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Na última hora, área nobre 'desmarinou'

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, ganhou votos de última hora entre eleitores que votam em bairros nobres da capital paulista. O tucano foi beneficiado por sua arrancada de última hora nas pesquisas e conquistou eleitores de Marina Silva, do PSB, que viram nele uma opção mais efetiva para fazer oposição ao PT e a um quadro que identificam como de corrupção no governo.

A reportagem é de Talita Moreira e Vinícius Pinheiroe publicada pelo Valor, 06-10-2014.

Foi o caso de José Octavio Dix, administrador de 30 anos, que votou no tradicional colégio Madre Alix, no Jardim Paulistano, zona sul da cidade. Embora não estivesse convicto na decisão, escolheu o candidato do PSDB depois do debate da "TV Globo ", na quinta-feira. "Achei que Marina não estava tão bem preparada", afirmou Dix, que sempre votou no Madre Alix e trabalhou como mesário em cinco eleições. "Aqui o voto predominante sempre foi do PSDB", disse o administrador.

O tucano também foi a opção da relações públicas Sandra Pita Mendes, que trabalha com moda e votou no país pela primeira vez depois de uma temporada de nove anos em Londres. "Ele [Aécio] é uma pessoa inteligente e a mais capacitada", afirmou. Ao se dizer "cansada" do PT no poder, Sandra destacou o histórico familiar na política do tucano. Para ela, todos os candidatos deviam ter "faculdade de política" para ocupar cargos públicos.

O voto anti-PT foi uma tendência entre os eleitores do Madre Alix que declararam suas opções. Muitos foram às urnas acompanhados dos filhos e de animais de estimação. Para a designer Doris Prado, que foi ao colégio com a filha Francisca, o voto no tucano representa uma esperança de acabar com a "quadrilha" que, segundo ela, governa atualmente o país. "Aécio é jovem e está disposto a mudar", afirmou Doris, que só não votou no PSDB para o governo estadual.

Na família Radomysler, os votos foram divididos. O empresário Ronald Radomysler e a mulher, a arquiteta Diana, foram de Aécio. Já a filha Clio, que é advogada e defende causas relacionadas aos direitos humanos, deu seu voto para a candidata do PSOL, Luciana Genro. O outro filho, Eduardo, estuda arquitetura e ainda estava indeciso minutos antes de apertar o botão da urna. "Até o último momento também tive dúvida", disse Diana, que chegou a cogitar o voto em Marina.

O tucano também foi a escolha do empresário Henrique Degen, que veio com o filho Samuel, de 18 anos e, em sua primeira eleição, foi outro eleitor do Madre Alix que "desmarinou". "Acho que Marina se mostrou muito controversa", disse Samuel, que acabou votando no mesmo candidato do pai.

A economista Flavia Ravski Pereira, que é mineira e trabalhou no Estado durante a gestão de Aécio, também optou pelo tucano. "Já votei no PT antes e sei que o PSDB tem problemas, mas em Minas o governo trabalhou com foco no resultado e soube atuar em parceria com a iniciativa privada", disse a economista, que foi votar com o filho Benjamin, de oito meses.

Era difícil encontrar defensores de outras candidaturas entre os que estavam no Madre Alix. No período em que a reportagem permaneceu em frente à escola, apenas uma pessoa apareceu portando um adesivo da candidata do PSOL, Luciana Genro. Ao ser abordado pela reportagem, o eleitor preferiu não conceder entrevista.

Aécio foi também a escolha do engenheiro José Messina, que votou no Dante Alighieri, nos Jardins, bairro nobre da cidade. "É quem de fato representa a mudança. Estou muito cético com o que vai acontecer no nosso país", disse. Para ele, a corrupção é o maior problema do Brasil. "Está nos órgãos públicos, nas estatais, e o governo é leniente."

A corrupção também foi apontada como o problema mais grave do país por outros dois eleitores de Aécio ouvidos pelo Valor. "Precisa acabar com esse descontrole", afirmou Maria Alberta Manzoli, de 84 anos. Embora o voto não seja obrigatório para pessoas com mais de 70 anos, ela disse fazer questão de ir às urnas. "Já que eu tenho o direito de reclamar, tenho o dever de votar", afirmou ela, que espera que o próximo governo avance em segurança e educação.

A administradora de empresas Ana Rosa Toledo de Andrade declarou ter optado pelo candidato tucano para "tirar o PT" do governo. "É corrupção, é falta de liberdade. Mais um pouco e estamos na Venezuela", afirmou. Segundo ela, Aécio foi sua escolha por ser mais preparado que Marina Silva (PSB) para governar o país. "Ela tem menos habilidade e até preparo físico", observou.

O promotor de Justiça aposentado Frederico Blasi Netto não quis revelar em quem votou, mas disse que sua escolha foi "mais à direita" porque é o candidato que tem mais competência. "O que está aí é muito ruim", ressaltou. "O governo é corrupto."

Marina recebeu voto do jornalista Fausto Sposito. Ele disse ter ficado na dúvida entre Dilma Rousseff (PT) e a candidata do PSB, mas optou por Marina porque prefere que a disputa seja definida apenas no segundo turno. "Para que se tenha mais tempo de discutir mais, de fazer um debate de mais alto nível", justificou. Ele apontou a independência do Banco Central e o casamento entre pessoas do mesmo sexo como temas que gostaria que fossem aprofundados - disse não ter opinião formada sobre eles. Sposito não descarta a possibilidade de votar em Dilma na próxima etapa a depender de como a petista aprofundar suas ideias.

Entre as pessoas entrevistadas no Dante Alighieri, apenas uma disse ter votado em Dilma, mas preferiu não ser identificada. "É tudo péssimo, votei porque tem que votar em alguém e acho que ela é a menos ruim", afirmou. Pelos corredores do colégio, foram vistos dois eleitores com camisetas e bandeira da candidata do PT.

O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, também compareceu ao Dante para votar, mas não quis dar entrevistas. No mês passado, Setubal surpreendeu ao falar sobre Marina: disse que via com naturalidade a vitória da candidata do PSB, então em alta nas pesquisas, e que esta seria uma "eleição presidencial que mudará o rumo do país". Neca Setubal, irmã de Roberto, é coordenadora do programa de Marina, mas durante o evento de 90 anos do Itaú, ele disse que ela não tem nada a ver com o banco.

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