Uma prévia da ''encíclica sobre as mudanças climáticas''

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14 Abril 2015

Aqui está uma prévia da histórica "encíclica sobre as mudanças climáticas" do Papa Francisco, a ser lançada brevemente, completada com pontos de discussão para o seu próximo discurso à sessão conjunta do Congresso dos EUA.

A reportagem é de Paul B. Farrell, publicada no sítio Market Watch, 09-04-2015. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

Os prováveis títulos da encíclica: "Cuidar da criação ... Nós somos os guardiães da Criação ... Se destruírmos a Criação ... a Criação vai nos destruir", uma advertência pública, muitas vezes, repetida pelo pontífice no ano passado, uma mensagem certa para intensificar a ira dos negadores da ciência climática pertencentes ao Partido Republicano dos EUA (também conhecido como GOP), petrolíferas internacionais, Koch Bros, Exxon Mobil e a maioria das empresas de combustíveis fósseis, bem como os seus bancos, investidores e capitalistas em todos os lugares. Eis o porquê:

A muito antecipada encíclica do Papa Francisco será transmitida a todo o mundo para bilhões de pessoas, incluindo 5.000 bispos, 400.000 sacerdotes e 1,2 bilhão de membros da Igreja Católica Romana. Ela estará incentivando o seu exército de fiéis a tomar medidas firmes, a combater as alterações climáticas e as ameaças do aquecimento global ao meio ambiente.

A encíclica também será traduzida para centenas de línguas e difundida em todo o mundo. Ao mesmo tempo, o Papa Francisco irá pressionar os chefes de estado e aos líderes religiosos, inspirando milhares de milhões de pessoas em todo o mundo, incentivando-as a aderir a essa revolução.

Essa histórica encíclica também irá definir o cenário para tudo o que o Papa Francisco planejou para o resto de 2015. Ele é um homem com uma missão para salvar o mundo das aceleradas ameaças aos recursos naturais do planeta. De forma mais imediata, a encíclica terá os principais pontos de discussão para o seu discurso à sessão conjunta do Congresso em setembro, seu discurso à Assembléia Geral das Nações Unidas em Nova York e sua mensagem de dezembro para a histórica Conferência do Clima da ONU, em Paris. Muitos dos seus pontos sobre o ambiente já são bem conhecidos.

Quando o Papa Francisco abordar o Congresso norte-americano, ele vai enfrentar um grupo hostil de 169 políticos de linha-dura do Partido Republicano, negadores da ciência climática, que descartam a ideia de que o aquecimento global é causado pelo homem, em parte porque, coletivamente, eles receberam mais de 52 milhões de dólares em contribuições de grandes empresas de petróleo, carvão e combustíveis fósseis, três vezes mais do que receberam os outros membros do Congresso, que concordam que a mudança climática é uma ameaçaà sobrevivência de nossa civilização.

Os negadores do GOP no Congresso incluem católicos como o presidente da Câmara, John Boehner, o senador da Flórida, Marco Rubio, considerado um provável candidato presidencial para 2016, assim como o ex-candidato a vice-presidente, Paul Ryan, presidente do Comitê da Câmara, os quais estarão ouvindo o Papa Francisco. Sentado com eles estará senador de Oklahoma, Jim Inhofe, presidente do Comitê de Meio Ambiente e Obras Públicas, autor de "The Greatest Hoax: How the Global Warming Conspiracy Threatens Your Future" [O grande trote: como a conspiração do aquecimento global ameaça o seu futuro].

Quem também estará ouvindo o Papa Francisco é o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, do Kentucky, que recentemente tentou "minar as negociações internacionais destinadas a combater a mudança climática" ao dizer publicamente para que os "outros países não confiem na promessa do presidente Obama de reduzir significativamente as emissões de carbono dos Estados Unidos".

E, em mais um ato desesperado, McConnell também enviou uma carta para os governadores de todos os 50 Estados incentivando-os a ignorar as leis federais que aplicam os regulamentos de ar limpo da Agência de Proteção Ambiental "destinados a reduzir as emissões de carbono das usinas de energia movidas a carvão". Seu estado é grande na mineração de carvão.

Pontos-chave na histórica encíclica do papa sobre as mudanças climáticas

O sempre sorridente e otimista Papa Francisco, um ex-boxeador, adora uma boa briga. Mas ele tem o seu alvo real apontado com um laser - incentivar a ação - convidando centenas de milhões de fiéis católicos, de fato, convidando todos os sete bilhões de pessoas em todo o mundo, para participar de uma revolução econômica global.

Aqui estão oito advertências públicas do papa, editadas pela organização Catholic Climate Covenant, a partir da sua "Exortação Apostólica", do jornal The Guardian e outras fontes de notícias, nos avisos sobre as aceleradas mudanças climáticas e os riscos do aquecimento global para o meio ambiente, além de nossa responsabilidade individual para "salvaguardar a Criação, pois somos os guardiões da Criação. Se destruírmos a Criação, a Criação vai nos destruir". Preste atenção aos avisos do papa:

Nossa perda da bússola moral: "Estamos vivendo um momento de crise; o vemos no meio ambiente, mas principalmente o vemos no homem. O ser humano está em jogo: aqui está a urgência da ecologia humana! E o perigo é grave porque a causa do problema não é superficial, mas profunda: não é apenas uma questão de economia, mas de ética".

