Dilma optou pelo 'menos pior', diz professor

Revista ihu on-line

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Mais Lidos

  • Papa Francisco propõe um sistema econômico mais justo e sustentável

    LER MAIS
  • Em busca da funda de Davi. Uma análise estratégica da conjuntura

    LER MAIS
  • Por que Tagle é o novo “herói papal” do Oriente

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

14 Novembro 2014

A mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) encaminhada ontem pela presidente Dilma Rousseff ao Congresso era a "menos pior" de uma série de opções ruins à disposição do governo, avalia Pedro Paulo Zahluth Bastos, professor associado do Instituto de Economia da Unicamp. Se a mudança for aprovada, não haverá mais limite para o desconto de desonerações e dos investimentos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da meta deste ano. Na prática, o governo pode até ter déficit primário.

A reportagem é de Ligia GuimarãesFlavia Lima e Tainara Machado, publicada pelo jornal Valor, 13-11-2014.

Para Bastos, ao anunciar que não vai mais cumprir o objetivo inicial, de poupar 1,9% do PIB neste ano, e decidir negociar com o Congresso, o governo gera desgaste político e com a sociedade, mas era a opção "menos pior" na mesa.

Na semana passada, o economista organizou a publicação na internet do "Manifesto dos Economistas pelo Desenvolvimento e pela Inclusão Social", documento em que um extenso grupo de economistas heterodoxos defendia que elevar a austeridade fiscal aprofundaria a recessão em que o país se encontra atualmente, com perda de avanços sociais.

As outras opções disponíveis para o governo eram não anunciar nenhuma alteração e cumprir o objetivo fiscal com receitas extraordinárias ou então fazer contabilidade criativa para fechar as contas, o que, na visão do economista, engana a sociedade e reduz nível de confiança. Reduzir o gasto em um cenário de baixo crescimento também ameaçaria piorar ainda mais a atividade econômica. "Essas alternativas gerariam desgaste ainda maior".

Para o economista, é preciso alterar o regime fiscal para que essa situação não se repita. Entre as medidas, diz, está construir um fundo orçamentário no momento de expansão das receitas, e instituir "bandas" para o superávit primário, à semelhança do regime de inflação, porque assim pode-se acomodar o resultado de acordo com as variações imprevisíveis da arrecadação. "Daria alguma previsibilidade maior e, ao mesmo tempo, permitiria que o governo realizasse uma política anticíclica", diz.

Para Mansueto Almeida, especialista em finanças públicas, no lugar de pedir o fim do limite para abatimentos na meta de superávit primário, seria melhor que o governo tivesse reconhecido seus erros. "Ele deveria ter assumido que pensava que ia ter uma recuperação da economia e que, como não teve, vai fazer zero de superávit ou até mesmo ter déficit."

Samuel Pessôa, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), acredita que o fato de não haver mais meta explícita para o superávit primário significa, muito possivelmente, que o governo já conta com um déficit neste ano, ou então teria fixado uma meta menor. Pessôa vê com preocupação a deterioração "avassaladora e rápida" dos indicadores fiscais no período mais recente, com alta do endividamento.

André Nassif, professor de economia internacional da Universidade Federal Fluminense, avalia que o cenário fiscal, apesar da piora recente, não aponta para a iminência de uma crise, mas vê necessidade de aumento da poupança pública para algo em torno de 2% do PIB. Para ele, o crescimento dos gastos correntes do governo acima do PIB não são sustentáveis no longo prazo.

Veja também:

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Dilma optou pelo 'menos pior', diz professor - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV