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23 Março 2015

Aos 95 anos, faleceu neste domingo (22/03/2015), em Belo Horizonte, MG, por volta das 19h, Pe. Antônio Iasi Junior, mais conhecido como Pe. Iasi.

Nasceu no dia 05/04/20, entrou na Companhia de Jesus em 01/02/41, foi ordenado em 03/12/54, fez últimos votos em 12/09/59.

O velório será realizado nesta segunda feira, 23/03, a partir das 08h. A missa de corpo presente às 14h, e o sepultamento às 16h, no Cemitério Bosque da Esperança, Belo Horizonte – MG.

Enviado pela Companhia de Jesus para trabalhar na então Prelazia de Diamantino, em terras mato-grossenses, dirigiu-se à Estação Missionária de Barranco Vermelho, às margens do Rio Juruena, para trabalhar com os Rikbaktsa; mais tarde, em Utiariti, com os Paresi. Junto com o Pe. Adalberto Holanda Pereira, fez o contato com os índios Beiço-de-pau, no vale do Rio Arinos, realizando a transferência desses índios para o Xingu.

Padre Iasi exerceu inúmeros cargos como coordenador e assessor de diversas instituições: Setor Indígena da Prelazia de Diamantino, Secretariado Nacional de Ação Missionária da CNBB (1969-1970), Fundação Nacional do Índio (1970), Curso de Formação Missionária na Gregoriana, em Roma (1971), Conselho Indigenista Missionário (a partir de 1972).

No ano de 1980, foi preso durante o trabalho missionário realizado na Aracruz Celulose, no Estado do Espírito Santo. Após a sua libertação, retornou a Diamantino e, no decorrer dos anos de 1982 a 1985 transferiu-se para Nicarágua, a fim de realizar ação missionária com aqueles índios. Retorna a Mato Grosso em 1986.

Escreveu em muitos jornais e revistas, além de O índio: aquele que deve morrer (1973) e suas memórias referentes ao trabalho de contato com os Beiço-de-pau.

Da criação do CIMI, Egydio Schwade, companheiro do Padre Iasi, em entrevista à IHU 0n-Line, narra:

"Conheço padre Antônio Iasi Jr. desde os anos 1960 e, inclusive, morei com ele em uma aldeia dos índios Rikbaktsa , no rio Juruena, noroeste do Mato Grosso, em 1964. Ele sempre foi uma pessoa muito engajada, um padre jesuíta que desde sempre trabalhou com os índios, em aldeias.

Em 1972, nós criamos o Conselho Indigenista Missionário – Cimi e, a partir de 1973, foi criado o secretariado. Na ocasião, tornei-me o primeiro Secretário Executivo do Conselho. Logo de início percebi que um trabalho como esse, de âmbito nacional, não poderia ser realizado sozinho"

E Egydio continua:

O Padre Iasi, "foi o primeiro a fazer “balançar a ditadura militar”, porque provocava os generais a partir da questão indígena. Padre Iasi não tinha nenhum patrimônio, a única coisa que possuía era uma malinha. Se as coisas cabiam lá dentro, ele as levava. Se não cabiam, ficavam".

"Iasi foi um dos que enfrentou as barras mais pesadas, porque ele via as coisas. Nesse período de tensão com a ditadura, uma das nossas estratégias — talvez até de sobrevivência — era recorrer à imprensa, aos jornalistas, e tínhamos jornalistas de peso do nosso lado. Quando entrávamos nas cidades, éramos cercados de jornalistas — Iasi e eu principalmente —, porque sempre tínhamos o cuidado de não expor demais os leigos, que geralmente eram a parte mais frágil. Houve uma época em que a ditadura militar começou a censurar os jornais, e essas censuras atingiram a questão indígena. Mas, assim mesmo, quando não conseguiam publicar em um jornal, os jornalistas publicavam em outro".

Segundo Waldemar Bettio, que o visitava constantemente em Belo Horizonte, e que esteve com ele na manhã de ontem, domingo, Padre Iasi “despediu-se serenamente da vida e adentrou na Aldeia Definitiva, ao encontro dAquele que tanto anunciou e testemunhou nos sertões e cidades por onde andou”.

E Bettio pergunta: “Será o caso de convocar as mulheres bororos para prepararem seus escarificadores e marcarem seus corpos em sinal de pesar e luto? Será o caso de pedir aos anciãos rikbaktsa que narrem a sua vida para que Numutsa julgue se é ou não digno de entrar no ‘lugar dos bons’? Será o caso de celebrar a ressurreição daquele que deu testemunho de Jesus Cristo diante dos poderosos e em perigosas circunstâncias?”

E responde:

“De tudo isso um pouco, por certo! Sentiremos saudades, temos a certeza de que passaria pelo crivo de qualquer justiça e nossa fé o acredita na comunhão definitiva com todos os mártires e santos da caminhada. Como o trigo moído e a uva pisada parecem desaparecer mas subsistem nas novas formas, ainda melhores, de pão e vinho, assim ocorra também com o Iasi: que seja uma ausência presente a animar, revigorar e alegrar aos que ficamos!”

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