Acelerado colapso ambiental: A "ameaça para a paz surge da exploração gananciosa dos recursos ambientais. A monopolização de terras, o desmatamento, a apropriação da água, inadequados agrotóxicos são alguns dos males que tiram o homem da terra de seu nascimento. As alterações climáticas, a perda de biodiversidade e o desmatamento já estão mostrando seus efeitos devastadores nos grandes cataclismos que testemunhamos".

Exploração de recursos naturais: "O Gênesis nos diz que Deus criou o homem e a mulher, confiando-lhes a tarefa de habitar a terra e dominá-la, o que não significa explorá-la, mas nutri-la e protegê-la, cuidá-la com o uso do seu trabalho".

Falha em respeitar a natureza: "Essa tarefa, que nos foi confiada por Deus, o Criador, nos obriga a compreender o ritmo e a lógica da Criação. Mas muitas vezes somos impelidos pelo orgulho de dominação, de posse, de manipulação, de exploração; nós não nos importamos com a Criação, nós não a respeitamos".

Ricos e pobres são responsáveis: "Fortalecer e cuidar da Criação é um comando que Deus dá não só no início da história, mas para cada um de nós. É parte de seu plano; isso significa fazer com que o mundo cresça com responsabilidade, transformando-o de modo que ele possa ser um jardim, um lugar habitável para todos". Todos.

O dinheiro passa por cima da moralidade: Sem um código moral "já não é o homem que comanda, mas o dinheiro. É o dinheiro vivo que comanda. A ganância é a motivação ... Um sistema econômico centrado no deus do dinheiro precisa saquear a natureza para sustentar o ritmo frenético de consumo que lhe é inerente". Em vez disso, o papa pede um "novo e radical sistema financeiro e econômico para evitar a desigualdade humana e a devastação ecológica".

Nós adoramos o dinheiro. "Criamos novos ídolos. A adoração do bezerro de ouro antigo voltou em um novo e cruel disfarce através da idolatria do dinheiro". O Papa Francisco adverte que "a economia 'trickle-down' é uma teoria falida"... não podemos confiar na "mão invisível" do capitalismo ... o "consumismo excessivo está matando a nossa cultura, os valores e a ética" ... e "o ideal conservador do individualismo está minando o bem comum".

O capitalismo está matando o Planeta Terra: O Papa Francisco avisa que o capitalismo é a "raíz" de todos os problemas do mundo: "Enquanto os problemas dos pobres não são radicalmente resolvidos, rejeitando a autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira e atacando as causas estruturais da desigualdade, não será possível encontrar uma solução para os problemas do mundo, ou, nesse sentido, para todos os problemas", já que os danos ambientais atingem mais o mundo dos pobres.

A revolução está vindo: o papa está empenhado em mudar o mundo de forma rápida

Imaginem o Papa Francisco abordando o Congresso hostil do GOP. O jornal The Guardian minimizou a animosidade de seus inimigos no GOP, petrolíferas internacionais, os negadores do clima e os governadores conservadores em sua manchete: "Edital do Papa Francisco sobre as alterações climáticas irá enfurecer os negadores e as Igrejas dos Estados Unidos".

Enfurecer? Muito mais. O papa está incentivando uma rebelião aberta contra esses inimigos. Mas, sendo realista, ele sabe muito bem que não há chance de mudar as mentes dos políticos da direita como McConnell, Boehner, Inhofe, Ryan e outros republicanos que negam a ciência climática, altamente dependentes de doações políticas de combustível fóssil. Então, vai ser interessante vê-los se contorcendo, fingindo aplaudir ou apenas se sentando estoicamente, como fizeram antes, quando o presidente Obama falou em uma sessão conjunta. Mas ele está colocando claramente as bases para uma revolução econômica global, e seus inimigos sabem disso.

Ainda mais interessante vai ser observar o efeito cascata da "encíclica sobre as mudanças climáticas" depois que o Papa Francisco falar à Assembleia Geral da ONU ... depois que a Conferência de Paris anunciar um novo tratado internacional aprovado pela China e centenas de nações em todo o planeta ... após a mensagem do papa ser traduzida para mais de mil línguas ... e transmitida para sete bilhões em todo o mundo, milhares de milhões que já estão enfrentando de forma direta a mudança climática e os "males que tiram o homem da terra de seu nascimento".

Dado o longo alcance de sua encíclica, a revolução do Papa Francisco vai acelerar. Então é melhor que os 169 negadores do clima do GOP, do petrolíferas internacionais, do Império Koch e todos os conservadores de direita estejam preparados para uma reação poderosa em um futuro próximo. O grito de guerra do Papa Francisco em 2015 é para uma revolução global, uma convocação para que bilhões de pessoas tenham de volta o seu planeta roubado por uma indústria de combustíveis fósseis que não tem bússola moral e é autodestrutiva.

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