Francisco pede pela proteção da liberdade religiosa

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15 Janeiro 2015

Ao canonizar o primeiro santo católico do Sri Lanka numa missa a céu aberto na quarta-feira, o Papa Francisco fez um pedido à proteção do que chamou de o “direito humano fundamental” à liberdade religiosa.

A Igreja, disse o pontífice, “não faz distinção de raça, credo, tribo, condição social ou religião no serviço que ela proporciona através de suas escolas, hospitais, clínicas e muitas outras obras de caridade”.

“Tudo o que ela pede em toca é a liberdade de exercer a sua missão”, continuou.

“A liberdade religiosa é um direito humano fundamental”, disse Francisco. “Cada indivíduo deve ser livre de procurar, sozinho ou associado com outros, a verdade, livre de expressar abertamente as suas convicções religiosas, livre de intimidações e constrições externas”.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 13-01-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Francisco fez estes comentários durante uma homilia, na quarta-feira, na missa em que canonizou o Pe. José Vaz, missionário indiano do século XVII de descendência portuguesa.

O pontífice irá passar dois dias e meio no Sri Lanka, ilha localizada ao sul da Índia.

A visita, que começou terça-feira – apenas cinco dias depois de uma acirrada eleição presidencial no país –, foi marcada até o momento pelos vários pedidos de paz e reconciliação entre os dois principais grupos étnicos que se enfrentaram no Sri Lanka nos anos de 1983 a 2009, quando ocorreu uma sangrenta guerra civil. Estima-se que o conflito tenha tirado 100 mil vidas.

A mensagem do Papa Francisco está aparentemente sendo recebida de ouvidos abertos. Entre as cerca de 500 mil pessoas que se reuniram numa área ao ar livre, às margens do Mar Lacadive para celebrar a missa com o pontífice na quarta-feira estava o Procurador de Justiça do país, Mohan Peiris.

Católico que tem trabalhado como o procurador geral do Sri Lanka, Peiris disse que o pontífice “tem dado apoio para todo o nosso programa de reconciliação pós-conflito”.

“Penso que esta visita do Papa Francisco seja um grande momento para realizarmos o objetivo da paz, da verdadeira paz – com a reconciliação entre o nosso povo, com respeito às diferenças étnicas e religiosas”, falou

Durante a sua homilia de quarta-feira, Francisco trouxe o exemplo do novo santo Vaz para mostrar a perseverança em se perseguir a paz e para “testemunhar a mensagem evangélica da reconciliação”.

Convidando os srilanqueses a “rivalizarem” com o santo em três sentidos, Francisco disse que “Vaz foi um sacerdote exemplar” que “nos ensinou a ir às periferias, para fazer Jesus Cristo conhecido e amado”.

Francisco também disse que Vaz – quem evangelizou o Sri Lanka durante um período de controle do país por colonizadores holandeses que fizeram do calvinismo a religião oficial – mostrou a necessidade de se ministrar para todos, independentemente da afiliação religiosa.

Vaz, disse Francisco, “mostrou-nos a importância de transcender as divisões religiosas no serviço da paz”.

“O seu amor indiviso a Deus abriu-o ao amor do próximo; ele empregou o seu ministério em favor dos necessitados, sem olhar quem fosse e onde estivesse”, disse o pontífice.

Após expressar o seu pedido pela liberdade religiosa, Francisco continuou: “A autêntica adoração de Deus leva não à discriminação, ao ódio e à violência, mas ao respeito pela sacralidade da vida, ao respeito pela dignidade e a liberdade dos outros e a um solícito compromisso em prol do bem-estar de todos”.

A missa celebrada pelo pontífice nesta quarta-feira incluiu orações e cantos em inglês e nos idiomas dos dois principais grupos étnicos srilanqueses: tâmil e cingalês. Francisco proferiu sua homilia em inglês, seguido de traduções para o cingalês e o tâmil feitas por dois bispos srilanqueses.

Multidões para celebrar junto do papa se estenderam por quarteirões, com pessoas pressionadas contra áreas cercadas para permitir a passagem do papamóvel. Embora a população cristã no Sri Lanka seja uma minoria relativamente pequena, bandeiras e símbolos de acolhida ao papa marcaram a área em torno da celebração.

O Sri Lanka, país de aproximadamente 21 milhões de habitantes, é composto por uma maioria budista, com 72% de sua população identificando-se com esta religião. Outros 12% se identificam como hindus, 9% como muçulmanos e 7% como cristãos.

Um advogado srilanquese e magistrado público participando na missa ao ar livre disse que o foco de Francisco na reconciliação das divisões religiosas pode ajudar os moradores a se centram na construção de um único país, em meio às suas diferenças.

“Queremos manter a paz e harmonia em um único país”, disse Felician Perera. “Com todos os grupos religiosos, com todos os grupos étnicos – é um único país”.

Francisco procurou reforçar as tentativas srilanquesas de diálogo inter-religioso na terça-feira à noite, num encontro com líderes budistas, hindus, muçulmanos e de outras denominações cristãs.

Durante o evento, o pontífice pediu por um diálogo que esteja fundado numa “apresentação completa e franca das nossas respectivas convicções”.

Um padre que foi o chefe do departamento para o diálogo inter-religioso da Arquidiocese de Colombo disse, em entrevista, que o exemplo de Vaz pode também desempenhar um papel neste diálogo, já que o missionário é conhecido por uma abordagem ao trabalho missionário que respeitava a cultura dos srilanqueses nativos e as demais religiões.

“Ele foi um missionário extraordinário”, disse o Pe. Reid Shelton Fernando. “Ele trabalhou quase 300 anos antes do Vaticano II e algumas das ideias que tinha – harmonia inter-religiosa, diálogo inter-religioso e dar espaço aos leigos – fizeram parte deste Concílio”.

Francisco está visitando o Sri Lanka, após o que irá seguir em viagem às Filipinas, também na Ásia. Na quarta-feira pela tarde, o pontífice estará viajando para o norte do país. Irá parar especificamente em Madhu, região que foi afetada pela violência da guerra.

Perera, o magistrado srilanquese, disse que estaria acompanhando Francisco na viagem e que esperava que o papa tirasse um instante para lembrar os muitos mortos na guerra civil do país.

“Pessoas inocentes também sofreram”, disse Perera, repetindo: “Pessoas inocentes sofreram muito”.

Peiris, disse que a principal mensagem de reconciliação que ele estava ouvindo do pedido do papa era que “temos de garantir que jamais irá haver uma repetição daquilo que aconteceu”.

“Há lições que devemos aprender daquilo que aconteceu”, disse. “[Devemos aprender] que jamais devemos ter um conflito que como este e que, no futuro, devemos aprender a viver em paz como irmãos e irmãs de uma mesma família”.

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