Oscar Romero, martírio e ecumenismo

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02 Fevereiro 2015

Joseph A. Komonchak, importante historiador norte-americano, em artigo publicado por Commonweal, 29-01-2015, comenta o discurso de Rowan Williams, ex-arcebispo de Canterbury, intitulado "Um santo para todo o povo de Deus: Oscar Romero e o futuro ecumênico". A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Amplos extratos do discurso de Rowan Williams podem ser lidos aqui.

Eis o artigo.


O Papa Francisco, logo no início de seu pontificado, retomou a causa para a canonização de Dom Oscar Romero, e informou-se recentemente que os teólogos na Congregação para a Doutrina da Fé – CDF concluíram, por unanimidade, que ele fosse reconhecido corretamente como um mártir.

Na Inglaterra, a organização Romero Trust tem um sítio eletrônico dedicado ao arcebispo, fornecendo traduções inglesas de suas homilias, cartas pastorais e outros trabalhos, produzindo um boletim informativo semestral e patrocinando uma palestra sobre o religioso.

O palestrante de 2013 foi o Timothy Radcliffe, O.P., e em dezembro passado o ex-arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, proferiu sua palestra sob o título “Um santo para todo o povo de Deus: Oscar Romero e o futuro ecumênico”.

Ao falar Dom Oscar Romero como “um dos grandes presentes de Deus para todo o seu povo nas últimas décadas; um presente cujo testemunho e ensinamento é um legado para os cristãos de todos os lugares”, Williams apresentou uma descrição da paixão pelos pobres que levou Romero a se perguntar sobre o que sua vida – e morte – teriam a dizer a respeito do futuro do ecumenismo. Isto me fez recordar o “ecumenismo do martírio” do qual o Papa Francisco recentemente falou e que foi tema frequente do Papa João Paulo II antes dele, em particular na encíclica “Ut unum sint”.

Eis alguns excertos da palestra de Rowan Williams:

Ele faz um questionamento profundamente inquietante e desafiador sobre o ecumenismo:

"Podemos considerar a nossa visão de unidade no contexto de estarmos unidos com Cristo tal como ele a compreende? Procuramos não só a unidade das igrejas, uma espécie de fusão dos vários tipos de vida institucional, ou unidade com Cristo?

A visão ecumênica parece destacadamente diferente se começamos dizendo que aquilo pelo que rezamos e esperamos é estar unidos com Jesus Cristo. E se, através disso, estivermos unidos uns com os outros, e unidos com Cristo na sua proclamação e na concretização da boa notícia para os pobres. É claro, podemos compreender erroneamente isto. Podemos pensar, por exemplo, que o ecumenismo, entendido assim, significa que as Igreja devam se reunir em torno de projetos sociais e políticos, em vez de fórmulas doutrinais. Mas isto seria apenas substituir um tipo de formalidade por outro. (...)

(...) Considero o Romero não só como um mestre e um mártir que testemunha a justiça junto aos pobres, mas como um mestre que tem algo fundamental, vital para nós sobre o que e quem somos enquanto Igreja, enquanto igrejas que buscam estar mais unidas. E a interrogação que ele nos põe é: se estaremos verdadeiramente unidos quando estivermos mais profundamente unidos com Cristo, então há um lugar simples para começarmos a nossa caminhada em direção à unidade, e este é aprender a estar unidos com o grito, a necessidade e a pauta daqueles que estão em risco, e onde for o caso de irmos e partilharmos deste risco.

Nada disso sugere que simplesmente desmantelemos todos os nossos interesses e inquietações relativos à doutrina, ao sacramento, à disciplina, e que saiamos por aí buscando boas causas para apoiarmos juntos. Pois, como vemos, nada disso faria sentido, a menos que os nossos compromissos doutrinais e sacramentais fossem o que são. O Cristo que está aí, com e entre os pobres, não é apenas um mestre humano impressionante, mas o Filho de Deus incarnado, o Senhor Todo-Poderoso, revestindo-se em nossa pobreza, de forma que possamos nos revestir com a riqueza divina. Se não acreditamos nisso, nada daquelas ideias de estarmos unidos com ele entre os pobres fará sentido. E se Jesus Cristo fosse apenas um grande, interessante e bom homem, então a Eucaristia não teria significado, exceto como uma comemoração levemente melancólica de uma das inumeráveis tragédias da história, onde os grandes e impressionantes homens tendem a ser mortos desagradavelmente.

A Eucaristia, como o lugar onde a vida do Filho de Deus incarnado nos é dada, é o lugar onde a nossa responsabilidade de uns para com os outros se renova e aprofunda; é onde se estabelecem novas bases. Isto, novamente, é o que dá sentido aos compromissos que assumimos no mundo. Estes são a base de toda a visão, e, em termos teológicos, eles importam precisamente porque são as bases e inspiração da visão de solidariedade para com os pobres".

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