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19 Novembro 2014

Os americanos se consideram – e não está errado – o povo mais religioso do Ocidente. Segundo pesquisas, 1/5 desses não pratica fé alguma, mas somente 6% se consideram ateus ou agnósticos. A cada ano nas universidades, cerca de 250.000 estudantes fazem um curso de religião. Igrejas, mesquitas e sinagogas estão cheias e o primeiro a dar o exemplo, exercendo a função aos domingos é o presidente. A escrita “Confiemos em Deus” acompanha todas as notas de 1 dólar.

A reportagem é de Ennio Caretto, publicada pelo jornal La Lettura/Corriere della Sera, 16-11-2014. A tradução é de Ivan Pedro Lazzarotto.

Não surpreende porém que uma grande editora, a Norton, tenha publicado recentemente a “Norton Anthology of World Religions”, dois volumes de 4.200 páginas ($ 100,00) onde estão incluídos 3.500 anos de história religiosa com uma documentação extraordinária. Surpreende que a antologia, que trata das 6 principais fés da atualidade – no primeiro volume: hinduísmo, budismo, taoísmo; no segundo volume: cristianismo, judaísmo, islamismo – contenha textos como àqueles de Bin Laden, o líder da Al Qaeda, e do Sir Bertrand Russel, o filósofo inglês ateu.

Para Jack Miles, que coordenou a edição da obra, não existe nada de estranho. Miles ensina História das religiões na Universidade de Irvine, na Califórinia e é o autor de Deus. Uma biografia que em 1996 o rendeu o Pulitzer. Ex seminarista jesuíta, explica o desejo de conferir aos dois volumes uma “perspectiva laica”, que compreenda as vozes sociais e culturais “alternativas”, revalide o papel das mulheres e consinta uma análise comparativa das fés. O fato que no Antigo e no Novo Testamento e no Alcorão a antologia se aproxime de sermões de pecadores controversos, textos poéticos com parcela de blasfêmia, proclamações feministas, programas políticos, até a acusação de Bin Laden, profeta do terrorismo, desencadeou um debate vivaz.

Enquanto os extratos da obra de Bertrand Russel de 1927, Porque não sou cristão, são considerados de  uma forma geral aceitáveis, o texto de “A face do mundo islâmico”, a declaração da guerra santa de Bin Laden de 1988, não o é de forma alguma. Segundo Jack Miles, não seria porem justo ignorar o líder terrorista.

“A antologia dá muito espaço às vozes moderadas do islamismo – declara – mas Bin Laden fez fluir correntes extremistas e o seu impacto será advertido por um bom tempo”.

O histórico acrescenta que despertam polêmicas na seção sobre o judaísmo aos escritos de Yeshayahu Leibowitz (1903-1994), o filósofo ortodoxo e sionista que contestou a concessão religiosa do Estado de Israel e falou que os soldados israelenses nos territórios ocupados corriam o risco de se transformar em “nazistas judeus”.

Que efeito terá a publicação dessa antologia? Miles deseja que seja promovida a tolerância e a cooperação entre as religiões e as aproxime dos não fiéis, que na América politicamente correta são chamados de “independentes espirituais”. E cita as memórias do poeta Christian Wiman (1966), ateu convertido ao cristianismo. Mas não é certo que será atingido o objetivo: “Uma coisa que aprendi – diz – é que no interior das religiões ainda existem divisões significativamente profundas”.

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