Bancada evangélica tem campanha mais barata que a ruralista

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07 Novembro 2014

Eles têm acesso direto e cativam um rebanho de eleitores por meio da fé. Cultivam a imagem em seus redutos mesmo quando estão fora do período eleitoral. Tanta exposição por longo período rende aos candidatos evangélicos uma vantagem: campanhas mais baratas. De acordo com dados finais das prestações de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos a deputado federal eleitos e que são ligados a igrejas evangélicas arrecadaram R$ 69,9 milhões e amealharam 8.059.152 votos, o que dá, em média, um custo de R$ 8,67 por voto. Outra influente bancada na Câmara dos Deputados, a dos ruralistas, precisou de um financiamento maior, quase o dobro, de R$ 15,03 para cada voto conquistado. A média geral dos 513 eleitos foi de R$ 12,46 por voto.

A reportagem é de Cristian Klein e Fernando Taquari, publicada pelo jornal Valor, 07-11-2014.

Segundo a lista das bancadas setoriais divulgada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), foram eleitos à Câmara no mês passado 74 candidatos que formarão a frente evangélica e 138 associados às demandas dos proprietários de terra. Destes, três eleitos ainda não prestaram contas ao TSE, o que, no entanto, não interfere nas médias que mostram grandes diferenças na necessidade de financiamento de campanha para dois dos maiores grupos de interesse presentes no Congresso.

 A comparação pode projetar o cenário e mostrar quem é mais dependente de altas somas de recursos para se eleger, caso as doações privadas sejam proibidas, como está prestes a decidir o Supremo Tribunal Federal (STF). Os evangélicos, pelo jeito, deverão ser os menos afetados.

Reeleito para mais quatro anos na Câmara, o Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) teve entre todos os candidatos evangélicos a deputado o menor custo por voto (R$ 0,37) nas eleições de 2014. Ligado à Assembleia de Deus, Feliciano arrecadou R$ 145 mil e recebeu 398 mil votos. A seu favor também pesou o fato de ter ganhado bastante exposição na última legislatura depois de fazer, como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, comentários contra a união homoafetiva. Feliciano entrou na eleição como um dos principais puxadores de voto do PSC por suas posições polêmicas.

Pastora da Catedral do Reino de Deus, Christiane Yared (PTN-PR) foi eleita deputada federal pela primeira vez, com um custo por voto de apenas R$ 0,60. Conseguiu 200 mil votos depois de arrecadar R$ 119 mil. A média obtida por Christiane ficou muito próxima do resultado (R$ 0,64) registrado por Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), que pertence à Igreja Batista e ainda surfou na popularidade do pai, o deputado federal reeleito, Jair Bolsonaro (PP-RJ), também conhecido por declarações preconceituosas contra gays.

Entre os evangélicos, o deputado reeleito Leonardo Quintão (PMDB-MG) foi o candidato que teve o maior custo por voto (R$ 41,81). O pemedebista, que representa a Igreja Presbiteriana e teve 118 mil votos depois de receber R$ 4,9 milhões para fazer campanha, não é tão conhecido por sua atuação a favor das igrejas. Em seguida no ranking aparece o deputado reeleito Edmar Arruda (PSC-PR) com um custo de R$ 35,13.

O cientista político Cláudio Couto, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), observa que os candidatos evangélicos não precisam de tantos recursos como outras bancadas para fazer campanha nas eleições proporcionais na medida em que já contam com forte identificação com as comunidades ligadas à igreja. "Os gastos são menores de fato. O corpo a corpo é feito ao longo do tempo durante os cultos. Os pastores são vistos naturalmente pelos fiéis como defensores de seus interesses e da igreja. Ou seja, esses candidatos levam vantagem em relação aos demais porque conseguem uma penetração maior dentro de uma comunidade que se orienta por valores intangíveis", afirma.

As outras bancadas, argumenta Couto, necessitam de mais recursos por conta dos interesses econômicos envolvidos. "Os ruralistas, por exemplo, precisam de mais dinheiro para se eleger, mas também têm mais acesso aos recursos". Edio Lopes (PMDB-RR), por exemplo, arrecadou R$ 1,2 milhão para conseguir 15.290 votos e teve a maior média entre os ruralistas: R$ 80,6 por voto.

O custo do voto para a bancada evangélica ficou em patamar semelhante à média dos 12 eleitos à Câmara pelo PSC, que lançou à Presidência um representante religioso, o Pastor Everaldo.

Pelo corte partidário, no entanto, houve quem tivesse obtido sucesso com um custo/benefício ainda menor. O PSOL foi o recordista em eficiência e elegeu cinco deputados gastando R$ 1,05 por voto. Na outra ponta, o PMN, para eleger três, foi o que precisou de mais recursos: R$ 31,97 por voto. Entre os grandes partidos, o PSDB foi o que mais gastou para emplacar sua bancada de 54 parlamentares: R$ 14,58 por voto.

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