, o Partido Republicano. Mas cabe destacar que a adesão ao conservadorismo por parte do Waltmart ultrapassa os limites do partido em si.

Quando se pensa que os diversos tipos de ideologias ou projetos de sociedade recobertos por diferentes modelos de cosmovisão desapareceram ou deixaram de existir – como em seu momento Francis Fukuyama escreveu entusiasmado sobre o “fim da história”, fazendo referência à queda dos socialismos reais e ao triunfo definitivo da democracia liberal capitalista como estágio superior da capacidade organizativa dos sujeitos –, afastam-se um pouco da realidade.

O caso do Walmart concatena-se em três campos de poder: econômico, ideológico e político. Seu projeto de sociedade recobre-se no campo ideológico com uma cosmovisão protestante (cristã) que modela matizes, características e exigências. No campo político, o perfil expressado de ordem neoconservadora, embora tenha demonstrado amplo apoio econômico ao Partido Republicano nos Estados Unidos, seu compromisso é maior em torno da corrente assinalada. E no campo econômico, seu lema de “preço baixo todo dia” traduziu-se em uma competição brutal com seus competidores no ramo varejista de supermercados em nível mundial.

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