Com ajuda das Farc, Colômbia quer deixar de ser 2º maior 'campo minado' do mundo

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24 Março 2015

Mais de 11 mil pessoas foram mortas ou mutiladas por minas terrestres na Colômbia nos últimos 25 anos. Os dados do governo sugerem que só o Afeganistão tem um número mais alto de vítimas.

A reportagem é de Natalio Cosoy, publicada por BBC Brasil, 21-03-2015.

Muitos dos dispositivos foram plantados pelo maior grupo guerrilheiro do país, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), durante o conflito armado de 50 anos com o governo.

Mas agora, como parte das negociações para um processo de paz que acontecem em Cuba, as Farc concordaram em trabalhar junto com as forças de segurança colombianas para desativar as minas.

O grupo diz que irá identificar a localização das minas que plantaram para que uma unidade especializada do Exército possam removê-las.

É uma tarefa extremamente perigosa e complicada, explica o sargento Martinez Beltrán, que trabalhou com a limpeza de minas por 17 anos.

"Seu primeiro erro ao lidar com explosivos também será o seu último", diz.

Progresso lento

A unidade de quatro soldados que Beltrán comanda pode passar um dia inteiro para remover apenas uma mina -- em um dia bom, podem ser até 12.

Primeiro, eles tentam encontrar fios onde se pode tropeçar e outros possíveis mecanismos de disparo.

Em seguida, um soldado joga repetidas vezes no campo minado um peso feito de material especial resistente a explosivos. O peso está preso a uma corda de 70 metros de comprimento e, quando ele o puxa de volta, detona as minas no caminho.

Depois desse procedimento, um cachorro e seu treinador entram no campo para identificar substâncias explosivas que não podem ser encontradas pelo detector de metais.

"Não há risco para o cachorro porque conferimos antes se o local tem fios estendidos nos quais ele pode tropeçar", diz o sargento Beltran.

Por fim, dois soldados conferem o terreno com um detector de metais e o sargento detona os dispositivos que ainda não explodiram.

Caçando minas

Os soldados são bem treinados e altamente qualificados, mas localizar um campo minado no terreno diversificado da Colômbia, que vai de florestas densas a montanhas, não é fácil.

É neste ponto que a contribuição das Farc será importante, segundo o tenente-coronel David Navia, que comanda 120 soldados trabalhando na remoção das minas.

Em 2014, sua equipe desativou 28 campos minados, com 220 explosivos.

"Se (as Farc) nos derem a localização exata das minas, todo esse processo será muito mais rápido", diz.

Mas o novo plano também tem seus problemas. Muitos dos especialistas em explosivos das Farc, que sabiam onde as minas haviam sido colocadas, foram mortos em combate.

Para complicar ainda mais a questão, muitas das minas foram deslocadas pelas fortes chuvas e não estão mais onde foram colocadas originalmente.

Décadas de trabalho

O general Oscar Naranjo, ex-chefe da polícia colombiana, acredita que o país pode estar livre das minas nos próximos dez anos.

Ele foi nomeado ministro do pós-conflito no ano passado e é responsável por aconselhar o governo sobre o desarmamento e a desmobilização dos rebeldes.

Mas alguns acham que ele está sendo otimista demais e que pode ser preciso até cinco décadas para que a Colômbia possa ser considerada livre dos explosivos.

Eles usam como exemplo a Nicarágua, um país muito menor do que a Colômbia, que precisou de 20 anos para limpar seu território das minas.

Mesmo que cada um dos dispositivos plantados pelas Farc possa ser encontrado e removido, aqueles que o segundo maior grupo guerrilheiro da Colômbia plantou continuarão no solo.

O Exército de Libertação Nacional continua a lutar contra o governo e não deve revelar a localização de suas minas no futuro próximo.

E não são só os grupos de guerrilha que plantaram explosivos no país. Alguns dos principais grupos criminosos colombianos ainda usam essa estratégia para proteger seus territórios.

Além disso, remover as minas também tem um alto custo. De acordo com o diretor da ONG Campanha Colombiana contra Minas, Alvaro Jimenez Millán, o processo custará "muitos milhões de dólares".

Mesmo assim, ele se mantém otimista. "O acordo (para a remoção das minas) é o primeiro a sair da mesa (das negociações de Havana) que significará uma mudança real nas vidas das pessoas vivendo em territórios minados", diz.

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