Membros da comissão antiabuso do Vaticano esperam encontrar-se com Francisco para falar sobre bispo chileno

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13 Abril 2015

Os membros da comissão do Vaticano que aconselha o Papa Francisco sobre o tema do abuso sexual do clero têm uma visita não programada a Roma no domingo, com alguma esperança de contar pessoalmente ao papa as suas preocupações sobre a sua nomeação de um bispo chileno acusado de encobrir abusos.

Quatro membros da comissão vão encontrar-se com o cardeal Sean O'Malley, de Boston, chefe da comissão do Vaticano e também membro do Conselho dos Cardeais.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada no sítio National Catholic Reporter, 10-04-2015. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

Numa entrevista exclusiva com o NCR, na sexta-feira à noite, Peter Saunders, um dos integrantes da comissão, disse que ele e o resto do grupo iriam se reunir com O'Malley para uma refeição no hotel do Vaticano, local onde Francisco mora. É lá que eles estão esperando encontrar também com o papa.

Segundo Saunders, os membros estão fazendo a viagem "para ter uma conversa muito, muito urgente e importante com o cardeal O'Malley".

"Eu estou esperando que Francisco vá estar lá também, porque nós vamos nos encontrar com O'Malley no Domus Santa Marta sobre essa situação do bispo chileno, que é realmente muito preocupante", disse Saunders, membro da Pontifícia Comissão de Proteção de Menores.

Marie Collins, outro membro da comissão que está fazendo a visita, disse no sábado que ela e o grupo como um todo não tem expectativa de encontrar-se com o papa, mas está viajando especificamente para falar com O'Malley.

O cardeal de Boston estará em Roma na próxima semana para uma reunião do Conselho de Cardeais, o grupo de prelados que aconselham o Papa Francisco sobre como reformar a burocracia do Vaticano.

Saunders e as outras vítimas querem expressar a sua preocupação com a nomeação papal do bispo Juan Barros Madrid, que foi instalado no mês passado como chefe da Igreja na diocese de Osorno, Chile, em meio a protestos na catedral.

As vítimas chilenas acusam Barros, a quem o Papa Francisco nomeou em janeiro, de encobrir abusos feitos pelo padre Fernando Karadima. Os sobreviventes dizem que como sacerdote, Barros não só trabalhou para encobrir os crimes de Karadima, mas testemunhou alguns deles na época em que aconteceram.

Em 2011, o Vaticano declarou Karadima, um líder espiritual renomado e figura-chave da Igreja chilena, culpado de abusos sexuais a menores.

Saunders disse que Barros "não deve ser responsável por uma diocese onde ele será responsável por jovens. É um ultraje".

"Eu, pessoalmente, acho que o homem deve ser removido de sua posição de bispo, porque ele tem uma história muito, muito duvidosa - corroborada por mais de uma pessoa", disse Saunders, que também é o fundador da Associação Nacional para as pessoas abusadas na infância, com sede no Reino Unido.

"Esse é um cenário bem conhecido de intimidação e abuso que se prolongou por um longo tempo", continuou ele. "E tal homem ainda está em uma posição de poder, e esse não deveria ser o caso".

Marcando uma reação rara à crítica pública contra a nomeação de um bispo, a assessoria de imprensa do Vaticano divulgou um comunicado de poucas palavras no dia 31 de março, em três línguas diferentes, defendendo a nomeação de Barros.

"A Congregação para os Bispos examinou cuidadosamente a candidatura do prelado e não encontrou razões objetivas para impedir a sua nomeação", dizia a declaração, feita em nome do vice-diretor da assessoria de imprensa, o padre passionista Ciro Benedettini.

Collins disse no sábado que ela e os outros membros não tem expectativa de encontrar-se com Francisco no domingo.

"Nós estamos indo para falar com o cardeal O'Malley e essa é a nossa intenção", disse Collins. "Nós não temos nenhuma expectativa de reunir-se com o papa e nós não pedimos uma reunião com o papa".

"Esperamos que O'Malley vá transmitir as nossas preocupações", disse ela.

Saunders e Collins são dois dos 17 membros da comissão anti-abuso do Vaticano, anunciada em dezembro de 2013, mas que se reuniu pela primeira vez em sua totalidade, em Roma, em fevereiro.

"O papa não pode dizer uma coisa e depois fazer outra", disse Saunders na sexta-feira. "Nenhum de nós pode".

"Se ele diz que os bispos devem ser responsáveis ​​e que serão responsabilizados, se há tolerância zero para qualquer um dentro das fileiras da Igreja que seja um abusador, então essa pessoa está fora - dessa forma, ele tem que manter o prometido", continuou ele.

"Eu preciso de uma explicação de por que essas coisas não estão acontecendo. Caso contrário, eu não consigo ver qualquer ponto de eu estar na comissão", disse Saunders. "Eu tenho certeza que os outros pensam do mesmo jeito".

O sobrevivente britânico também disse que escreveu uma carta para Francisco sobre suas observações em fevereiro que pareciam justificar dar palmadas em crianças.

"Deveríamos estar encorajando os pais a amarem seus filhos, não para bater nelas, porque a violência só já gera violência", disse Saunders. "Isso ensina à criança que, se você não receber o que está pedindo, você bate".

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