Como é a nossa religião?

Mais Lidos

  • Edgar Morin (104 anos), filósofo, sobre a felicidade: “A velhice é um terreno fértil para a criação e a rebeldia”

    LER MAIS
  • Não é o Francisco: chega de desculpas! Artigo de Sergio Ventura

    LER MAIS
  • “Putin deixou bem claro que para a Rússia é normal que os Estados Unidos reivindiquem a Groenlândia”. Entrevista com Marzio G. Mian

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

07 Novembro 2014

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo João 2, 13-22 que corresponde a Celebração da Dedicação da Basílica de Latrão, ciclo A do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

Fonte: http://www.periodistadigital.com/religion/

O episódio da intervenção de Jesus no templo de Jerusalém foi recolhido nos quatro evangelhos. É João quem descreve a Sua reação de forma mais gráfica: com um chicote Jesus expulsa do recinto sagrado os animais que se estão vendendo para ser sacrificados, vira as mesas dos cambistas e atira por terra as suas moedas. Dos Seus lábios sai um grito: “Não convertais num mercado a casa do meu Pai”.

Este gesto foi o que desencadeou a Sua detenção e rápida execução. Atacar o templo era atacar o coração do povo judeu: o centro da sua vida religiosa, social e econômica. O templo era intocável. Ali habitava o Deus de Israel. Jesus, no entanto, sente-se um estranho naquele lugar: aquele templo não é a casa do Seu Pai, mas um mercado.

Por vezes, viu-se nesta intervenção de Jesus o Seu esforço por “purificar” uma religião demasiado primitiva, para substituí-la por um culto mais digno e uns ritos menos sangrentos. No entanto, o Seu gesto profético tem um conteúdo mais radical: Deus não pode ser o encobridor de uma religião em que cada um procura o seu próprio interesse. Jesus não pode ver ali essa “família de Deus” que começou a formar com os Seus primeiros discípulos e discípulas.

Naquele templo, ninguém se recorda dos camponeses pobres e desnutridos que deixaram nas aldeias da Galileia. O Pai dos pobres não pode reinar a partir deste templo. Com o Seu gesto profético, Jesus denuncia desde a raiz um sistema religioso, político e econômico que se esquece dos últimos, os preferidos de Deus.

A atuação de Jesus tem de nos pôr em guarda, a nós Seus seguidores para nos perguntarmos que religião cultivamos nos nossos templos. Se não está inspirada por Jesus, pode-se converter numa forma “santa” de encerrarmos o projeto de Deus que Ele queria impulsionar no mundo. A religião dos que seguem Jesus há de estar sempre ao serviço do reino de Deus e da Sua justiça.

Por outro lado, temos de rever se as nossas comunidades são um espaço onde todos podemos nos sentir “na casa do Pai”. Uma comunidade acolhedora onde a ninguém se lhe fecham as portas e onde a ninguém se exclui nem se discrimina. Uma casa onde aprendemos a escutar o sofrimento dos mais desamparados e não só o nosso próprio interesse.

Não esqueçamos que o cristianismo é uma religião profética nascida do Espírito de Jesus para abrir caminhos para o reino de Deus construindo um mundo mais humano e fraterno, encaminhado assim para a sua salvação definitiva em Deus.