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Quem são os yazidis, alvo dos jihadistas do Estado Islâmico?

A comunidade curdófona dos yazidis é mais um dos alvos dos jihadistas do Estado Islâmico no Iraque. Com a tomada de seu baluarte, Sinjar, no dia 3 de agosto, 400 mil yazidis tiveram de fugir para as montanhas, sem água ou comida e sob um calor que pode chegar aos 50 graus. Adoradores do diabo para alguns, pagãos para outros, os membros dessa comunidade vêm sendo perseguidos há muito tempo.

A reportagem é de Sophie Gillig, publicada pelo jornal Le Monde e reproduzida pelo portal Uol, 13-08-2014.

Quem são os yazidis?

Os yazidis são uma comunidade curdófona que possui entre 100 mil e 600 mil pessoas no Iraque, segundo estimativas. Eles fazem parte dos povos mais antigos da Mesopotâmia, onde sua crença surgiu há mais de 4.000 anos. Seu principal local de culto é Lalish, no Curdistão iraquiano, mas milhares de yazidis moram na Síria, na Turquia, na Armênia e na Geórgia.

Há grandes comunidades na Europa, especialmente na Alemanha, onde vivem 40 mil yazidis.

Quais são suas crenças?

"Os yazidis enriqueceram sua religião com contribuições corânicas e bíblicas para se camuflarem como muçulmanos ou cristãos e não serem notados", afirma Frédéric Pichon, pesquisador e especialista em Oriente Médio na Universidade François Rabelais, de Tours.

O yazidismo é uma religião monoteísta que tira parte de suas crenças do zoroastrismo, a religião da Pérsia antiga. Seus cultos e seus rituais são transmitidos oralmente, e é por isso que não se torna yazidi, se nasce yazidi.

Os fiéis dessa religião acreditam em um único deus, