Bispos criticam documento sinodal, dizendo que ele pode causar confusão

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14 Outubro 2014

Alguns dos prelados participantes no encontro global católico manifestaram preocupação sobre o documento marco divulgado segunda-feira, dizendo que ele pode “dar origem a confusões”.
O documento, que pede à Igreja que escute mais e que aplique a misericórdia de forma mais abrangente, foi divulgado pelo Sínodo dos Bispos que está se encontrando em Roma para tratar sobre o assunto da vida em família.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 14-10-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O texto sintetiza o estado dos debates no Sínodo até o presente momento e foi lido, em voz alta, na segunda-feira pela manhã aos cerca de 190 prelados que participam no encontro pelo cardeal húngaro Peter Erdõ, que trabalha no evento como relator geral.

Após à leitura, 41 prelados no Sínodo falaram sobre o texto, sugerindo acréscimos ou mudanças. Diferentemente dos sínodos anteriores, o Vaticano não está disponibilizando os textos das falas feitas pelos prelados.

Segundo uma síntese não oficial das observações feitas divulgada nesta terça-feira, os prelados elogiaram o documento de segunda-feira, mas também levantaram algumas preocupações.

Uma destas preocupações levantadas com relação ao documento de segunda-feira, segundo o resumo, é que “enquanto a Igreja deve acolher aqueles em dificuldade, seria também útil falar de forma mais ampla sobre aquelas famílias que permanecem fiéis aos ensinamentos do Evangelho, agradecendo-lhes e incentivando-os pelo testemunho que dão”.

A síntese também afirma que alguns bispos disseram ser necessário “esclarecer e explorar mais profundamente o tema da ‘gradualidade’, que pode dar origem a confusões”.

A gradualidade é uma noção teológica segundo a qual as pessoas podem crescer em santidade ou em sua adesão aos ensinamentos da Igreja ao longo dos anos.

O documento de segunda-feira devotou uma subseção inteira de suas 12 páginas ao assunto, afirmando: “Jesus olhou com amor e ternura para as mulheres e os homens que ele encontrava, acompanhando os seus passos com paciência e misericórdia, na proclamação das exigências do Reino de Deus”.

Os prelados que responderam ao documento, segundo o resumo do Vaticano, “também observaram que a palavra ‘pecado’ está quase ausente dele [o documento]”.

“O tom profético das palavras de Jesus foi também mencionado, para evitar o risco de conformidade à mentalidade atual do mundo”, afirma o resumo.

Esta síntese também relata que alguns prelados tiveram problemas com a forma como o documento de segunda-feira abordava os homossexuais, onde assumia um tom de reenfatizar o ensinamento da Igreja contra o casamento homoafetivo, mas também fazia perguntas contundentes sobre a Igreja como um todo.

“Os homossexuais têm dons e qualidades a oferecer à comunidade cristã. Somos capazes de acolher estas pessoas, garantindo-lhes um espaço fraterno em nossas comunidades?”, perguntou o documento.

Na síntese vaticana da resposta dos bispos a esta questão, lê-se: “Em relação aos homossexuais, aliás, a necessidade de acolhida foi destacada, mas com certo cuidado de forma que a impressão de uma avaliação positiva de uma tal tendência por parte da Igreja não seja criada. O mesmo cuidado foi aconselhado com relação à coabitação”.

Os prelados que responderam ao documento, segundo a síntese, também manifestaram preocupação com a sugestão, presente nele, de que alguns casos de anulação matrimonial pudessem ser feitos pelos bispos diocesanos.

“Com relação aos procedimentos de simplificação dos casos de nulidade, algumas interrogações foram levantadas no que diz respeito à proposta de se confiar uma maior competência ao bispo diocesano, o que pode acabar sendo um grande fardo”, afirma o resumo.

Os prelados, segundo também o resumo, igualmente expressaram preocupação sobre a “difusão de materiais pornográficos, especialmente na internet, o que constituiu um verdadeiro risco à unidade familiar”.

Cerca de 190 prelados estão participando no Sínodo e são aptos a votar nas discussões. Cerca de outros 60 participantes, não prelados principalmente, foram escolhidos para outras funções e papéis e podem contribuir nos debates, mas não votam.

Na sequência da semana de encontros, o documento de segunda-feira deveria ser preparado por Erdõ, por Dom Bruno Forte (secretário especial do Sínodo) e pelo cardeal Lorenzo Baldisseri (secretário geral do Sínodo dos Bispos). Mas, num sinal de que, talvez, o Papa Francisco tenha tido papel pessoal no documento, o pontífice nomeou outros seis membros sinodais para a comissão de elaboração do documento.

Ao longo desta semana, os membros do Sínodo devem se encontrar em pequenos grupos, divididos por idiomas, para discutir e editar o documento de segunda-feira em vista a criar um documento final para, então, ser submetido ao papa.

Espera-se que o documento final seja divulgado ao público e possa ser usado como base para o próximo sínodo, a ocorrer em 2015.

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