“Católicos, mas não muito. Cuidado com o egoísmo e o poder”

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06 Novembro 2014

O Senhor doa com gratuidade, eis o porquê na lei do Reino de Deus as “recompensas não servem.” Mas a Sua gratuidade causa medo, “é tão grande que nos faz temer”. Papa Francisco na homilia da Missa matutina na Casa Santa Marta – sintetizada pela Rádio Vaticana – advertiu que, por vezes, para o egoísmo ou vontade de poder se descarta a festa da qual o Senhor nos envia gratuitamente. Por vezes, advertiu, confiamos em Deus “mas não muito”.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr. publicada pelo “Vatican Insider”, 04-11-2014. A tradução é de Ivan Pedro Lazzarotto.

Um homem dá uma festa, mas os convidados encontram desculpas para não ir: o Pontífice desenvolveu sua homilia partindo desta parábola, que faz pensar, falou, porque “todos gostam de ir a uma festa, gostam de ser convidados”; mas neste banquete “havia algo” que para três convidados, “que são um exemplo entre muitos, não agradava”.

Um falou que deveria ver o seu campo, tinha vontade de vê-lo para sentir-se “um pouco poderoso”, “a vaidade, o orgulho, o poder e prefere aquilo mais do que permanecer sentado com um entre muitos”. Um outro comprou cinco bois e então se concentrou sobre as tarefas e não queria “perder tempo” com outras pessoas. O último se desculpou dizendo que era casado e não queria levar a esposa à festa.

“Não – disse o Papa – queria o afeto para si próprio: o egoísmo”. “Ao final – prosseguiu – todos os três tem uma preferência por si próprios, não para compartilhar uma festa: não sabem o que é uma festa”.

Sempre, advertiu o Papa Bergoglio, “existe o interesse, existe aquilo que Jesus” explicou como “a recompensa”: “Se o convite fosse feito, por exemplo: ‘Venham, tenho dois ou três amigos que são empresários e vêm de outro País, podemos fazer algo juntos’, certamente nenhum teria se desculpado. Mas aquilo os assustava era a gratuidade. Ser um como os outros, ali? Exatamente o egoísmo, estar ao centro de tudo... É um tanto difícil escutar a voz de Jesus, a voz de Deus, quando um vive apenas ao redor de si mesmo: não tem horizonte, porque o horizonte é ele mesmo. E por trás disso existe outra coisa, mais profunda: existe o medo da gratuidade. Temos medo da gratuidade de Deus. Ela é tão grande que nos dá medo”.

Isso, falou, surge “porque as experiências da vida muitas vezes nos fazem sofrer” como acontece aos discípulos de Emaus que se afastam de Jerusalém ou a Tomé que quer tocar para acreditar. Quanto “a oferta é demais – citou um provérbio popular – até o Santo desconfia”, por que “a gratuidade é muita”. “E quando Deus nos oferece um banquete assim”, afirmou Francisco, pensamos que seja “melhor não nos intrometer”: “Somos mais seguros nos nossos pecados, nos nossos limites, mas estamos na nossa casa; sair da nossa casa para andar ao convite de Deus, a casa de Deus, com os outros? Não. Tenho medo. E todos nós cristãos temos este medo: escondido, dentro... mas não muito. Católicos, mas não muito. Fiéis no Senhor, mas não muito. Este ‘mas não muito’, assinala a nossa vida, nos faz pequenos, não? Nos encolhe”.

“Uma coisa que me faz pensar – acrescentou o Papa – é que quando o servo contou tudo isso ao seu mestre, o mestre” se enraivece porque foi desprezado. E manda chamar todos os pobres, deficientes, pelas praças e ruas da cidade. O Senhor pede ao servo que obrigue as pessoas a entrar na festa. “Tantas vezes – comentou Francisco – o Senhor deve fazer o mesmo conosco: com as provações, tantas provações”: “Obrigar-nos que aqui terá uma festa. A gratuidade. Obrigar aquele coração, aquela alma a acreditar que existe gratuidade em Deus, que o dom de Deus é grátis, que a salvação não se compra: é um grande presente, que o amor de Deus é o maior presente! Essa é a gratuidade. E nós temos um pouco de medo e por isso pensamos que a santidade se faz com as nossas coisas e no decorrer nos tornamos um pouco pelagianos. A santidade, a salvação, é gratuita”.

Jesus, evidenciou o Pontífice, “pagou a festa, com a sua humilhação até a morte, morte na Cruz. E essa é a grande gratuidade”. Quando se observa o Crucifixo, disse ainda, pensamos que “esta é a entrada da festa”: “Sim, Senhor, sou pecador, tenho tantas coisas, mas Te observo e vou a festa do Pai. Eu confio. Não ficarei desiludido porque Tu já pagaste tudo”.

Hoje “a Igreja nos pede para não temer a gratuidade de Deus”; apenas, “devemos abrir o coração – concluiu – fazer tudo que estiver ao nosso alcance; mas a grande festa Ele fará”.

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