Padre condenado por abuso sexual perde estado clerical

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13 Março 2015

Um dos primeiros sacerdotes a desencadear o escândalo de abuso sexual do clero na arquidiocese St. Paul-Minneapolis, nos Estados Unidos, foi laicizado.

A reportagem é de Brian Roewe, publicada no sítio National Catholic Reporter, 11-03-2015. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

A arquidiocese anunciou na quarta-feira à tarde que o Vaticano retirou o estado clerical de Curtis Wehmeyer. A decisão impede-o de se apresentar como sacerdote ou de exercitar o ministério sacerdotal. Além disso, ele não pode ensinar ou manter um papel de liderança em qualquer instituição católica.

Wehmeyer está cumprindo uma sentença de prisão de cinco anos. Em novembro de 2012, ele se declarou culpado de 20 acusações criminais de abuso sexual de dois menores e por possuir material pornográfico infantil; ele foi condenado em fevereiro de 2013. Ele foi acusado em novembro, no Estado de Wisconsin, por agressão sexual de segundo grau de um adolescente em relação a um acampamento de verão realizado em 2011.

Em um comunicado, o arcebispo John Nienstedt disse que Wehmeyer foi notificado da decisão, assim como todos os sacerdotes e paróquias da arquidiocese.

"Estou profundamente triste e fiquei profundamente afetado pelas histórias que continuo a ouvir de vítimas e sobreviventes de abuso sexual por parte do clero. Meu foco, e o foco da arquidiocese, é fazer tudo o que pudermos para manter as crianças seguras, oferecendo recursos para ajuda e cura", disse ele.

Wehmeyer desempenhou um papel central na erupção do escândalo de abuso nas chamadas "Twin Cities" [cidades gêmeas] no outono de 2013, como um dos muitos sacerdotes identificados pela ex-chanceler para assuntos canônicos, Jennifer Haselberger, que oferecem perigo às crianças.

Embora Wehmeyer tenha sido preso no dia 22 junho de 2012, documentos internos que foram tornados públicos por Haselberger e pela Rádio Pública de Minnesota mostraram que a arquidiocese tinha conhecimento das queixas de comportamento sexual inadequado do clero desde 2004. Haselberger afirmou que expressou suas preocupações com relação a Wehmeyer para Nienstedt e para a arquidiocese ainda em 2009, cerca de um ano depois que ela começou a atuar como chanceler.

Nos depoimentos, as autoridades da Igreja afirmaram reiteradamente que os relatórios anteriores não indicavam que o padre era um perigo para os menores. Uma avaliação de 2011, do então vigário geral, Pe. Kevin McDonough, afirmou que não havia necessidade de alertar os empregados da paróquia de alegações anteriores - entre elas, um relatório de 2004 que dizia que ele se aproximou, em uma livraria, de dois jovens (com idades entre 19 e 20 anos) para sexo, e, em 2006, foi encontrado pela polícia em uma área de um parque conhecido como um ponto de encontro sexual - porque Wehmeyer "não estava tão interessado em um encontro sexual real, mas sim na obtenção de algum estímulo ao 'brincar com fogo'. Esse tipo de comportamento não iria acontecer no local de trabalho".

Um relatório de abril de 2014, de um grupo de trabalho independente, nomeado pela arquidiocese depois da erupção do escândalo, constatou que, apesar do sacerdote ter exibido comportamentos sexuais problemáticos no passado, o seu caso nunca foi apresentado ao conselho de ética do clero, nem foi informado de que ele havia acampado com as crianças durante os verões de 2009 e 2010.

Em junho de 2012, uma mãe e um empregado da paróquia Santíssimo Sacramento, onde Wehmeyer era pároco, informaram à arquidiocese que seus dois meninos tinham acusado Wehmeyer de proporcionar-lhes álcool e tabaco e que ele os havia tocado inadequadamente.

Surgiram questões sobre quando a arquidiocese notificou a alegação à polícia. Em janeiro de 2014, considerando o caso Wehmeyer, o procurador do condado de Ramsey determinou que a arquidiocese não havia violado as leis de notificação obrigatória, que exigem que uma notificação seja apresentada no prazo de 24 horas do recebimento da denúncia.

Em um comunicado na quarta-feira, a Rede de Sobreviventes de Vítimas de Abuso Clerical (SNAP) chamou "a irresponsabilidade e a insensibilidade" da arquidiocese no caso Wehmeyer de uma postura "das mais revoltantes que vimos na última década".

"Esse passo [da remoção do estado clerical] está atrasado em uma década. Quando as autoridades da Igreja removem os sacerdotes predadores, não é tanto pela salvaguarda das crianças. É mais sobre o controle de danos da Igreja. Ainda assim, estamos gratos que Wehmeyer foi expulso do sacerdócio. Sem o colarinho romano e o respeito que o acompanha, ele vai achar que é um pouco mais difícil ganhar a confiança dos pais, ter acesso aos menores e os agredir sexualmente depois que for libertado da prisão", disse Frank Meuers do SNAP de Minnesota.

O grupo argumentou que o dever das autoridades da Igreja de proteger as comunidades dos padres abusadores não termina quando um sacerdote não é mais um sacerdote.

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