Francisco diz que diálogo religioso não pode vir à custa da religião

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14 Janeiro 2015

 

Um monge sênior cumprimenta o Papa Francisco durante um encontro terça-feira com líderes religiosos no Salão Internacional de Conferência Bandaranaike, em Colombo, Sri Lanka. À direita é o cardeal Albert Malcolm Ranjith, da Arquidiocese de Colombo. (CNS, Anto Akkara)

Ao iniciar a sua missão principal na visita ao Sri Lanka – apresentando os esforços para travar um diálogo inter-religioso com o fim de curar as feridas de uma guerra civil que durou 26 anos –, o Papa Francisco disse, nesta terça-feira, que um tal trabalho não deve apagar as fronteiras entre as diferentes convicções religiosas.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 13-01-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Num discurso dirigido a líderes budistas, hindus, muçulmanos e de outras denominações cristãs, Francisco disse que buscou reafirmar o respeito pelas crenças de cada uma das religiões, porém buscou fundar este respeito numa “apresentação completa e franca das nossas respectivas convicções”.

Citando o documento Nostra Aetate, do Concílio Vaticano II, Francisco disse: “De minha parte, desejo reafirmar o sincero respeito da Igreja por vós, vossas tradições e crença”.

“É neste espírito de respeito que a Igreja Católica deseja cooperar convosco e com todas as pessoas de boa vontade na busca da prosperidade para todos os srilanqueses”, continuou.

Em seguida, Francisco acrescentou: “Mas, como ensina a experiência, para que tal diálogo e encontro sejam eficazes, devem fundar-se numa apresentação completa e franca das nossas respectivas convicções”.

“É certo que esse diálogo fará ressaltar como são diferentes as nossas crenças, tradições e práticas”, disse o papa. “Mas, se formos honestos ao apresentar as nossas convicções, seremos capazes de ver mais claramente aquilo que temos em comum e abrir-se-ão novos caminhos para a mútua estima e cooperação e, seguramente, para a amizade”.

Francisco falou nesta terça-feira ao final do primeiro dos dois dias e meio que irá passar no Sri Lanka, ilha localizada no sul da Índia. A visita, que vem apenas cinco dias depois de uma acirrada eleição presidencial no país, esteve marcada até o momento por vários pedidos de paz e reconciliação entre os dois principais grupos étnicos que combateram durante a guerra.

Estima-se que a guerra civil, que durou de 1983 a 2009, tenha custado cerca de 100 mil vidas.

Ao dizer que a busca pelo diálogo inter-religioso não precisa prejudicar as próprias convicções religiosas, Francisco estava provavelmente tentando fazer o diálogo parecer mais atraente num país onde o cristianismo é uma pequena minoria da população.

Cerca de 72% dos 21 milhões de srilanqueses são budistas. Cerca de 12% se identificam como hindus, 9% como muçulmanos e 7% como cristãos.

Francisco apontou os líderes religiosos como elementos fundamentais para a cura das feridas e para a facilitação da reconciliação após a guerra civil. Ele também repetiu a sua ênfase frequente de que a religião não pode ser usada para propósitos violentos.

“A bem da paz, não se deve permitir que se abuse das crenças para a causa da violência ou da guerra”, disse o papa. “Devemos ser claros e inequívocos ao desafiar as nossas comunidades a viverem plenamente os princípios da paz e da coexistência, que se encontram em cada religião, e denunciar atos de violência sempre que são cometidos”.

A mensagem foi repetida pelo líder muçulmano srilanquês Ash-Sheikh M.F.M. Fazil. Este, em breves comentários, falou sobre os recentes assassinatos em Paris dos funcionários da revista Charlie Hebdo.

“Irei não cumprir o meu dever se não mencionar o ataque, as mortes, que ocorreram na França, no Paquistão”, disse Fazil. “Crianças foram massacradas e mortas em nome do Islã”.

“Como sabemos muito bem, o Islã não tem relação com respeito a tais práticas, condutas e ações impróprias”, continuou. “O Islã promove a paz, o amor e a harmonia”.

“Terroristas, extremistas – eles usam muitas religiões como abrigo para encobrir suas ações impróprias”, disse.

“O Islã é usado por estes extremistas e terroristas ao prejudicar e impor corrupção neste planeta”.

“Neste momento (...) precisamos nos unir, precisamos compreender o credo uns dos outros, precisamos nos apoiarmos e construir um país saudável para a espécie humana viver”, declarou Fazil.

Como um sinal da diversidade da ilha, o encontro inter-religioso de terça-feira incluiu uma saudação de um bispo católico, um canto entoado por um monge budista, bênçãos de líderes hindu e muçulmano e uma oração cristã ecumênica conduzida pelo chefe da Igreja Anglicana do Sri Lanka.

Muitos dos que participaram no evento usavam vestes distintivas do budismo. Houve também uma guarda de honra composta por jovens em roupas tradicionais enfileirados no salão onde o evento aconteceu.

Francisco era uma das duas pessoas que proferiram discursos no encontro, junto do líder budista Niyangoda Vijithasiri Thero.

Antes da chegada de Francisco ao evento, um orador brevemente relatou a história de vida do papa e de seu trabalho desde a sua eleição em março de 2013, chamando-o de um “homem extraordinário do diálogo inter-religioso, um mensageiro da paz e um embaixador da harmonia”.

Francisco veio para dialogar diretamente depois de uma visita privada com o recém-eleito presidente srilanquês Maithripala Sirisena, que surpreendentemente venceu o seu predecessor com 51,2% dos votos na quinta-feira. Na sexta-feira foi empossado no cargo.

Sirisena substituiu Mahinda Rajapaksa, que havia governado o país desde novembro de 2005.

Durante a visita de Estado, Sirisena e Francisco trocaram presentes e posaram para fotos. Não fizeram discursos públicos porque ambos já haviam falado na chegada do pontífice na manhã de terça-feira.

Francisco está visitando o Sri Lanka como a primeira parte de uma viagem à Ásia em dois momentos, que terá continuidade nas Filipinas na quinta-feira. O pontífice vai passar a terça-feira na capital srilanquesa, localizada na costa sudoeste da ilha, antes de se dirigir ao norte na quarta-feira para visitar Madhu, região que foi bastante afetada pela violência da guerra.

Quando Francisco viajar para Madhu, ele irá visitar um local devocional bastante famoso, a Igreja de Nossa Senhora de Madhu. Reconciliação, diálogo e encontro provavelmente serão os temas novamente em pauta no local, que foi bombardeado inúmeras vezes durante a guerra.

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