Perfil elitizado é marca de manifestantes

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15 Abril 2015

O perfil dos manifestantes que foram às ruas, no domingo, nas principais capitais brasileiras, mostra que o movimento anticorrupção e pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff não conseguiu extrapolar os limites de classe.

A reportagem é de Cristian Klein, publicada no jornal Valor, 15-04-2015.

Assim como os presentes na Avenida Paulista, pesquisados pelo Datafolha, o manifestante típico que protestou em Copacabana, na zona sul do Rio, era escolarizado (82,5% tinham ensino superior completo ou incompleto); com renda familiar elevada (52,3% acima da faixa de dez salários mínimos); mais velho (56,8% tinham acima de 45 anos de idade) e morador da zona sul (66,3% dos participantes eram da região mais rica da cidade). Os números são de pesquisa realizada pelo Grupo de Investigação Eleitoral (Giel), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), que entrevistou 280 pessoas, em faixas de horário distintas. A manifestação reuniu 10 mil pessoas segundo a Polícia Militar e 25 mil de acordo com os organizadores.

Para o professor e cientista político Felipe Borba, que coordenou o levantamento, os resultados indicam uma mobilização de "perfil muito definido", que não atraiu os eleitores de Dilma Rousseff, vencedora da eleição em outubro com 51,5% dos votos válidos. Entre os manifestantes, 64,3% votaram em Aécio Neves (PSDB) no primeiro turno e 83,9% escolheram o tucano no segundo turno. "Essa não é a base política do PT. Trata-se de pessoas escolarizadas e com dinheiro, que compõem o perfil do eleitor oposicionista desde 2006. É o cidadão que votou em Aécio (2014), em José Serra (2010) e Geraldo Alckmin (2006)", afirma Borba.

O professor diz que o movimento nas ruas não conseguiu extrapolar seu caráter de classe, embora o descontentamento com Dilma seja massivo - 60% dos brasileiros desaprovam o governo federal e o consideram ruim ou péssimo, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana. Na amostra de manifestantes, a avaliação negativa sobe para 95%. "A insatisfação é generalizada na população, mas essa indignação mais forte, a predisposição de ir à rua, é menor", resume o cientista político.

Os protestos pelas capitais no domingo tiveram um declínio e, de acordo com estimativas da PM, reuniram menos de um terço dos 1,7 milhão de manifestantes das grandes mobilizações de um mês atrás, em 15 de março.

Como em São Paulo, o principal motivo para protestar no Rio foi a corrupção (28%) - o que não atingiria necessariamente a presidente -, percentual superior ao dos que declararam querer afastar Dilma do poder (10,3%). No entanto, impeachment, PT (16,5%) e governo (12,7%) representaram 39,5% das motivações para sair às ruas.

O pedido de intervenção militar foi apontado por apenas 1,8% como objetivo do protesto. "Não é um eleitor golpista, como sugerem algumas análises superficiais", afirma Borba. O manifestante que esteve em Copacabana não aposta contra as regras do jogo democrático, embora nem sempre esteja por dentro de seu funcionamento, acrescenta. A grande maioria (58,9%) acredita que o melhor a se fazer seria "Dilma sofrer impeachment e seu vice convocar novas eleições" - o que não está previsto na Constituição - enquanto 15% apontaram "Dilma deve sofrer impeachment e seu vice continuar até as eleições de 2018". O mesmo percentual defendeu que a presidente não deve ser afastada.

O pesquisador se diz surpreso com o número de manifestantes que se consideram de direita (23,2%). "Num ambiente de mobilização como esse, seria esperado um percentual maior. É um grupo ideologicamente um pouco amorfo", aponta. Quinze por cento se declararam de esquerda (5%) ou centro-esquerda (10%); 17,1% de centro; enquanto os que se consideram de direita ou de centro-direita (7,9%) somam 31,1%. É o dobro do número de esquerdistas, mas exatamente igual ao percentual dos que afirmam não ter posição ideológica.

A falta de adesão ao partidos também é uma característica dos manifestantes. O PSDB, com 16,8%, é a sigla que desperta a maior simpatia, bem acima de PMDB (3,6%), PV (2,1%), PSOL (1,4%) e PT (1,1%). Mas os sem partido somam 71,1%.

O levantamento também buscou retratar o perfil dos manifestantes a respeito de temas da agenda pública e relacionados aos direitos individuais. Em linha com o pensamento mais à direita, uma ampla maioria (75,7%) é favorável à redução da maioridade penal para 16 anos. A proibição da maconha divide o grupo: 37,9% concordam, mas 35,7% discordam. Já o casamento gay tem grande aceitação, e 62,1% discordam de proibi-lo. "O interessante é que eles [manifestantes] não são eleitores extremamente conservadores", pontua Borba.

Cientista político da FGV-SP, Fernando Abrucio considera que a grande fragilidade dos protestos tem sido não chegar até os pobres. "É mais um 'Fora, PT' do que Dilma. Teria que ultrapassar o mero antipetismo. É um governo ruim, em crise, mas não dá pra dizer que não tem base social", afirma.

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