Purpurados alemães: "As declarações de Marx são conversa de bar"

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12 Março 2015

"O cardeal Marx declarou de forma lapidar: 'Não somos uma filial de Roma. Cada Conferência Episcopal é responsável pela pastoral dentro da própria esfera cultural e tem a tarefa peculiar de anunciar o Evangelho'. Como alguém que lida com ética social, o cardeal Marx entende de independência das filiais das grandes empresas. Mas, no contexto da Igreja, declarações desse tipo pertencem mais a conversas de bar."

Quem falou isso foi um cardeal da Santa Igreja Romana, Paul Josef Cordes, presidente emérito do Pontifício Conselho Cor Unum. Alemão como Marx, tomou caneta e papel e enviou ao jornal Tagespost uma longa carta, em que contesta "as declarações não confirmadas mas também não desmentidas pela Conferência Episcopal Alemã".

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada no jornal Il Foglio, 11-03-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Cordes se refere às frases do arcebispo de Munique e Freising sobre as expectativas da Igreja da Alemanha em relação ao próximo Sínodo Ordinário de outubro.

Marx tinha deixado claro que, seja qual fosse o resultado da cúpula convocada pelo papa, os bispos alemães seguiriam em frente no sentido de abrir as portas da Eucaristia aos divorciados em segunda união e de revolucionar a teologia do matrimônio: "A frase 'não podemos esperar até que um Sínodo nos diga como devemos organizar, aqui, uma pastoral sobre o matrimônio ou sobre a família' não se inspira no espírito eclesiástico da comunhão. A empolgação antirromana – acrescenta o prelado – não é uma invenção teórica, mas uma realidade com força centrífuga nas latitudes setentrionais. Para a unidade da fé, ela ainda é altamente destrutiva".

Reinhard Marx, na sua intervenção, explicara que na Alemanha se esperam resultados concretos e importantes do Sínodo: "Só isso já é surpreendente", rebate Cordes, que acrescentou: "Em uma pesquisa da Fundação Bertelsmann, constatou-se que apenas 16,2% dos católicos da Alemanha Ocidental acredita em Deus. Todos os outros equiparam Deus a uma Providência sem rosto, a um destino anônimo, a uma força primordial. Ou simplesmente o negam. Em suma, não temos nenhum motivo para nos colocarmos à mostra pela nossa fé diante das Igrejas dos outros países".

Não surpreendem – disse ainda o cardeal – "apenas os juízos de valor particulares que, dentro do mundo católico, pareceriam reservados à Igreja alemã. Irritam ainda mais as indeterminações e as declarações teológicas do presidente da Conferência Episcopal".

Mas o que Marx entende com "a competência para a pastoral dentro da própria esfera cultural?", pergunta-se Cordes. "Sobre questões como uma nova edição do Gotteslob (o livro comum de hinos e orações em uso nas dioceses católicas da língua alemã) ou sobre decisões relativas ao traçado da peregrinação a Altötting, já é reconhecida a competência da presidência da Conferência Episcopal Alemã. Parece diferente, no entanto, no que diz respeito ao debate sobre os problemas dos divorciados em segunda união. Essa matéria está ligada ao coração da teologia".

E aqui "nem mesmo um cardeal pode separar, com um movimento de mão, a pastoral da doutrina. Seria como querer se colocar além do significado vinculante da fé da palavra de Jesus e das igualmente vinculantes declarações do Concílio de Trento".

O problema, esclarece o presidente emérito do Cor Unum, "é que Marx não está sozinho. O presidente da Comissão Pastoral da Conferência, Dom Franz-Josef Bode, correu em sua ajuda com a alegação de que pastoral e doutrina devem se estimular mutuamente. Trata-se de uma visão 'de importância histórica', que ele mesmo define até como 'uma mudança de paradigma'. Ao dizer isso, ele incomoda até a constituição pastoral do Concílio, Gaudium et Spes, na qual se afirma que 'não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração (de Cristo)'. A partir dessas premissas, ele continua: 'Não só a mensagem cristã deve encontrar ressonância nas pessoas, mas as pessoas devem encontrar ressonância junto de nós. Em que relação a doutrina da Igreja ainda está hoje com a vida cotidiana das pessoas? Incluímos suficientemente na doutrina a experiência concreta das pessoas?'. Mas a tentativa de tirar conteúdos de fé da experiência de vida das pessoas não é tão nova quanto aqui se tenta fazer acreditar e não pode sequer reivindicar o termo 'mudança de paradigma'".

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