James Foley: EUA revela que forças especiais fracassaram em missão de resgate na Síria

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22 Agosto 2014

 Militares da força de elite americana invadiram a Síria recentemente numa tentativa arriscada e infrutífera para libertar o jornalista James Foley antes que ele fosse morto por militantes do Estado Islâmico – ISIS, anunciou o Pentágono nesta quarta-feira.

A reportagem é de Spencer Ackerman, publicado pelo jornal The Guardian, 21-08-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

A confirmação do ataque fracassado noturno, que aconteceu no começo de julho, veio após um dia de duros questionamentos sobre se o governo Obama teria feito o suficiente para salvar a vida de Foley. Esta representou a primeira confirmação das operações militares norte-americanas dentro da Síria devastada por insurgentes.

O ataque envolveu dezenas de forças de operações especiais dos serviços militares americanos, incluindo o 160º regimento de aviação de operações especiais. As forças americanas viajaram para a Síria a despeito das baterias de defesa que altas autoridades militares tinham descrito como altamente perigosas para os pilotos. Helicópteros Black Hawk modificados foram usados, e “caças e drones” forneceram cobertura às forças no solo, disse uma autoridade do governo.

No entanto, a operação, ocorrida numa região da Síria que as autoridades não quiseram revelar, fracassou quando “os reféns não estavam presentes no local almejado”, disse o contra-almirante John Kirby, secretário de imprensa do Pentágono.

Forças de operações especiais “trocaram tiros” com forças da ISIS, disse um representante do governo, matando “vários” deles. Demorou relativamente muito até que os militares americanos determinassem que os reféns não se encontravam no local, após o que foi feito uma retirada imediata. “Atiraram em nossos soldados enquanto regressavam. Um destes teve uma pequena lesão”, disse.

Segundo fontes do governo, o ISIS “não sabia que quem estava enfrentando naquela noite, e avaliamos que a Síria não sabia também” sobre a incursão secreta.

Não está claro quantos reféns as tropas de elite, que Kirby chamou de “os melhores militares dos Estados Unidos”, tentaram libertar. Sabe-se que, ao menos, um outro jornalista americano, Steven Sotloff, está sob custódia da ISIS. A divulgação desta operação sem sucesso pode ter consequências para Sotloff, a quem o grupo terrorista ameaçou matar caso os EUA não terminem com os bombardeios.

Autoridades americanas disseram na quarta-feira haver preocupação com Sotloff depois que ele apareceu no mesmo vídeo da ISIS em que decapitaram Foley. Na quarta-feira, aviões de guerra americanos atingiram veículos e armamento próximo à barragem de Mosul, numa desobediência tácita para com a ameaça feita pelo grupo.

Estando o destino de Sotloff ainda em aberto, Kirby disse num comunicado: “Os Estados Unidos não vão tolerar o sequestro de nosso povo e vamos trabalhar incansavelmente para garantir a segurança de nossos cidadãos e responsabilizar os sequestradores”.

Lisa Monaco, assessora da Casa Branca para o contraterrorismo, acrescentou: “Nossos pensamentos e orações estão com os familiares dos reféns e com seus entes queridos durante estes tempos difíceis”.

Também não está claro se as informações dos serviços de inteligência sobre o local dos reféns estavam erradas ou se pereceram durante o ataque. Lisa Monaco disse que as autoridades americanas tinham “o que acreditávamos ser informações suficientes” que justificassem a incursão.

Robert Caruso, veterano dos serviços de inteligência da marinha americana, disse que o ISIS e organizações semelhantes “mentem sobre onde estão, para onde estarão indo em duas horas e, definitivamente, não falam sobre isso ao telefone”.

Caruso também se perguntou sobre os motivos para se divulgar estas informações sobre o ataque.

“É muita fácil para o governo condenar Snowden, deixar de lado assunto e pôr em perigo os reféns que ainda estão nas mãos dos sequestradores. Isso não é Opsec [segurança operacional]. Ensinei isso aos militares e ao departamento de Estado. Não, isso não é Opsec”, disse.

Um representante do governo, que não teve autorização para falar à imprensa, reconheceu o risco para Sotloff advindo da divulgação sobre a operação conduzida.

“Há a preocupação de que a divulgação destas informações ponha em risco os reféns ainda em mãos dos sequestradores, mas uma série de agências noticiosas tiveram acesso a estes detalhes e estavam prestes a publicar a história”, falou a autoridade, dizendo que o governo não estava omitindo informações significativas.

O jornalista francês Nicolas Henin descreveu como ele passou sete meses em cativeiro ao lado de Foley na Síria, incluindo uma semana durante a qual foram algemados juntos.

Henin, liberto em abril deste ano, disse à BBC que percebia que os governos dos EUA e da Inglaterra estavam arriscando a vida dos reféns ao não negociar com os terroristas, e que Foley, na qualidade de cidadão americano, era “uma espécie de bote expiatório” para os terroristas.

Henin disse que Foley tinha lidado melhor do que os outros com as condições em cativeiro, mas que também havia recebido um tratamento diferenciado. “Por ser americano, ele provavelmente foi mais alvejado pelos sequestradores. Provavelmente, ele apanhava um pouco mais; ele era uma espécie de bode expiatório”, contou à BBC.

“Alguns países como os EUA, mas também a Inglaterra, não negociam e, assim, colocam seus cidadãos em risco”.

Henin pagou tributo ao seu ex-colega e amigo, dizendo que ele era generoso com outros reféns caso estivessem com frio ou fome. Disse ter ficado horrorizado pelo assassinato de Foley, mas que iria se focar nas memórias positivas do tempo em que estiveram juntos.

“Tentarei apenas me lembrar das poucas, muito poucas oportunidades que tivemos de dar risadas juntos – e isso aconteceu, de fato, algumas vezes”, falou.

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