Papa: certas vezes me censuram, para mim vida religiosa é mais um purgatório do que o céu na terra

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13 Abril 2015

“Encontrei outro amor, não é contra Deus, mas não posso continuar”. Esta frase que os responsáveis dos institutos religiosos ouvem dizer com bastante frequência, repetiu-a hoje o Papa Francisco no discurso a 1400 formadores de institutos masculinos e femininos, reunidos no Vaticano por ocasião do Ano da Vida Consagrada.

Francisco solicitou-lhes que acolham com simpatia e compreensão a eventual renúncia dos jovens que haviam empreendido um caminho vocacional ou mesmo já a vida religiosa. Também os insucessos, explicou Francisco, “podem favorecer o caminho de formação contínua (de si mesmos) que serve aos formadores”.

“Como se acompanha a entrada – acrescentou – devemos acompanhar a saída, porque ele ou ela encontre o caminho da vida com a ajuda necessária, e não com esta defesa “do ficar dentro do Instituto a todo o custo, que para o Papa “é pão para hoje e fome para amanhã”, enquanto prenunciadora de problemas futuros bastante graves.

Ante os insucessos, disse o Papa aos formadores, “às vezes podereis ter a sensação que o vosso trabalho não seja bastante apreciado”.

A reportagem é de Salvatore Izzo, publicada por AGI, 11-04-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

Sabeis que Jesus vos segue com bastante amor, e a Igreja toda vos é grata”.

De fato, continuou, “o discernimento vocacional é importante: todas as pessoas que conhecem a personalidade humana, sejam psicólogos, padres espirituais ou madres espirituais, nos dizem que os jovens que inconscientemente sentem ter algo de desequilibrado, ou qualquer problema de desequilíbrio ou de desvio, inconscientemente procuram estruturas fortes que os protejam, para se protegerem”.

“E o discernimento – disse o Pontífice – é saber dizer não. Mas não mandar embora, não!” Segundo Francisco, “a formação inicial é somente o primeiro passo de um processo destinado a durar toda a vida, e o jovem é formado à liberdade humilde e inteligente de se deixar educar por Deus Pai em cada dia da vida, em toda idade, na missão como na fraternidade, na ação como na contemplação”.

“Nesta missão – acrescentou – não são poupados nem tempo nem energias. E não é preciso desencorajar-se quando os resultados não correspondem às expectativas”.

“Também o Papa é censurado!”. Francisco pronuncia estas palavras e depois levanta os olhos do papel com o discurso que está lendo, endereçado aos formadores dos institutos religiosos, e explica: “aqui eu havia colocado que alguns dizem que a vida consagrada é o Céu na Terra, não, se muito é o Purgatório”. E sorri, porque no texto datilografado que tem em mãos aquela fase um pouco provocadora no final desapareceu.

“Não é verdade que os jovens de hoje sejam medíocres e não generosos; mas têm necessidade de experimentar que se é mais bem-aventurado no dar do que no receber!”.

O Papa o afirmou no discurso a 1400 religiosos de todo o mundo, que desenvolvem o papel de formadores e formadoras nos seus institutos. “Os jovens têm o faro para descobrir a autenticidade e isto faz bem”, disse ainda o Pontífice aos participantes na reunião com os formadores promovido pela Congregação para os religiosos e os institutos seculares por ocasião do Ano da Vida Consagrada que está em curso.

“Uma das qualidades do formador – explicou Francisco – é aquela de ter um coração grande para os jovens, para neles formar corações grandes, capazes de acolher a todos, corações ricos de misericórdia, plenos de ternura. Vós não sois somente amigos e companheiros de vida consagrada daqueles que vos são confiados, mas verdadeiros pais, verdadeiras mães, capazes de solicitar e dar-lhes o máximo”.

“Isto – acrescentou Francisco – é possível somente por meio do amor, o amor de pais e de mães. Às vezes se pode sentir este serviço como um peso, como se nos subtraísse a algo de muito importante. Mas isto é um engano, é uma tentação”.

Segundo Francisco, “é importante a missão, mas é igualmente importante formar à missão, à paixão do anúncio, do ir a qualquer lugar, em qualquer periferia, para dizer a todos o amor de Jesus Cristo, especialmente aos distantes, contá-lo aos pequenos e aos pobres, e deixar-se também evangelizar por eles”.

“Tudo isto – recomendou o Papa sempre se dirigindo aos formadores dos institutos religiosos masculinos e femininos – requer bases sólidas, uma estrutura cristã da personalidade que hoje as próprias famílias raramente sabem dar. E isto – concluiu Francisco – aumenta a vossa responsabilidade”.

O Papa Francisco prestou homenagem “às Irmãs que todos os dias se levantam para trabalhar, as Irmãs do hospital, que são doutoras em humanidade”. “Quanto devemos aprender desta consagração de anos e anos!”, exclamou interrompendo a leitura do discurso dirigido a 1400 religiosos e religiosas que estão empenhados na formação nos seus institutos.

O Papa também revelou que na Casa Santa Marta “ontem no almoço havia um grupinho de sacerdotes que celebrava o 60º aniversário de Ordenação sacerdotal” e confiou a própria admiração por “aquela sabedoria dos idosos”. “Alguns – gracejou – são um pouco..., mas a maioria dos idosos tem sabedoria”.

Francisco sublinhou a grande generosidade de tantos religiosos que servem humildemente os últimos por toda a vida. “E depois – acrescentou – morrem”. Como “as Irmãs missionárias, os consagrados missionários, que vão lá e morrem lá...”. “Olhar – sugeriu aos religiosos – os idosos! E não só olhá-los: ir encontrá-los, porque o quarto mandamento também conta na vida religiosa, com aqueles anciãos nossos”.

“Também estes, para uma instituição religiosa, são uma ‘Galiléia’, porque neles encontramos o Senhor que nos fala hoje. E quanto bem faz aos jovens mandá-los a eles, os quais se aproximem destes anciãos e anciãs consagrados, sábios: quanto bem faz!”.

“É bela – continuou o Papa Francisco – a vida consagrada, é um dos tesouros mais preciosos da Igreja, radicado na vocação batismal. E por isso é belo ser dela formadores, porque é um privilégio participar da obra do Pai que forma o coração do Filho naqueles que o Espírito Santo chamou”. “Ao ver-vos tão numerosos – disse ainda dirigido aos 1400 formadores – não se diria que haja crise vocacional!

Mas na realidade há uma indubitável diminuição quantitativa, e isto torna ainda mais urgente a tarefa da formação, uma formação que plasme realmente no coração dos jovens o coração de Jesus, até que tenham os seus sentimentos”.

“Às vezes – observou ainda o Pontífice – se pode sentir este serviço como um peso, como se nos subtraísse de algo muito importante. Mas isto é um engano, é uma tentação. É importante a missão, mas é igualmente importante formar à missão, formar à paixão do anúncio, formar àquela paixão do ir a qualquer lugar, a toda periferia, para dizer a todos o amor de Jesus Cristo, especialmente aos distantes, contá-lo aos pequenos e aos pobres, e deixar-se também evangelizar por eles. Tudo isto requer bases sólidas, uma estrutura cristã da personalidade que hoje as próprias famílias raramente sabem dar”.

“Estou convencido – concluiu – que não há crise vocacional lá onde há consagrados capazes de transmitir, com o próprio testemunho, a beleza da consagração. E o testemunho é fecundo. Se não há um testemunho, se não há coerência, não haverá vocações. E a este testemunho sois chamados. Este é o vosso ministério, a vossa missão. Não sois somente ‘mestres’; sois acima de tudo testemunhos da seqüela de Cristo”.

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