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13 Outubro 2014

Não é fácil ser feminista e católica, e uma luta de poder vaticana pode piorar ainda mais as coisas.

A opinião é da teóloga inglesa Tina Beattie, professora de Estudos Católicos da Universidade de Roehampton, em Londres, em artigo publicado no jornal The Guardian, 08-10-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Uma batalha está sendo travada pela alma da Igreja Católica, com cardeais influentes cada vez mais abertos na sua oposição contra o Papa Francisco sobre questões como divórcio, novo casamento, contracepção e relações entre pessoas do mesmo sexo.

É provável que o desacordo em torno dessas questões venha à tona nos próximos dias, com a reunião dos bispos em Roma para um Sínodo extraordinário sobre a família, convocado pelo papa. De forma incomum, o Vaticano enviou um questionário previamente ao Sínodo, buscando os pontos de vista dos católicos de todo o mundo sobre família, casamento e sexualidade.

A hierarquia tem sido relutante em publicar as respostas, mas é evidente a partir dos seus comentários que muitos católicos não seguem os ensinamentos da Igreja.

Às vezes, os ensinamentos são rejeitados ou ignorados – como a proibição do controle artificial de natalidade e do sexo antes do casamento –, mas às vezes as pessoas querem uma abordagem mais compassiva e construtiva para aqueles que respeitam os ensinamentos, mas não conseguiram cumpri-los, por exemplo no caso de católicos divorciados e recasados. A mensagem central da fé cristã, afinal de contas, não é a da perfeição moral, mas sim do perdão, da misericórdia e da redenção.

Para aqueles que tomam como óbvios os valores do liberalismo progressista, a Igreja Católica parece ser uma instituição muito anacrônica. Como feminista, eu sou tratada com incredulidade por parte daqueles que não conseguem entender por que eu continuo dentro da Igreja, especialmente quando eu sou repetidamente censurada por falar sobre questões como o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a ordenação de mulheres.

Eu chamei a atenção da Congregação para a Doutrina da Fé em agosto de 2012, quando – junto com outros 26 teólogos católicos, padres e figuras públicas – assinei uma carta ao jornal Times, dizendo que os católicos poderiam, em sã consciência, apoiar a extensão legal do casamento civil para casais do mesmo sexo. Anteriormente conhecida como a Inquisição, a Congregação para a Doutrina da Fé é um obscuro grupo de altos bispos e cardeais encarregados da promoção e da defesa da doutrina católica.

No meu caso, a sua intervenção resultou no cancelamento de diversas aparições públicas, incluindo uma curta bolsa como membro visitante da Universidade de San Diego em 2012 e, mais recentemente, uma palestra para a Associação Newman em Edimburgo. A associação recebeu uma carta do arcebispo Leo Cushley, dizendo que ele estava agindo de acordo com as instruções da Congregação para a Doutrina da Fé e que eu não estava autorizada a falar em qualquer igreja da sua diocese de St Andrews e de Edimburgo.

Esse clima de censura teológica se desenvolveu durante o papado de João Paulo II, quando o cardeal Joseph Ratzinger (mais tarde Papa Bento XVI) era o presidente linha-dura da Congregação para a Doutrina da Fé. Bento XVI nomeou o igualmente autoritário arcebispo (hoje cardeal) Gerhard Müller a esse posto. Muitos ficaram surpresos quando o Papa Francisco renovou a nomeação de Müller, pois a sua abordagem de mão pesada parecia em desacordo com o ethos mais aberto de Francisco.

Francisco descreveu a preocupação da Igreja com a contracepção, o aborto e a homossexualidade como "obsessiva". Trata-se, disse ele, de uma distração da principal vocação da Igreja de viver a alegria dinâmica e a liberdade do evangelho de uma forma que a torne mais atraente aos outros. Se a Igreja Católica nas últimas décadas pareceu funcionar como uma força policial global, principalmente preocupada em controlar a vida sexual das pessoas, Francisco quer que, ao contrário, ela se torne uma Igreja das pessoas comuns e uma defensora dos pobres e dos marginalizados acima e contra a tirania do sistema econômico moderno.

Ele deu o pontapé inicial no processo de reforma que se seguiu ao Concílio Vaticano II (1962-1965), que estagnou durante os papados de João Paulo II e Bento XVI. Enquanto descarta a ordenação de mulheres, ele silenciosamente tem insistido na nomeação de mais mulheres a posições de influência no Vaticano. Por exemplo, o número de mulheres na Comissão Teológica Internacional, que atua como assessora teológica do Magistério, acaba de aumentar de duas para cinco.

Aconteça o que acontecer em Roma durante a próxima semana, isso pode ser decisivo para qualquer direção futura: a Igreja de Francisco ou a Igreja de Bento? As lutas de poder que estão sendo disputadas sugerem que essas duas facções podem estar caminhando para um divórcio conturbado.

Então, por que uma feminista permanece em tal instituição dominada por homens, onde o liberalismo progressista é repetidamente frustrado? O progresso é um conceito dúbio, e os nossos direitos e liberdades são diariamente corroídos pela política da ganância, do poder e da riqueza.

A Igreja Católica tem uma rica tradição da doutrina social e da solidariedade com os pobres, que desafia esses valores corporativos neoliberais e oferece uma forma diferente de viver. É uma tradição rica e diversificada, que tece uma vasta família multicultural que desafia a crescente xenofobia e exclusivismo das sociedades ocidentais modernas. Ela oferece uma perspectiva a partir da qual se pode avaliar os nossos valores e metas de curto prazo confusos em comparação com uma visão mais duradoura e esperançosa sobre o que significa ser humano.

A herança intelectual da Igreja é uma mistura complexa de teologia, filosofia, arte e ciência que enriquece a mente, mesmo que os seus próprios líderes tendam a ser os piores inimigos dessa tradição – o escândalo de abuso sexual revelou uma escuridão maligna no coração da hierarquia. No entanto, tudo isso é igualmente verdadeiro na vida fora da Igreja. Devemos esperar mais daqueles que se dizem cristãos, mas, na realidade, nós, humanos, somos uma espécie com uma propensão peculiar à violência, à vergonha e à corrupção.

Os cristãos chamam isso de pecado original, e eu encontro na Igreja Católica uma narrativa poderosa de esperança e de redenção em meio a tudo isso.

Sem dúvida, vale a pena lutar por isso.

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