Os curdos comemoram a libertação de Kobane

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Por: Jonas | 30 Janeiro 2015

Já se passaram 134 dias desde o começo da batalha de Kobane, uma cidade estratégica situada na região Autônoma de Rojava (no Curdistão sirito), fronteira com a Turquia. Após uma feroz e perseverante autodefesa, na última segunda-feira, as unidades do Exército Islâmico abandonaram derrotadas o centro urbano de Kobane, e o que aparentemente deveria ter sido um passeio militar para o arrogante e “invencível” ISIS, tornou-se finalmente um fracasso, deixando evidente ao mesmo tempo a inconsistência da suposta “aliança internacional” que diz combatê-los.

A reportagem é de José Miguel Arrugaeta e Orsola Casagrande, publicada por Rebelión, 29-01-2015. A tradução é do Cepat.

Crônica de uma libertação, com muitas consequências

As milícias populares, YPG (Unidades de defesa do povo) e as YPJ (unidades de defesa das mulheres) retomaram, na segunda-feira, 26 de janeiro, vários bairros da cidade de maneira consecutiva, após ter rechaçado as últimas tentativas das forças do ISIS na zona central da cidade. No dia anterior, pela manhã, os milicianos ocuparam o emblemático bairro Kanya Kurda, uma vitória também simbólica e moral, pois foi precisamente na grande colina que domina este bairro que foi içada a bandeira negra do Estado Islâmico, nos primeiros dias de assalto, fato que todos puderam ver ao vivo pela televisão, quando a queda de Kobane nas mãos do ISIS parecia “iminente e irremediável”.

Após a tomada do bairro Kanya Kurda, as unidades de autodefesa foram reconquistando progressivamente o controle de Qesra Bozan Beg e, posteriormente, do distrito de Miktel. Os combates mais duros ocorreram no dia anterior, na zona leste da cidade, nos quais morreram pelo menos 41 militantes do ISIS, segundo informações proporcionadas pelo comandante das YPG, Mazlum Kobane. Este mesmo chefe militar destacava que os militantes em retirada do ISIS estavam se refugiando em território turco, mais uma mostra da cumplicidade do Governo turco com o Estado Islâmico.

Na noite passada, as Unidades de Defesa do Povo (YPG) divulgaram um comunicado destacando que “a vitória em Kobane também será de grande estímulo para outras vitórias. Podemos dizer que em Kobane se comemorou o início do fim do ISIS”. Um anúncio que, sem dúvidas, será necessário analisar nestes dias, pois a libertação de Kobane pode ser, efetivamente, o início de uma mudança na correlação de forças na região do Oriente Médio.

Mensagens das frentes

No momento, o que prevalece no ambiente é a alegria.

Da cidade recém-libertada, o jornalista Sedat Sur transmite ao vivo, pelo nosso Skype, que “a emoção e felicidade são incontroláveis, todos os milicianos estão comemorando”. Do mesmo centro da cidade, conta que os milicianos estão nas ruas e assinala que “é preciso ser muito cuidadoso, porque ainda estamos em perigo. De fato, nesta noite, como sempre, a guarda e a vigilância serão altíssimas”.

As mensagens se acumulam sem parar no computador, são as palavras desses heróis comuns e correntes em que se converteram os milicianos e milicianas das forças de defesa (YPG e YPJ), que eufóricos pelo final da batalha nos enviam um comentário, uma frase para compartilhar seus sentimentos... “Essa vitória é para todos os milicianos que caíram na luta pela libertação de nossa cidade”, escreve Roserin. Sehit acrescenta que “para a nossa cidade, ao nosso povo, ao mundo, fizemos uma promessa: expulsar o ISIS de Kobane. E, hoje, nós a cumprimos. Hoje Kobane é livre e o ISIS nunca mais entrará aqui”.

O poder das novas tecnologias foi colocado, nesta jornada, em favor das pessoas. Não podemos ver os rostos dos amigos e amigas com os quais, nesses meses, estivemos em precário contato, após o início do ataque de ISIS, mas é fácil sentir sua felicidade. “Queremos agradecer a todos os que nos animaram e apoiaram nesses longos, longuíssimos 134 dias”, escreve Heval. “Essa vitória não é apenas de e para as pessoas de Kobane, mas também para toda a humanidade”. Barzan se soma à satisfação por este dia memorável: “quero dizer que, hoje, o mundo todo é um pouquinho mais livre”.

Os curdos cantam e dançam pela vitória, mas a guerra continua presente

São apenas algumas demonstrações do ambiente na frente de Kobane, uma festa e alegria que chegou imediatamente aos assentamentos da numerosa população local refugiada e deslocada na Turquia, em todo o Curdistão turco e em Rojava. Assim que conheceram a notícia da libertação de Kobane, milhares de pessoas ocuparam as ruas de Diyarbakir (Amed), “capital” do Curdistão turco, para comemorar a vitória em frente à sede do BDP (Partido da Paz e Democracia), o mesmo ocorreu em Urfa, Mardin, Cizre. Igualmente em Ancara e Istambul, onde os residentes curdos e a esquerda turca comemoraram a notícia nas ruas, o mesmo aconteceu em outras duas regiões de Rojava (Afrin e Cezire), apesar de que a situação em seus territórios continua sendo de guerra. Os fogos artificiais, cantos e danças que tomam conta do Curdistão nestes momentos são também uma homenagem ao sacrifício dos inúmeros milicianos que morreram defendendo sua cidade de Kobane.

Por telefone, Asya Abdullah, co-presidente do PYD (Partido Democrático do Curdistão), destaca em meio da alegria que “esta noite voltará a ser uma noite de alerta. Kobane hoje é uma cidade livre, mas não esqueçamos que as forças do ISIS continuam se organizando fora. A luta continua porque outras regiões ao redor de Kobane ainda não são livres”. Suas palavras são a lembrança de que ainda faltam batalhas para a libertação e que a guerra continua.

Turquia no foco

Em meio à alegria curda, o Governo turco encarregou seu vice-primeiro-ministro, Bulent Arinç, da desagradável tarefa de mostrar a cara, e suas cínicas palavras não deixam de ser surpreendentes: “O apoio proporcionado pela Turquia a Kobane não pode ser esquecido”, afirmou diante de uma audiência de atônitos jornalistas que até agora só puderam constatar este “apoio” na cobertura que a Turquia oferece ao ISIS (incluindo o acolhimento dos combatentes islâmicos, que hoje fogem de Kobane), na repressão contra os refugiados e a população que precisou deixar Kobane, na obstinação em rejeitar abrir um corredor humanitário para a cidade ou em sua permanente vigilância para evitar a incorporação de voluntários nas autodefesas de Rojava. Um curioso “apoio”, sem dúvida.

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