Em carta, Papa convida o presidente da China ao Vaticano

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Por: Jonas | 18 Setembro 2014

O Papa quer dialogar com o presidente da China. Por isso, pegou caneta e papel para lhe escrever uma carta. A mensagem não foi apenas um gesto formal, mas, sim, uma verdadeira mão estendida. Na mesma, Francisco convidou Xi Jinping para visitá-lo em sua casa, a residência de Santa Marta, para meditar sobre a paz mundial e compartilhar seu sonho de visitar o território chinês. O texto foi remetido a Pequim por um canal atípico, um enviado totalmente alheio à diplomacia vaticana.

A reportagem é de Andrés Beltramo Álvarez, publicada por Vatican Insider, 16-09-2014. A tradução é do Cepat.

A iniciativa surgiu no dia 3 de setembro. Na tarde daquela quarta-feira, às 18h00s, o Pontífice recebeu, em Santa Marta, Ricardo Romano, dirigente justicialista de linha moderada e ex-vice-presidente da Internacional Democracia de Centro; e José Luján, representante da Academia de Ciências Chinesa frente ao Mercosul.

Francisco esteve acompanhado pelos seus mais próximos colaboradores em matéria de política exterior: o secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin, e o responsável para as Relações com os Estados, Dominique Mamberti.

A reunião se estendeu por mais de 90 minutos, segundo revelou a página web argentina Infobae, e se centrou em assuntos de geopolítica. “Eu sou um clínico”, disse o Papa em certo momento.

“Já disse que desejo ir à China. Porém, para os assuntos da Ásia, o cirurgião é o cardeal Parolin”.

De fato, a presença de Parolin e Mamberti estabeleceu – desde o princípio – que aquele encontro não era um simples diálogo informal. Os participantes acordaram a necessidade de uma aproximação Vaticano-China “no intuito de contribuir para uma tomada de decisões, de caráter multipolar, que garanta um maior grau de governabilidade a serviço de uma sociedade mundial mais fraterna e com um maior grau de equidade social”, como destacou o próprio Ricardo Romano.

Além disso, o dirigente alertou sobre a “necessidade de consolidar um mundo multipolar como elemento de apoio a uma nova governabilidade que atenue, ainda que pelos interstícios da ordem mundial do século XXI, o conflito, a violência e o sofrimento infligidos aos povos por esta terceira guerra mundial em partes, que tanto o Santo Padre denuncia”.

Três dias após essa visita a Santa Marta, o governo chinês encarregou um diplomata com longa experiência latino-americana e um homem de confiança de Xi Jinping (organizador das viagens presidenciais pela região) para se reunir com Luján e Romano e receber a carta do Papa, em envelope lacrado.

Essa não foi a primeira carta do líder católico ao mandatário chinês. “Estamos perto da China. Mandei uma carta ao presidente Xi Jinping quando foi eleito, três dias depois de mim. E ele me respondeu. As relações existem. É um povo grande, que aprecio muito”, confessou em uma entrevista ao jornal italiano “Corriere della Sera”, publicada em março.

Para Francisco, o Continente Asiático é uma prioridade e nisso influiu, especialmente, sua formação jesuíta. Desde jovem, tinha o desejo de ser missionário no Japão, mas seus problemas de pulmão o impediram. Um mês atrás, pisou nessa terra pela primeira vez, em uma exitosa viagem apostólica a Coreia. Em janeiro próximo, tem previsto percorrer as Filipinas e o Sri Lanka. O Papa sabe bem que, nesse contexto geopolítico, a China é fundamental.

Os sinais de afrouxamento são evidentes. Em agosto, o governo de Pequim concedeu ao avião papal uma inédita permissão para que sobrevoasse o território chinês no caminho de Roma para Seul. De ida e de volta. Como é costume protocolar, nessa ocasião, Francisco enviou um telegrama de saudação ao presidente.

De regresso dessa viagem, em uma conversa com jornalistas, Bergoglio exclamou brincando: “Se eu quero ir à China? Mas, claro! Amanhã!”. E acrescentou: “Nós respeitamos o povo chinês. A Igreja pediu apenas a liberdade para o seu ministério, para o seu trabalho. Nenhuma outra condição”.

Há décadas, o Estado da Cidade do Vaticano e a República Popular da China carecem de relações diplomáticas formais. No início do pontificado de Bento XVI, foi o próprio Pietro Parolin, então secretário para as Relações com os Estados do Vaticano, o responsável por conduzir uma série de negociações reservadas, que estiveram muito próximas de um acordo comum. Porém, os obstáculos históricos, como a divergência na nomeação de bispos (em cujo processo a Santa Sé exige total autonomia e Pequim quer controlar), impediram o alcance de um resultado positivo.

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