Fator previdenciário será debatido com empresários e trabalhadores, diz Dilma

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17 Outubro 2014

A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, se comprometeu a promover uma "mesa tripartite", de negociação, para discutir caminhos para o fim do fator previdenciário em um eventual próximo mandato. A discussão tripartite reuniria trabalhadores, governo e empresários para rever o cálculo para a aposentadoria.

A reportagem é de Letícia Casado, publicada pelo jornal Valor, 16-10-2014.

"Ela disse: 'eu não vou enganar vocês porque estou em campanha, não vou dizer que vou acabar com o fator previdenciário, mas vou retomar o processo de debate como fizemos no governo Lula'", diz João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical. Ele e outros cerca de 200 sindicalistas participaram ontem de reunião com a presidente e de gravação para o programa eleitoral. O evento, em São Paulo, reuniu representantes da CUT, Força Sindical (dissidência do grupo que apoia Aécio Neves, do PSDB), Nova Central, UGT, CTB, Contag e CSB para discutir pontos relativos aos interesses dos sindicalistas e gravar um vídeo para o programa eleitoral.

Segundo Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Dilma afirmou que prometera fim do fator previdenciário seria "demagogia". A promessa foi feita pelo adversário de Dilma, Aécio, que depois amenizou a proposta. "O compromisso da presidenta, que é um compromisso que não é demagógico, é de que as mesas de negociações continuem para que a gente possa dar passos importantes nas questões trabalhistas", diz Patah.

No evento, que teve rodada de perguntas, os dirigentes também a questionaram sobre valorização do salário mínimo e debate da regulamentação da negociação coletiva do servidor público.

De acordo com participantes, Dilma estava "muito à vontade" no encontro. Patah, da UGT, diz que Dilma voltou a repetir que não vai mexer nos direitos trabalhistas "nem que a vaca tussa". "O compromisso da presidenta, que é um compromisso que não é demagógico, é de que as mesas de negociações continuem para que a gente possa dar passos importantes nas questões trabalhistas."
A aprovação de projetos da pauta sindicalista na Câmara dos Deputados vai ficar mais difícil a partir de 2015 por causa da redução da bancada, admitem os dirigentes sindicais. Para contornar os entraves, lideranças sindicais estudam os caminhos para garantir a aprovação da pauta no Congresso: mobilização social, conversas com o Executivo e apoio na negociação com PMDB.

A nova legislatura trará uma redução significativa da bancada sindicalista na Câmara, de quase 50% - em seu pior revés desde que o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao Planalto em 2002, como mostrou o Valor na edição de ontem. De 83 deputados, a bancada contará com 47 parlamentares a partir do ano que vem.

"O Congresso Nacional é propenso a pressão de movimento social: passeata, marcha a Brasília, greves", diz Juruna, da Força Sindical.

Antonio Neto (SP), integrante do PMDB paulista e presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), diz que seu partido deve assumir as negociações para aprovar projetos de interesse dos sindicalistas. Na atual legislatura a bancada sindicalista tinha 83 de 513 deputados, o que, para ele, ainda era pouco, mas os sindicalistas conseguiram aprovar projetos. Segundo ele, é preciso trabalhar junto à "bancada de coalizão da presidente".

"O PMDB tem uma das principais bancadas de deputados federais e senadores. Tem a presidência da Câmara e do Senado e a Vice-Presidência da República. Será que não alinhamos isso para vir ajudar a aprovar aquilo que precisa ser aprovado para fazer avançar o Brasil e dar sustentação popular ao governo Dilma?", diz Neto.

Para Patah, da UGT, as centrais terão que fazer "gestão importante" junto ao Poder Executivo porque enfrentarão dificuldades no Legislativo. "Essa é uma situação delicada. Com o dobro da bancada que temos hoje já tínhamos dificuldade de colocar a nossa pauta trabalhista. Diminuindo, vai ser mais complexo."

A reeleição de Dilma garantiria um canal direto com o Executivo, acrescenta Patah: "Temos a alternativa de ter a Dilma como presidenta e assim, ter canal especial com o Executivo e iniciar nossa pauta no Congresso Nacional. Mas sim, com certeza, a dificuldade vai se ampliar, infelizmente". Se houver mudança de governo com a vitória de Aécio, os sindicalistas vão buscar interlocutores em um eventual "novo projeto de governo", afirma.

No fim da tarde, Dilma participou de ato de campanha com educadores, também em São Paulo - ela fica na capital até hoje, para o debate do SBT, UOL e Jovem Pan.