George Pell defende sistema de indenização como estando "à frente de seu tempo"

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25 Agosto 2014

O cardeal George Pell descreveu um sistema de indenização para vítimas de abusos sexuais infantis introduzido por ele na Arquidiocese de Melbourne em 1996 como estando “à frente de seu tempo”.

A reportagem é de Melissa Davey, publicada pelo jornal The Guardian, 21-08-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Na quinta-feira de tarde, diante da Comissão Real para Respostas Institucionais ao Abuso Sexual Infantil, Pell defendeu, direto do Vaticano via internet, a resposta da Igreja dada às investigações sobre denúncias de abusos sexuais, chamada Resposta Melbourne, que incluiu indenizar algumas vítimas.

No começo desta semana, três testemunhas criticaram o sistema por coroar as vítimas com pagamentos de 50 mil dólares logo que foi implementado, e depois com valores de 75 mil a partir de 1998.

Chrissie Foster disse à Comissão que suas duas filhas sofreram abusos de um padre na escola Sacred Heart na década de 1980 e ao longo da década seguinte. Segunda-feira ela contou que sua família havia retirado o pedido indenizatório sob o sistema Resposta Melbourne.

Depois de entrarem com uma ação legal independente, chegaram a um acordo fora dos tribunais de 750 mil dólares entre a família e a Igreja.

Mas Pell, hoje o controlador financeiro do Vaticano, disse à Comissão que a Igreja não está sendo menos generosa do que outros com este sistema.

“Grande parte das pessoas que ajudamos por meio do painel de indenização não iriam receber coisa alguma ou muito pouco depois de irem aos tribunais”, disse Pell à Comissão.

“Fizemos apenas o que outros grupos comparáveis fariam ou pagariam. Com certeza, eu mesmo e os outros participantes do painel de indenização estávamos cientes dos padrões contemporâneos de indenização na ocasião, e os nossos registros mostram que estávamos à frente do nosso tempo. Certamente, não estávamos sendo menos generosos”.

Na segunda feira, outro testemunha, Paul Hersbach, falou à Comissão que recebeu um pagamento de R$ 17.500,00 da Igreja depois que ele, seu pai e seu tio sofreram abusos sexuais em diferentes épocas nas mãos do Pe. Victor Rubeo.

Hersbach disse que não tem ideia de como a Igreja chegou a esta quantia indenizatória.

Um dos advogados, Gail Furness, perguntou por que Pell acreditava que o sistema de pagamento era generoso.

“Estima-se que a quantia de 50 mil dólares em 1996 valeria hoje em torno de 120 mil”, disse Pell.

Furness replicou: “Mas o fato é que hoje o valor é de 75 mil dólares, o que sugere que ele retrocedeu, certo?”

Pell respondeu: “Bem, eu imaginaria que ir de 50 para 75 mil é andar para frente. O dinheiro jamais foi a minha principal preocupação. A minha principal preocupação era as vítimas e eu considerava os outros ramos da Resposta Melbourne como sendo mais importantes do que este em particular, porque muitas vítimas na época, e provavelmente ainda hoje, não tinham o dinheiro como a sua preocupação principal”.

Pell disse à Comissão que o sistema era independente da arquidiocese e que foi criada porque, até então, acreditava que a Igreja não vinha lidando com as vítimas de forma compassiva e consistente.

Afirmou que o sistema compreendia três principais ramos independentes.

Estes incluíam a nomeação por parte da Igreja de pessoas independentes para investigar as denúncias de abusos sexuais; um serviço de apoio profissional e de aconselhamento fornecido às vítimas, conhecido como Carelink; e um painel indenizatório que dava pagamentos “ex gratia” às vítimas.

Segundo o cardeal, quando o sistema foi implementado, acreditava-se que duraria seis meses. No entanto, ele existe ainda hoje, 18 anos depois.

“Nunca imaginávamos que este trabalho fosse continuar durante anos”, disse Pell.

Na segunda-feira, Hersbach, Foster e uma terceira testemunha, identificada apenas como AFA, questionou a independência da Resposta Melbourne para com a Igreja e a descreveu como uma organização que carece de compaixão para com as vítimas.

Entre outubro de 1996 e março de 2014, fizeram-se 351 queixas à Resposta Melbourne. Destas, 326 se confirmaram; 9 não se confirmaram; e 16 continuam indeterminadas.

Desde maio de 2014, foram pagos 17 milhões de dólares a vítimas através do sistema.

A audiência foi interrompida por causa de algumas dificuldades técnicas. A Comissão encerrou a sessão e irá continuar à noite.

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