Para o primaz da Comunhão Anglicana, não se trata de um choque de religiões

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15 Agosto 2014

Uma "sensação de impotência", mas também o "desejo de poder fazer alguma coisa": com esses sentimentos, o arcebispo de Canterbury, Justin Welby, acompanha a eclosão das "atrocidades" contra os cristãos e as outras minorias no norte do Iraque.

A reportagem é do jornal L'Osservatore Romano, 13-08-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O primaz da Comunhão Anglicana, em uma entrevista à Radio 4, voltou a condenar firmemente os ataques das últimas semanas e a pedir, como já havia feito em uma declaração do dia 8 de agosto, que o Reino Unido, a exemplo do que já foi feito pela França, abra com generosidade as portas da acolhida aos refugiados iraquianos.

No entanto, nas palavras do líder anglicano, percebe-se principalmente a preocupação de que essa nova "grande prova" que os cristãos estão vivendo na região do Oriente Médio não chegue a assumir as características de um confronto entre religiões.

"Esse é um conflito incrivelmente complexo", disse Welby, mas "o que não devemos fazer é condenar todos os muçulmanos, como se fossem todos membros desse grupo criminoso", até porque, "muito claramente, a maioria esmagadora, enorme deles não têm nenhum apreço por aquilo que está acontecendo".

Confirmando as palavras do primaz anglicano, chega da França um posicionamento da Grande Mesquita de Paris, na qual se expressa a "condenação mais firme" da perseguição de que os fiéis da Igreja caldeia e os Yazidi, "componentes importantes do povo iraquiano", são vítimas.

No comunicado, assinado pelo reitor da Grande Mesquita, Dalil Boubakeur, destaca-se como "o Islã, na sua tolerância teológica e histórica, não pode servir como pretexto para os culpados desses abusos", que, ao contrário, são cometidos por "fanáticos" armados só pela "intolerância" e pelo "desprezo pela vida humana".

Por isso, um apelo claro: "Exortamos a comunidade internacional e todas as pessoas que amam a paz e a tolerância a exercerem pressão para deter essas práticas que estão em contraste com a moralidade religiosa defendida pelo Islã".

Uma clara condenação das perseguições também chega do Conselho Inter-Religioso da Albânia em uma declaração sobre a situação iraquiana, em que se expressam "solidariedade", "oração" e "proximidade espiritual" a "todos aqueles que estão sofrendo no Iraque e no Oriente Médio".

Os membros do Conselho – muçulmanos, Bektashi, católicos, ortodoxos e evangélicos – afirmam que estão acompanhando com "profunda preocupação" o que está acontecendo, principalmente no Iraque, por parte das milícias fundamentalistas do Estado Islâmico. "As violências – lembra-se na declaração – dizem respeito aos cristãos, mas também aos fiéis de outras religiões. Muitos, infelizmente, são forçados a fugir do seu país. Denunciamos com força esses atos criminosos que não têm nada em comum com os princípios fundamentais das nossas fés."

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