Caminhões-pipa recebem escolta da Guarda Municipal em Itu

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • “A mulher precisa, e as religiosas sobretudo, sair daquele papel de que ela é inferior”. Entrevista com a Ir. Maria Freire

    LER MAIS
  • Governo Bolsonaro deixa estragar 6,8 milhões de testes de covid-19

    LER MAIS
  • A Economia de Francisco. ‘Urge uma nova narrativa da economia’. A vídeomensagem do Papa Francisco

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


Por: Cesar Sanson | 17 Outubro 2014

A Guarda Civil Municipal está escoltando caminhões-pipa há cerca de duas semanas em Itu (SP). A situação ocorre por causa da estiagem e a falta d'água que afeta a cidade, em que moradores estão abordandos os veículos para pegar água. Muitos moradores alegam que estão sem água há 20 dias.

A reportagem é publicada por G1, 15-10-2014.

A GCM é avisada pela manhã quais os bairros que serão percorridos e acompanham o comboio. Três a quatro viaturas ficam à disposição para escoltar os caminhões em alguns bairros.

Na tarde desta quarta-feira (15), os guardas acompanharam a distribuição de dois carros no Portal do Éden. Conforme os guardas, a escolta ainda não teve problema, apenas alguns moradores que ficam alterados quando o caminhão chega ao bairro, mas sem roubo ou furto dos caminhões.

Estiagem

A estiagem em Itu (SP) tem feito os moradores enfrentarem um verdadeiro martírio em busca de água. Como o cronograma de racionamento não é cumprido e as solicitações de caminhão-pipa nem sempre são atendidas, segundo os moradores, poços, bicas, fontes e lagoas se tornaram pontos de peregrinação na cidade. Com um sol forte e uma temperatura em torno de 40ºC, o clima em Itu é bem parecido com lugares onde a escassez de água é mais frequente. Buscar água em bicas e córregos se tornou comum para moradores de vários pontos da cidade. No bairro Cidade Nova, uma das regiões mais castigadas com o racionamento, são três bicas. Canos onde moradores colocam garrafas e baldes para pegar água. Durante todo o dia, a cena se repete e há filas.

O problema é que ninguém sabe a qualidade da água. O porteiro Jorge da Silva está há quase duas semanas sem uma gota de água em casa. Todo dia, ele segue a mesma rotina, cedo e a tarde, vai até um lago que recebe água que vem de uma represa. Com a água que sai da tubulação, Jorge não sabe se é de boa procedência. "O que a gente sabe é que a água vem de uma lagoa, mas não sabemos se é boa. Se quiser tomar banho tem que fazer esse sacrifício. Senão, a gente fica sem tomar banho", diz.

Banho e transporte com mala

A água que escorre dia e noite também, usada por tantos moradores, também abastece a família do ajudante de caminhão Jorge Henrique da Silva, que está há quase 20 dias sem água. A situação é tão crítica que o banho do filho Caio, de 3 anos, tem sido na bica com frequência. "Tem que pegar água para lavar louça, lavar roupa. Inclusive tomar banho aqui."

A bica do meio do barranco até alguns meses atrás vivia esquecida, mas quando as torneiras começaram a ficar secas por muito tempo, o local virou o principal ponto do bairro. Os moradores improvisam com carrinhos de feira e sacolas. Para conseguir levar toda a água que precisa, um eletricista levou uma mala. "A mala é a única coisa que eu tenho para transportar a quantidade de água que eu preciso. Eu faço de 10 a 12 viagens para as crianças tomarem banho, a mulher lavar a roupa porque faz dias que não cai uma gota d'água na torneira", afirma Severino Dias da Silva.

Já a moradora Maria Eunice da Silva do Nascimento pretende tomar uma atitude extrema. Sem saber o que fazer, já que a situação chegou ao limite, ela pretende se mudar de Itu. "Estou triste porque gosto de Itu, mas na situação que estamos, já coloquei a casa à venda. A água é sagrada, e como fazemos para sobreviver em um lugar sem água?", questiona a doceira.

Abaixo assinado

Os moradores se mobilizam para iniciar um abaixo-assinado pedindo a intervenção do governo do estado no município. A economista Isabela Souza é uma das moradoras que sofrem com a escassez e decidiu contribuir assinando o documento. Segundo ela, a petição pública surgiu como uma alternativa para o descontentamento da população em relação ao posicionamento da prefeitura. Alguns bairros estão sem abastecimento há mais de 20 dias.

Apesar dos protestos e reclamações, a Concessionária Águas de Itu continua enviando a mesma informação de que os bairros em que ocorreram os protestos estão sendo abastecidos em dias alternados além do envio de caminhões pipa.

O prefeito de Itu, Antonio Tuíze, informou no dia 23 de setembro que não iria decretar estado de calamidade pública no município. Segundo o prefeito, o decreto de calamidade não foi pedido já que não está faltando água para manter os serviços essenciais, como hospitais e escolas.

Protestos em Rodovias

Na segunda-feira (13) moradores de Itu interditaram as rodovias SP-75 e SP-79 para protestar contra a falta d'água. De acordo com a Polícia Militar, mais de 250 pessoas participaram das manifestações. Os manifestantes queimaram pneus, galhos de árvore e jogaram entulho na pista impedindo o tráfego no local.

Segundo testemunhas, alguns moradores atiraram pedras contra a polícia. Alguns atos de vandalismo foram registrados durante o protesto, como lixeiras e contêineres queimados. Segundo a Polícia, ninguém foi preso. Esta é a segunda manifestação: no domingo (12), moradores protestaram na SP-79, onde atearam fogo em materiais e interditaram a rodovia.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Caminhões-pipa recebem escolta da Guarda Municipal em Itu - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV