OMS cobra ajuda do Brasil contra o surto de Ebola

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17 Setembro 2014

A Organização Mundial da Saúde (OMS) se queixa da falta de uma iniciativa do Brasil para ajudar na crise vivida pela África diante do surto de Ebola. Em declarações ao Estado, a diretora-geral da entidade, Margaret Chan, deixou claro que um apelo foi feito para Brasília. Mas até agora nada foi recebido.

A reportagem é de Jamil Chade e João Domingos, publicada pelo jornal O Estado de São Paulo, 13-09-2014

“Falamos com o Brasil e pedimos ajuda. Estamos esperando”, disse Chan. Ela fez um apelo para que governos de todo o mundo enviem 1,6 mil profissionais de saúde e de médicos estrangeiros de forma urgente para a África, como forma de frear a proliferação do vírus. Ontem, Cuba anunciou o envio de 165 profissionais, maior contingente estrangeiro até agora. Eles desembarcarão em Serra Leoa no próximo mês.

A doença já matou mais de 2,4 mil pessoas. “Não há indicação de que a epidemia esteja perdendo força”, alertou a OMS. A entidade afirma estar “especialmente preocupada” com a Libéria, onde 400 novos casos foram identificados em apenas uma semana. A própria OMS admite que os números reais são muito maiores e os governos da região mais afetada alertam que é a existência dos Estados que hoje está em jogo. A entidade também assume que a previsão de até 20 mil atingidos pelo surto poderá ser superada.

Diante desse cenário, a Organização das Nações Unidas passou a apelar diretamente aos governos. “Não há leitos para tratar Ebola na Libéria. Nossa resposta está se esgotando. Não há nem sequer sacos para cadáveres, material e salas de isolamento. Mas o que mais precisamos é de pessoas. Dinheiro é importante. Mas isso não vai parar o surto”, declarou Chan, que voltou a deixar claro que a região está “em guerra”.

Questionado pelo Estado se esperava que o Brasil enviasse médicos, a diretora evitou dar detalhes das negociações. “Não vou revelar o que estamos discutindo. Mas não podemos determinar o que cada país dará.”

Segundo Chan, os três países mais afetados na África - Serra Leoa, Guine e Libéria - precisam de 600 médicos e mais de mil profissionais de saúde. Hoje, a OMS mantém apenas 170 pessoas na região. Na Libéria, menos de 200 médicos locais estão trabalhando para atender 4,5 milhões de pessoas. “Precisamos ampliar em quatro vezes nossa operação”, disse.

Cubanos. O primeiro país a tentar capitalizar politicamente a situação é Cuba, que enviará em outubro 62 médicos e 103 enfermeiras para Serra Leoa. Havana não perdeu a ocasião para transformar o combate ao Ebola em um palanque.

Roberto Morales, ministro de Saúde de Cuba, explicou que todos os profissionais enviados vão em “caráter voluntário” e estariam dispostos a trabalhar ao lado “até mesmo de médicos americanos”.
Mas Morales insistiu que a ação de Cuba contra o Ebola “não é isolada”. “Há 55 anos damos apoio e solidariedade a vários países”, disse.

Segundo ele, 25,2 mil médicos estão atuando em 32 países - no Brasil, integram o Mais Médicos. Contando os profissionais do setor da saúde, como enfermeiras, o número chega a 50,7 mil cubanos pelo mundo. Segundo Havana, em meio século eles promoveram 207 bilhões de consultas e 8 milhões de cirurgias, além de imunizar 12 milhões de crianças.

Governo diz que profissionais não foram solicitados. O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde brasileiro, Jarbas Barbosa, afirmou que o País não recebeu nenhum pedido oficial da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o envio de profissionais à área afetada pelo Ebola. “Mesmo sem receber pedido de profissionais, o Brasil já fez doações aos três países mais afetados. A OMS sabe disso, porque o transporte desse material teve de contar com os caminhões das Nações Unidas. Doamos quatro kits para a Guiné e cinco para Serra Leoa. E há cinco para a Libéria aguardando que as Nações Unidas indiquem como será feito o transporte por seus caminhões. Cada kit desses atende até 500 pessoas por três meses. Eles têm material médico e equipamentos, soro, luvas e gorros”, ressaltou.

Barbosa disse ainda que o Brasil já comunicou ao escritório da OMS no País que doou cerca de U$ 400 mil (R$ 1 milhão) em dinheiro para ajudar na compra de material para os países que passam pelo surto. “Pedido específico de profissionais de saúde nunca recebemos”, disse. “Quando recebermos, vamos analisar. Espontaneamente cadastramos profissionais que já estão prontos para serem enviados. Mas precisamos receber o pedido porque não dá para mandar profissionais assim aleatoriamente, pois em vez de ajudar atrapalharia”, afirmou.

Guiné-Bissau. Ele informou ainda que a OMS pediu, via Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), que o Brasil mande material em português para treinar profissionais em biossegurança e em condições seguras para a Guiné-Bissau, que não foi atingida ainda pela epidemia, mas está buscando formas de se prevenir.

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