Papa apoia ataques contra o grupo ISIS e enfrenta pressão contra a “islamofobia”

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01 Dezembro 2014

Na sexta-feira, o Papa Francisco ofereceu apoio à ação militar contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria, marcando um retorno ao que era a sua postura depois de, aparentemente, ter recuado no começo desta semana.

No primeiro dia de visita à Turquia, o pontífice também encarou uma forte pressão de seus anfitriões numa nova frente relativa à liberdade religiosa: aquilo que os líderes turcos descreveram como um aumento preocupante da “paranoia islamofóbica” no ocidente.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 28-11-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Com efeito, tanto o presidente turco Recep Tayyip Erdogan quanto o seu principal representante para assuntos religiosos pareceram propor um acordo ao pontífice: se o senhor quiser a nossa ajuda para cortar o apoio aos movimentos radicais islâmicos, então que nos ajude a promover um melhor tratamento aos muçulmanos em seu próprio quintal.

Quanto à moralidade dos ataques aéreos da coalizão liderada pelos EUA feitos contra alvos do ISIS, o pontífice recentemente deixou dúvidas.

Em agosto, Francisco deu luz amarela de cautela ao dizer ser “legítimo deter um agressor injusto”, embora o seja somente sob certas condições.

Na terça-feira passada, no entanto, ele pareceu suavizar este apoio no fim de uma visita ao Parlamento Europeu. Na ocasião, advertiu que “o terrorismo de Estado” é, geralmente, pior do que os movimentos extremistas que pretende combater, em parte porque “muitos inocentes também acabam sofrendo” quando os Estados lançam represálias indiscriminadas.

Ao falar hoje na Turquia, a linguagem do papa foi mais no sentido de uma aprovação.

“Quando reafirmo ser lícito deter um agressor injusto, embora sempre respeitando o Direito Internacional, desejo reiterar que o problema não pode se resolver somente por meio de respostas militares”, disse.

Francisco não mencionou o Estado Islâmico pelo nome, embora estivesse claro que este grupo fora a referência principal, uma vez que ele denunciou “a violência terrorista no Iraque e na Síria”. Ao dizer que a ação militar não pode ser única solução para o conflito, o papa claramente pareceu aceitá-la como parte de uma resposta.

Francisco estava falando para Erdogan e outras autoridades do governo turco, no dia de abertura de sua visita à Turquia (de 28 a 30 de novembro).

Estas palavras do papa vieram num trecho de seu discurso, proferido em seu habitual italiano, no qual abordou as ondas de refugiados que chegaram ao país a partir da fronteira do sul, junto ao Iraque e Síria, fugindo do Estado Islâmico.

“Sérias perseguições aconteceram no passado e ainda continuam hoje em detrimento das minorias, especialmente, mas não só, de cristãos e yazidis”, disse Francisco. “Não podemos permanecer indiferentes às causas de todas estas tragédias”.

Embora o Vaticano não tenha capacidade alguma para vetar ações militares propostas, a autoridade moral informal do papa tem, geralmente, um peso.

Em outras frentes, Francisco usou os seus dois discursos de hoje – um a autoridades turcas e outro ao poderoso Ministério para Assuntos Religiosos do país – para pedir que haja diálogo entre as religiões e esforços comuns no combate ao “fanatismo e fundamentalismo”.

Francisco pressionou os seus anfitriões turcos a protegerem a liberdade religiosa das minorias locais, “tanto na provisão quanto na prática da lei”.

Embora a Turquia seja oficialmente um Estado laico, cuja Constituição garante a liberdade de consciência, o país possui uma esmagadora maioria muçulmana na qual os cristãos e outras minorias, incluindo uma pequena comunidade judaica, geralmente se queixam de serem tratados como cidadãos de segunda classe. O pontífice definiu a liberdade religiosa como um “sinal eloquente de paz”.

Em sua fala, Erdogan tentou fazer o papa perceber o seu ponto de vista em termos de tolerância religiosa, condenando o que chamou de “tendência muito séria e rápida de crescimento do racismo, discriminação, ódio e outros sentimentos, especialmente a islamofobia no ocidente”.

A fala do presidente turco parece significar que, se o papa e outras figuras ocidentais querem que os líderes muçulmanos se mobilizam contra as manifestações do radicalismo do tipo Estado Islâmico, então o preço vai ser lutar contra o preconceito anti-islâmico no próprio quintal.

Erdogan disse esperar que a visita do papa à Turquia vá ajudar a “quebrar os vários preconceitos dentro do mundo cristão”.

Mehmet Görmez, que chefia o Ministério para os Assuntos Religiosos do país, ecoou este pensamento em seu discurso ao Papa Francisco.

“Temos certa preocupação quanto ao futuro, no sentido de que a paranoia islamofóbica que já se espalhou pela opinião pública ocidental esteja sendo usada como pretexto para pressões maciças, intimidação, discriminação, alienação e ataques reais contra os nossos irmãos e irmãs muçulmanos que vivem no ocidente”.

Por repetidas vezes, Francisco manifestou uma profunda apreciação pelos esforços da Turquia em ajudar os refugiados do Iraque e da Síria, abrindo a viagem com um breve comentário aos jornalistas no caminho de Ancara, dizendo que queria elogiar o país pelo “trabalho importante” que ele está fazendo.

Erdogan pareceu satisfeito com a visita do papa, sobre a qual disse que iria alcançar “não só a Turquia como também todo o mundo islâmico”.

É provável que a sexta-feira seja o dia mais político do itinerário da visita papal de três dias.

Ele foi recebido por Erdogan na sexta-feira pela manhã na nova e luxuosa residência presidencial em Ancara, chamada de “Palácio Branco”, que custou mais de 600 milhões de dólares.

Francisco é o primeiro líder estrangeiro a ser recebido na casa. Um tapete azul turquesa foi usado em vez do tradicional tapete vermelho na entrada do presidente e do papa. A guarda de honra também usou uniformes novíssimos em azul turquesa – um outro sinal, segundo analistas locais, do desejo do presidente de sinalizar que se inicia uma nora era com ele.

Hoje, Görmez concedeu entrevista a um dos principais jornais do país, poucas horas antes de se encontrar com o Papa Francisco, em que criticou a Igreja Católica. Entre outras coisas, Görmez falou que, no passado, a Igreja foi um obstáculo para uma espécie de “diálogo franco” necessário entre os líderes religiosos.

Isso, também, foi visto como medida para uma nova assertividade, com a maioria dos analistas presumindo que Görmez não teria dito tais palavras sem a aprovação do presidente.

No sábado e domingo, o Papa Francisco volta-se ao que é, de fato, o propósito oficial da viagem, que é uma aproximação aos cristãos ortodoxos.

No sábado, Francisco viaja de Ancara para Istambul onde vai se encontrar com o Patriarca Bartolomeu I de Constantinopla, considerado o “primeiro entre iguais” dos líderes ortodoxos. Os dois realizarão uma oração conjunta.

No domingo, Francisco participa de uma liturgia ortodoxa no Fanar, sede do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, e, em seguida, assina uma declaração conjunta o lado de Bartolomeu. Pela manhã, o papa vai ter uma breve reunião com o Grão Rabino da Turquia.

Na sexta-feira, Francisco prometeu dar uma coletiva de imprensa durante o seu voo de volta no domingo de noite, e pode ser que a ele seja feita outra pergunta sobre o caso do grupo ISIS. Resta saber se o papa vai dar uma outra resposta, ou se desta vez irá seguir firme ao script.

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