No México, “a impunidade é a regra”

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Por: André | 27 Fevereiro 2015

A tensão social provocada pelo desaparecimento dos 43 estudantes de Ayotzinapa recrudesceu com a morte de um professor, espancado pela polícia. Milhares de professores haviam bloqueado uma importante avenida do aeroporto de Acapulco.

 
Fonte: http://bit.ly/1wl1DWZ  

A reportagem é de Gerardo Albarrán de Alba e publicada no jornal argentino Página/12, 26-02-2015. A tradução é de André Langer.

Quando o Papa Francisco deixou por escrito o seu desejo de que na Argentina ainda esteja a tempo de evitar “a mexicanização”, diante do crescimento do narcotráfico em seu país de origem, argumentou em base às conversas tidas com vários bispos mexicanos que lhe deixaram claro que, aqui, “a coisa é de terror”. Apesar dos imediatos protestos do governo priista de Enrique Peña Nieto, o Pontífice argentino não estava exagerando: os desaparecimentos forçados, as execuções extrajudiciais, a tortura e – sobretudo – a impunidade são a regra no México, de acordo com o último relatório de direitos humanos da Anistia Internacional.

Pior ainda, um grande número de abusos e crimes é atribuído a elementos do Exército e da Marinha. “A situação piorou no último ano”, disse a Anistia Internacional, que expôs como casos emblemáticos a execução extrajudicial de 15 pessoas pelo Exército, em 30 de junho passado, em Tlatlaya, Estado do México, assim como o desaparecimento forçado de 43 estudantes normalistas de Ayotzinapa, Guerrero.

Os números que a Administração de Peña Nieto ostenta não coincidem com os registros feitos pelos organismos internacionais como a Anistia Internacional. Oficialmente, em 2014 houve 15.646 homicídios dolosos em todo o país, mas o relatório de direitos humanos da Anistia Internacional relata 24.746 assassinatos somente entre janeiro e setembro do mesmo ano.

Em alguns casos, as próprias estatísticas oficiais desmentem o otimismo de Peña Nieto. Somente nesta quarta-feira se soube que em janeiro foi registrado um sequestro a cada quatro horas e meia, ou seja, um total de 163 casos no país; quase a terça parte deles (52) ocorreu no Estado do México, o Estado governado por Peña Nieto antes de ser candidato a presidente do México.

No México, há 23.272 pessoas desaparecidas desde 2007; 9.384 dos casos ocorreram nos últimos 22 meses. Ou seja, um de cada quatro desaparecimentos em pouco mais de sete anos desde que iniciou o governo priista de Peña Nieto. Comparativamente, a situação não apenas não melhorou, como atinge níveis alarmantes: enquanto que na administração do direitista Felipe Calderón, que desatou a violência em todo o país, desapareceu uma média de seis mexicanos a cada dia entre dezembro de 2006 e dezembro de 2012, na de Peña Nieto o número dispara para mais do dobro: uma média de 13 pessoas desaparecidas todos os dias desde que assumiu a presidência em 1º de janeiro de 2012, segundo o Registro Nacional de Dados de Pessoas Extraviadas ou Desaparecidas.

Exatamente a tensão social provocada pelo desaparecimento forçado de 43 estudantes normalistas de Ayotzinapa, Guerrero, aumentou na noite de terça-feira, depois de um enfrentamento entre policiais federais e professores locais que haviam bloqueado o Boulevard das Nações, uma das principais avenidas do aeroporto de Acapulco. Os policiais atacaram indiscriminadamente os professores e feriram cerca de 20 docentes, que tiveram que ser hospitalizados. Entre eles estava Claudio Castillo Peña, de 65 anos e já aposentado, que sofria de poliomielite. Morreu na madrugada da quarta-feira em decorrência de traumatismo craniano. Assim que a notícia foi divulgada, a política libertou 99 dos 112 professores que estavam presos.

A impunidade assinalada no relatório de direitos humanos da Anistia Internacional é ilustrada também com o caso de Ayotzinapa. A Anistia Internacional queixou-se de que a investigação da Procuradoria Geral da República não faz constar a provável responsabilidade de agentes públicos estaduais ou federais.

De fato, apenas na terça-feira passada um juiz federal iniciou o processo penal contra o ex-prefeito de Iguala, José Luis Abarca, e contra outros 44 suspeitos (quase todos policiais municipais) pelo sequestro dos 43 estudantes normalistas de Ayotzinapa, ocorrido já há cinco meses, embora não tenha sido tipificado como desaparecimento forçado. Abarca foi preso no dia 05 de novembro passado e processado 10 dias depois por um caso não relacionado com o desaparecimento dos estudantes: o assassinato de Justino Carbajal Salgado e o sequestro de Nicolás Mendoza Villa, Héctor Arroyo Delgado, Efraín Amates Luna e Dante Cervantes Delgado, todos eles ativistas.

Na terça-feira ainda, o prefeito de Cocula, César Miguel Peñaloza Santana, entrou com um recurso para não ser preso como possível resultado da investigação da Procuradoria Geral da República por sua participação no ataque de 26 de setembro contra os estudantes de Ayotzinapa, no qual seis deles morreram, 25 foram feridos e desde então 43 estão desaparecidos, o que representa “um dos maiores desafios” enfrentados pelo México, segundo Christoph Strässer, comissionado do governo alemão para direitos humanos, que, na quarta-feira, visitou a Escola Normal Rural Raúl Isidro Burgos de Ayotzinapa e reuniu-se com os pais dos 43 estudantes desaparecidos.

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