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20 Março 2015

Três bispos latino-americanos (Brasil, Peru e Guatemala), representando as 22 Conferências Episcopais da região, coordenadas pelo Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), falarão hoje perante os membros da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos), para defender a causa dos povos da Amazônia e da América Central, que enfrentam o mesmo grave desafio: a presença incontrolada de indústrias nacionais e multinacionais que exploram os recursos naturais, com consequentes, relevantes e às vezes irreversíveis danos ao habitat, ao ambiente e as próprias populações.

A reportagem é de Luis Badilla, publicada no sítio Il Sismografo, 19-03-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Hoje, em Washington, Dom Pedro Barreto, arcebispo de Huancayo (Peru), presidente do Departamento de Justiça e Solidariedade do CELAM, Dom Roque Paloschi, bispo de Roraima (Brasil) e Dom Álvaro Ramazzini, bispo de Huehuetenango (Guatemala), ilustrarão ao órgão interamericano os objetivos da Repam, Rede Pan-Amazônica, recentemente criada e apresentada numa coletiva de imprensa no Vaticano (2 de março).

No encontro com a imprensa, o cardeal Cláudio Hummes, presidente da Comissão para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), destacou no início deste mês: "Nos nove países latino-americanos, que incluem o território amazônico, a Rede quer unir os esforços da Igreja em favor da proteção responsável e sustentável de toda a região, a fim de promover o bem integral, os direitos humanos, a evangelização, o desenvolvimento cultural, social e econômico do seu povo, especialmente dos povos indígenas".

A Igreja na Amazônia, disse o purpurado, "quer 'fazer rede', para unir esforços para se encorajar reciprocamente e ter uma voz profética mais significativa em nível internacional".

O encontro, segundo uma nota do L'Osservatore Romano, foi desejada por Roma – explicou o cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, que patrocina o projeto – para testemunhar o impacto transnacional da problemática e o envolvimento de toda a Igreja, que quer dar mais visibilidade a esse modelo operativo: um modelo que poderá ser útil em diversos âmbitos fundamentais, como a justiça, a legalidade, a promoção e a proteção dos direitos humanos, o desenvolvimento inclusivo e justo, o uso responsável e solidário dos recursos naturais.

Dom Barreto lembrou, ontem, que o "espaço amazônico" do qual se fala abrange uma área de seis milhões de quilômetros quadrados e, dentro das suas fronteiras, vivem ao menos 35 milhões de latino-americanos. Nesses territórios, há muitos anos, atividades econômicas legais e não legais, como os "garimpeiros" (coletores de pedras e metais preciosos), exerceram todos os tipos de violência homicida.

Muitas vezes, agentes pastorais, sacerdotes, religiosas (como a Ir. Dorothy, trucidada em 2005) e catequistas pagaram com a própria vida, assim como muitos ativistas ambientais.

Em 2012, foram mortos no mundo 147 ativistas e 36 foram assassinados no Brasil, país onde Dom Erwin Kräutler, bispo do Xingu, ameaçado de morte várias vezes, vive sob a proteção de uma escolta especial.

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