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09 Março 2015

Dez dias após a vencedora do prêmio de melhor atriz coadjuvante do Oscar 2015, Patricia Arquette, discursar em defesa da equiparação salarial para mulheres e às vésperas do Dia Internacional da Mulher, a Fundação de Economia e Estatística (FEE) apresentou ontem o retrato da participação feminina no mercado de trabalho. Os resultados, entretanto, mostram que há pouco a comemorar.

A reportagem é de Débora Ely, publicada pelo jornal Zero Hora, 05-03-2015.

Tendo como base a Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana, o estudo revelou que, em 2014, o rendimento médio das mulheres foi 24,6% inferior ao dos homens – índice praticamente estável em relação ao ano anterior, que ficou em 24,7%. A média salarial masculina foi de R$ 2.093, enquanto a feminina ficou em R$ 1.579.

Entre as causas que explicam a diferença salarial, a socióloga da FEE Miriam de Toni, coordenadora do estudo, aponta a maciça predominância de mulheres em cargos menos valorizados:

– As mulheres possuem presença maior em nichos de atividades que têm uma interface com aquelas exercidas no âmbito privado, como educação, cuidados e serviços domésticos. Esses setores são menos valorizados pela sociedade.

Pela primeira vez nos últimos 10 anos, a pesquisa mostrou queda da mulher no mercado de trabalho: uma retração de 2,1% em 2014. Mesmo com o recuo, a taxa de desemprego feminina caiu de 7,5% em 2013 para 6,6% no ano passado. A explicação está na saída de 27 mil mulheres do mercado de trabalho – número superior à queda nos postos de emprego (17 mil).

Especialistas apontam que diferença pode crescer

Na avaliação da coordenadora nacional da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese), Lúcia Garcia, o avanço econômico brasileiro nos últimos anos atenuou a desigualdade. Porém, se comprovada a expectativa do mercado para 2015, com crescimento perto de zero e alta na inflação, a população discriminada tende a sentir mais.

– Quanto mais crescimento econômico, menor a desigualdade. Isso significa que, para segmentos nitidamente discriminados, como mulheres e negros, pessoas muito jovens e pessoas mais velhas, o caos econômico é trágico. São eles os primeiros a perder a ocupação e os que acabam aceitando postos de trabalho com menor renda – avalia.

A opinião é compartilhada pelo professor de Economia da UFRGS Flavio Fligenspan. Ele explica que a desigualdade de gênero pode aumentar em 2015, devido ao cenário econômico desfavorável:

– Já temos uma questão histórica e cultural de não valorização da mulher. Quando o mercado de trabalho enfraquece, as mulheres podem sofrer mais com a redução dos salários e o desemprego.

Colaborou Fernanda da Costa

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