Quando o ''novo cardeal'' Bergoglio reaproveitou a batina do seu antecessor

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23 Fevereiro 2015

Dom Jorge Mario Bergoglio, o atual Papa Francisco, que no próximo sábado recorda os 14 anos da sua púrpura cardinalícia, foi promovido por São João Paulo II a arcebispo coadjutor de Buenos Aires, no dia 3 de junho de 1997. 

A reportagem é de Luis Badilla, publicada no sítio Il Sismografo, 19-02-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Sete meses mais tarde, depois da morte do cardeal Antonio Quarracino, arcebispo da capital argentina, Dom Bergoglio – no dia 28 de fevereiro de 1998 – tornou-se arcebispo titular de Buenos Aires, primaz da Argentina, ordinário para os fiéis de rito oriental residentes no país e grão-chanceler da Universidade Católica.

A primeira e única reação do futuro cardeal Bergoglio, no dia 21 de janeiro de 2001, depois do anúncio do Papa Wojtyla da criação de 42 novos purpurados, lista em que aparecia o seu nome, foi um breve comunicado do arcebispado: "Ser cardeal – dizia a nota – é uma maior proximidade ao papa e uma colaboração com o Sumo Pontífice no serviço à Igreja Universal. É o papa quem decide, e, neste caso, estou absolutamente certo de que se trata de uma especial consideração e afeto pela sede de Buenos Aires. Todos os fiéis desta cidade estão sob o olhar do Santo Padre, e, como esta é a cidade capital do país, é um olhar que se estende a todos os argentinos. João Paulo II quer muito bem à Argentina. Ainda me lembro da sua voz vibrante e do seu encorajamento durante a sua visita (ao país): 'Argentina, levanta-te!. O papa acompanha de perto os problemas da nossa pátria com coração paterno".

Depois, Jorge Mario Bergoglio acentuou ainda mais a sua conhecida reserva e discrição. Não concedeu nenhuma entrevista e não aceitou festividades e eventos comemorativos, nem mesmo no seu retorno depois de ter recebido o barrete e o anel cardinalício. Ele continuou o seu trabalho pastoral como todos os dias, sem mudar uma única linha da sua lotada agenda de compromissos.

O futuro cardeal nem sequer quis comprar os hábitos cardinalícios e fez com que adaptassem ao seu tamanho os do seu antecessor, o cardeal Quarracino, bastante robusto. A um grupo de fiéis que anunciaram a sua intenção de acompanhá-lo a Roma para o consistório do dia 21 de fevereiro de 2011, Dom Bergoglio pediu encarecidamente que não o fizessem e destinassem o dinheiro a obras de assistência aos mais necessitados.

Jorge Mario Bergoglio, em 2001, era uma figura eclesiástica argentina e latino-americana de grande prestígio e importância. Talvez, um pouco menos no âmbito internacional, embora ele fosse muito conhecido nas esferas eclesiais. Além da sua discrição, muitas vezes se falava da sua singular capacidade de combinar uma severidade terna com uma humanidade e participação pouco comuns.

Também se lembrava muitas vezes a sua proximidade total e contínua ao seu clero e, a esse respeito, hoje, conhecem-se os seus comportamentos mais únicos do que raros, como, por exemplo, assistir, mesmo à noite, sacerdotes doentes ou moribundos.

Mesmo depois da "nomeação" cardinalícia, Jorge Mario Bergoglio continuou fazendo o que sempre fazia. O seu jornaleiro – Luis Del Regno – lembra que, todas as manhãs, de segunda a sábado, ele jogava por cima do portão da casa de Jorge Mario Bergoglio, dentro de um envelope de plástico – amarrado com um grande elástico – os principais jornais e revistas.

"A cada fim de mês, o cardeal passava para pagar e me devolvia os 30 elásticos", acrescenta Del Regno e especifica: "No domingo, não havia entrega dos jornais, porque ele passava pontualmente às 5h30 da manhã, conversava comigo por uns 10 minutos e, depois, tomava o ônibus 28 para ir até Lugano, onde dava o mate cocido às crianças doentes".

No dia 18 de março de 2013, de Santa Marta, o Papa Francisco fez um telefonema para Luis Del United, mas o jornaleiro estava ausente e, por isso, falou com o filho Luis, que não acreditou na pessoa que dizia ser o "cardeal Jorge", convencido de que fosse uma piada de um amigo.

"Vamos, Luis, é sério. Sou Jorge Bergoglio e estou te telefonando de Roma", foi o que o filho do jornaleiro ouviu. Depois, acrescentou: "Ele perguntou de nós, dos membros da família, especialmente do pai. Pediu para que eu rezasse por ele e, no fim, me disse para suspender a entrega dos jornais, porque... você sabe o que aconteceu...".

Foto: AFP/El Universal

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