Tradução incorreta para o inglês do relatório sinodal criou caos

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16 Outubro 2014

Uma tradução incorreta para o inglês do relatório intermédio do Sínodo dos Bispos sobre a família pode ter provocado interpretações controversas do documento.

A reportagem é de Andrea Gagliarducci, publicada por Catholic News Agency, 15-10- 2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

A versão original do documento foi escrita em italiano, idioma que o Papa Francisco estabeleceu como a língua oficial a se usar no evento. Nos sínodos anteriores, a língua oficial fora o latim, estimada por sua precisão e falta de ambiguidade.

O ponto controverso ocorre no parágrafo 50 da “relatio”. O original italiano, após elogiar os dons e talentos que os homossexuais apresentam à comunidade cristã, perguntava-se: “le nostre comunità sono in grado di esserlo accettando e valutando il loro orientamento sessuale, senza compromettere la dottrina cattolica su famiglia e matrimonio?”

Na tradução inglesa fornecida pelo Vaticano, este trecho está apresentado como: “As nossas comunidades estão em condições de fornecer isso, aceitando e valorizando a orientação sexual deles, sem comprometer a doutrina católica sobre a família e o matrimônio?”

A palavra-chave “valutando”, que provocou controvérsias dentro da Igreja, foi traduzida pelo Vaticano como “valorizando”.

Na verdade, o “valutando” do italiano significa “avaliando”, e neste contexto poderia ser melhor traduzido por “pesando” ou “considerando”.

A tradução inglesa, diferentemente, sugere uma valorização da orientação homossexual, o que poderia criar, no mínimo, uma confusão entre os que são fiéis ao ensinamento da Igreja.

Deve-se dizer que a tradução não foi uma tradução “oficial” – o sítio do Vaticano observa se tratar de uma “tradução não oficial” –, porém foi a tradução de trabalho distribuída pela Sala de Imprensa da Santa Sé no intuito de ajudar os jornalistas que não se sentem confiantes na língua italiana em seus trabalhos.

No entanto, até o momento somente esta “tradução de trabalho” havia sido fornecida.

O documento foi primeiramente apresentado em italiano, pouco antes de o cardeal Peter Erdö húngaro, relator geral do sínodo, ir lê-lo em frente à assembleia. Cerca de meia hora depois, o documento estava disponível em inglês, francês, espanhol e alemão, e distribuído via boletim pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

Este intervalo de tempo sugere que a tradução fora feita nos últimos instantes. Segundo uma fonte no Vaticano, o cardeal Erdö precisou dar o documento à Secretaria Geral do Sínodo no sábado, e o documento fora polido até o último minuto, e então foi dado de volta ao cardeal somente no fim de domingo.

Pode-se sugerir que o texto não é completamente do cardeal Erdö pelo fato de que o “relatório após os debates é muito mais curto do que o relatório antes dos debates”, disse Dom Philip Tartaglia, de Glasgow, Escócia.

O trecho sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais foi abordado pelos críticos durante a discussão que se seguiu à leitura do relatório na segunda-feira.

O documento deixou a impressão de que a Igreja teria mudado sua visão a respeito da homossexualidade.

No último dia 13, o cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, destacou que o “atendimento pastoral das pessoas homossexuais sempre foi parte do ensinamento da Igreja, e a Igreja nunca evitou ou descartou os homossexuais de seus programas pastorais”.

De fato, acompanhamento pastoral para com os homossexuais está bem descrito num documento de 1986, publicado pelo dicastério do cardeal Müller e assim intitulado: “Carta aos bispos da Igreja Católica sobre o Atendimento Pastoral das Pessoas Homossexuais”.

Com a assinatura do então prefeito da Congregação, o cardeal Joseph Ratzinger, e aprovado por São João Paulo II, a carta foi entregue aos bispos de todo o mundo, fornecendo-lhes instruções sobre como o clero deveria responder às reivindicações da comunidade LGBT.

Longe de ser um documento condenatório, ele apresenta uma resposta nuançada à questão da homossexualidade.

O documento ressaltou que “é de se deplorar firmemente que as pessoas homossexuais tenham sido e sejam ainda hoje objeto de expressões malévolas e de ações violentas. Semelhantes comportamentos merecem a condenação dos pastores da Igreja, onde quer que aconteçam”.

“Ao invés, é necessário precisar que a particular inclinação da pessoa homossexual, embora não seja em si mesma um pecado, constitui, no entanto, uma tendência, mais ou menos acentuada para um comportamento intrinsecamente mau do ponto de vista moral. Por este motivo, a própria inclinação deve ser considerada como objetivamente desordenada”.

O acompanhamento pastoral das pessoas homossexuais foi também abordado:

“Esta Congregação encoraja, pois, os Bispos a promoverem, nas suas dioceses, uma pastoral para as pessoas homossexuais, plenamente concorde com o ensinamento da Igreja”, lê-se na carta.

Porém, acrescenta: “nenhum programa pastoral autêntico poderá incluir organizações em que pessoas homossexuais se associem entre si, sem que fique claramente estabelecido que a atividade homossexual é imoral. Uma atitude verdadeiramente pastoral incluirá a necessidade de evitar, para as pessoas homossexuais, as ocasiões próximas de pecado”.

Da mesma forma, “é necessário deixar bem claro que afastar-se do ensino da Igreja ou fazer silêncio em torno dele, sob o pretexto de oferecer um atendimento pastoral, não é forma legítima nem de autêntica atenção nem de pastoral válida. Em última análise, somente aquilo que é verdadeiro pode ser também pastoral. Quando não se tem presente a posição da Igreja, impede-se a homens e mulheres homossexuais de receberem o atendimento de que necessitam e ao qual têm direito”.

O documento assinado por Ratzinger também lida com a vida espiritual:

“Um programa pastoral autêntico ajudará as pessoas homossexuais em todos os níveis da sua vida espiritual, mediante os sacramentos e, particularmente, a frequente e sincera confissão sacramental, como também através da oração, do testemunho, do aconselhamento e da atenção individual. Dessa forma, a comunidade cristã na sua totalidade pode chegar a reconhecer sua vocação de assistir estes seus irmãos e irmãs, evitando-lhes tanto a desilusão como o isolamento”.

A abordagem do documento foi, pois, a de reafirmar a verdade do ensinamento da Igreja e, ao mesmo tempo, a de se aproximar, com misericórdia, das pessoas homossexuais.

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