Francisco e Evo Morales: encontro “informal” e em meio a polêmica

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29 Outubro 2014

Foto: Reuters

Um “encontro privado e informal”, que “não foi organizado mediante os habituais canais diplomáticos”. Com estas palavras o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, falou aos jornalistas sobre a reunião realizada na tarde desta terça-feira entre o Papa Francisco e o presidente da Bolívia, Evo Morales. Este momento não foi casual, uma vez que ocorre durante uma intensa polêmica protagonizada nos últimos dias pelo presidente da Câmara dos Deputados e pela Conferência Episcopal do país.

A reportagem é de Andrés Beltramo Álvarez, publicada por Vatican Insider, 28-10-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

A Sala de Imprensa da Santa Sé não deu detalhes sobre o encontro entre o pontífice e o mandatário. O seu diretor, Lombardi, informou em nota que “a visita ao Vaticano do presidente Morales se deveu à sua participação no Encontro Internacional de Movimentos Populares, organizado pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, cujos participantes foram recebidos pelo papa nesta manhã”.

E acrescentou: “Portanto, [o encontro] não foi organizado mediante os habituais canais diplomáticos. Este momento, privado e informal entre o Santo Padre e o presidente, que acontecerá esta tarde, é uma “uma expressão de afeto e proximidade ao povo e à Igreja boliviana e um apoio à melhoria das relações entre as autoridades e a Igreja no país”.

Uma “melhoria das relações” que parece urgente e necessária. Em especial, após a polêmica que surgiu – no dia 23 de outubro – envolvendo o presidente da Câmara dos Deputados e membro do Movimento ao Socialismo (Movimiento Al Socialismo – MAS), partido de Evo Morales.

Marcelo Elio acusou o cardeal Julio Terrazas, arcebispo emérito de Santa Cruz de la Sierra, de assumir una postura “direitista”, “pró-oligárquica”, “pró-imperialista” e “distante da Bíblia”. Ele também deu a entender que o presidente tem uma boa relação com a maioria dos bispos, exceto com este bispo emérito, e pediu por uma maior colaboração.

Em nota, a secretaria geral da Conferência Episcopal Boliviana respondeu a estes comentários.

Nela, defendeu-se a trajetória de Terrazas “a favor dos setores mais pobres do país” e a sua “defesa incondicional da verdade e da justiça social”. O texto, divulgado na sexta-feira (dia 24), disse que, desde o último mês de março, os bispos apresentaram ao governo uma petição “para abrir um canal de diálogo sobre vários temas”, porém “até o momento não recebeu nenhuma resposta”.

“Quanto ao anúncio da viagem do senhor presidente para uma entrevista com o Papa no Vaticano na próxima semana, não temos nenhuma confirmação oficial diplomática sobre esta possibilidade”, lê-se na nota. Até esta terça-feira, a Conferência Episcopal não contava que haveria o tal encontro privado entre Francisco e Morales. No entanto, o momento se concretizou e caiu como um balde de água fria entre os bispos bolivianos.

Segundo o sítio Vatican Insider, a audiência aconteceu na residência papal, a Casa Santa Marta, por volta das 19h, horário local. O encontro ocorreu logo depois da conferência feita pelo mandatário sul-americano no Encontro Mundial de Movimentos Populares, cúpula que reuniu líderes de organizações sociais de diversos países.

Morales e Bergoglio saudaram-se na manhã desta terça-feira na Aula Velha do Sínodo, pouco antes de um longo discurso proferido pelo pontífice no qual pediu por “terra, trabalho e teto para todos”. Foi um breve momento, com umas breves palavras do presidente. Desde o começo, Lombardi havia deixado claro que a participação de Evo Morales se dava “na qualidade de líder dos movimentos sociais indígenas”.

Na mesma Aula Velha do Sínodo, localizada no coração do Estado pontifício, o “companheiro Evo” – como o chamavam os organizadores do evento – compareceu diante de aproximadamente 200 pessoas para proferir uma conferência intitulada: “Plurinacionalidade, Estado e Movimentos Populares”.

Após agradecer ao “hermano Papa”, começou sua reflexão com a pergunta: “Como acabar com o capitalismo?”. O discurso, de 40 minutos, foi uma explicação do programa doutrinário de seu governo, em que incluiu exemplos concretos. Criticou o sistema capitalista porque, nele, “não existem objetos sagrados”, “tudo se vende e se compra” para gerar uma “sociedade excludente, geradora de opulência e pobreza”.

“O grande pecado do humanismo é o capitalismo, por isso na Bolívia os movimentos sociais se propuseram a refundar a democracia e a política para empoderar os pobres e as populações”, falou. Ele lamentou pelos “500 anos de invasão europeia”, ainda que tenha pedido “perdão aos europeus presentes”. Também pediu desculpas quando falou “contra as monarquias”, também da Europa, “contra as oligarquias e as hierarquias”.

Condenou a guerra, a usurpação da terra, a venda de armas, a contaminação ambiental e o consumismo. Zombou dos Estados Unidos, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e do “Conselho de Insegurança” [sic] das Nações Unidas, brincadeiras que foram aplaudidas pelos presentes.

“Uma vez me disseram: — Cuide-se com a embaixada dos Estados Unidos. — Por quê? —Perguntei. — Porque onde há embaixador deste país há golpes de Estado. E o único lugar em que não há golpe de Estado é os EUA, porque aí não há embaixadores seus”, brincou. Ao concluir a sua participação, por volta das 18h30, o presidente se dirigiu à Casa Santa Marta, onde o papa o esperava.

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