Francisco insiste na despolitização da família e confirma visita aos EUA

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18 Novembro 2014

Durante uma conferência do Vaticano que busca promover um entendimento tradicional do casamento, o Papa Francisco afirmou, nesta segunda-feira, o direito das crianças a crescerem em lares com mães e pais, pedindo uma despolitização das famílias.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada no sítio National Catholic Reporter, 17-11-2014. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

"Nós não devemos cair na armadilha de qualificar a família com conceitos ideológicos", disse o pontífice, ao discursar em um evento organizado com o intuito de ganhar apoio inter-religioso para o conceito de complementaridade entre o homem e a mulher no casamento.

"Nós não podemos qualificar a família com conceitos de natureza ideológica que só tem força em um momento da história e depois caem", continuou Francisco. "Não se pode falar, hoje, de família conservadora ou família progressista: família é família".

"A família é per se, tem uma força em si mesma", disse o pontífice.

Francisco também disse que ele está planejando visitar os Estados Unidos em setembro de 2015, para o Encontro Mundial das Famílias, que está sendo organizado pela arquidiocese da Filadélfia. Sorrindo para o arcebispo da Filadélfia, Charles Chaput, presente na platéia do Vaticano, Francisco disse que "se Deus quiser" ele fará a viagem.

As observações de Francisco sobre o assunto confirmaram uma longa especulação sobre a viagem, que pode levar o pontífice a visitar várias cidades dos EUA. Além da Filadélfia, Francisco foi convidado a falar para a ONU, em Nova York, e para uma sessão conjunta do Congresso, em Washington. Se Francisco aceitar fazer o discurso do Congresso, ele será o primeiro pontífice a fazê-lo.

A conferência do Vaticano - intitulada "Humanum: a complementaridade do homem e da mulher" - está sendo realizada de segunda a quarta-feira e foi organizada por quatro dicastérios do Vaticano. Ela atraiu ampla cobertura da imprensa por causa de seu tema, que firmemente promove o casamento como fundamentalmente limitado a uniões entre um macho e uma fêmea.

Reunindo uma vasta gama de representantes religiosos - desde o pontífice; aos líderes anglicanos e evangélicos; o rabino Jonathan Sacks, ex-rabino-chefe do Reino Unido; aos representantes budistas, taoístas e de tradições jainístas - a conferência está centrada na ideia de que homens e mulheres têm um tipo de complementaridade que é exclusivamente importante para o casamento.

Embora os oradores do evento têm se esquivado de dar uma resposta direta ou criticar as uniões de pessoas do mesmo sexo, a maioria deixou pouca dúvida sobre sua visão de tais relações.

Sobre esse assunto, o próprio Francisco disse: "As crianças têm o direito de crescer em uma família, com um pai e uma mãe, capazes de criar um ambiente adequado para o seu desenvolvimento e amadurecimento afetivo".

O pontífice também disse que "hoje o casamento e a família estão em crise".

"Nós agora vivemos em uma cultura do provisório, em que mais e mais pessoas estão simplesmente renunciando o casamento como um compromisso público", disse Francisco.

"Esta revolução dos costumes e da moral tem muitas vezes levantado a bandeira da liberdade, mas, na verdade, ela tem levado à devastação espiritual e material de inúmeros seres humanos, especialmente os mais pobres e mais vulneráveis".

O cardeal alemão Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, falou logo após o pontífice e concentrou suas observações sobre o imaginário masculino e feminino encontrado nas histórias da criação do Gênesis.

Ligando o imaginário de Adão e Eva na história do Gênesis à relação da humanidade com Deus, Müller afirmou: "Quando esquecemos diferença sexual, então torna-se difícil compreender o vínculo matrimonial entre Deus e seu povo".

Müller disse também que as crianças têm direito aos pais, afirmando: "As crianças têm o direito de crescer com um pai e uma mãe".

A Congregação para a Doutrina da Fé é um dos quatro patrocinadores do evento.

Sacks, que também é um membro da Câmara dos Lordes da Grã-Bretanha, fez a única referência indireta ao casamento entre pessoas do mesmo sexo durante a sessão da manhã de segunda-feira.

Mencionando a história de Alan Turing, um matemático gay britânico do início do século XX. que foi punido com uma castração química por causa de sua orientação sexual, Sacks disse: "Esse é o tipo de mundo para o qual nunca devemos voltar".

"Mas a nossa compaixão para com aqueles que optam por viver de forma diferente não deve proibir-nos de sermos defensores", disse Sacks, referindo-se ao casamento tradicional como "o melhor meio que nós descobrimos para nutrir as gerações futuras".

Durante o seu discurso, Francisco também pediu que os participantes da conferência não pensem na complementaridade como uma "ideia simplista de que todos os papéis e as relações dos dois sexos são fixos em um único padrão, algo estático".

"A complementaridade vai assumir muitas formas à medida que cada homem e mulher traz as suas contribuições distintas para o matrimônio e para a formação de seus filhos - a sua riqueza pessoal, o seu carisma pessoal", disse o pontífice.

"A complementaridade torna-se uma grande riqueza", continuou ele. "Não é apenas uma coisa boa, mas também é algo bonito".

Presente também na conferência de segunda-feira estava a irmã norte-americana M. Prudence Allen, da Congregação da Misericórdia, recentemente nomeada como membro da Comissão Teológica Internacional do Vaticano.

Em seu discurso, Allen advertiu contra as ideologias do gênero e do sexo que, segundo ela, foram fundadas sobre "métodos enganosos".

Essas ideologias, disse, "distorcem a verdadeira e igual dignidade e diferença entre homens e mulheres".

"Essas ideologias crescem como uma célula cancerosa, muitas vezes obliterando o verdadeiro significado do casamento", disse Allen.

Os outros dicastérios do Vaticano que estão patrocinando a conferência de complementaridade são o Pontifício Conselho para a Família, o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso e o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Os palestrantes nos próximos dias incluem: o popular pastor evangélico americano Rev. Dr. Rick Warren; Rev. Dr. Russell Moore, presidente da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa da Igreja Batista do Sul; e o arcebispo da Filadélfia, Charles Chaput.

As apresentações estão sendo acompanhadas por uma série de filmes feitos especialmente para o evento com assuntos que incluem: "O destino da humanidade e o significado do casamento", "A doçura escondida: o poder da união nas dificuldades" e "Desafio e esperança para uma nova geração".

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