Papa demite chefe da Guarda Suíça

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04 Dezembro 2014

O papa removeu o chefe da Guarda Suíça. O anúncio surpresa apareceu na primeira página do L'Osservatore Romano dentro da editoria "Nostre informazioni", geralmente a mais seguida na Cúria, que contém novidades importantes, mas também promoções ou transferências de bispos, cardeais, monsenhores.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no jornal Il Messaggero, 03-12-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O método seguido pareceu como não ritual em relação ao passado. Quatro linhas. Uma espécie de raio em azul dentro do pequeno Estado. "O Santo Padre dispôs que o coronel Daniel Rudolf Anrig termine o seu ofício no dia 31 de janeiro de 2015, na conclusão da prorrogação concedida depois do fim do seu mandato".

O fato de o comandante ter terminado o quinquênio previsto não era uma novidade, mesmo que Francisco o tenha reconfirmado no papel algum tempo depois da sua eleição. Depois, ao longo do caminho, algo não deve ter funcionado bem; algo deve ter se rompido, porque o Papa Bergoglio, em certo ponto, começou a dar a entender aos seus colaboradores que desejaria ver um corpo militar menos rígido, com regras menos obsessivas do que as que haviam sido impostas pelo coronel Anrig aos 120 rapazes suíços escolhidos para proteger o pontífice e a sua residência.

O período de serviço para todos é de dois anos, durante os quais estão previstas regras férreas, espírito de equipe, exercícios contínuos, turnos de guarda massacrantes, aprendizagem de artes marciais.

Paternidade

O Papa Francisco aprendeu a conhecer de perto esse mundo. Fora do seu quarto, na residência de Santa Marta, sempre há diversos guardas para vigiar sobre ele.

Com eles, pouco a pouco, ele começou a falar, a se interessar, a fazer perguntas. Há alguns meses, ele também foi visitar o seu quartel, entrando até na cozinha, onde agora, em uma prateleira, é conservado o copo usado naquele dia por Francisco para beber um pouco de água. Ele está exposto como uma relíquia. No post-it amarelo colado no vidro, está escrito: "Copo utilizado pelo Santo Padre".

Aos jovens de uniforme que montavam os turnos de guarda com a alabarda, mais de uma vez, ele perguntou se não estavam cansados, se podia lhes levar um pouco de água ou, uma vez, até mesmo uma cadeira. Os guardas suíços de plantão, naturalmente, recusaram a oferta. Não era permitido.

Bergoglio se comporta com eles com um estilo paterno, conhece-os pelo nome, informa-se sobre como estão. Recentemente, até rompeu o protocolo que vetava os militares de dar a mão ao pontífice. Uma fotografia imortalizou esse momento, logo dando a volta ao mundo. A imagem sugere um novo modo de conceber as relações entre o soberano e o seu exército.

Não é preciso dizer que a visão paternalista e familiar do Papa Francisco dificilmente poderia se conciliar com o marco militarista do coronel Anrig. Aos 40 anos, muito católico, pai de quatro filhos, irrepreensível, descrito por muitos guardas suíços como uma pessoa muito rígida. Teutônica.

Nascido no cantão de St. Gallen, prestou o serviço militar na Guarda Suíça de 1992 a 1994. Tendo voltado para a Suíça, estudou direito civil e canônico em Friburgo, trabalhando como professor assistente na cátedra de direito civil até 2001.

Em seguida, obteve o cargo de chefe da polícia judiciária de Glarus. Em 2006, foi nomeado comandante da polícia do cantão. Em 2008, foi nomeado o 34º comandante da Guarda Suíça por Bento XVI.

Entre as tarefas, o recrutamento, a conformidade com os regulamentos em vigor e a repartição dos encargos aos superiores. Cabe a ele garantir o correto funcionamento do menor exército do mundo e a manutenção da disciplina em seu interior.

O futuro comandante poderia ser o atual vice-comandante, Christoph Graf, que chegou há 27 anos à guarda como simples alabardeiro. Pessoa menos dura e de traços humanos mais paternos.

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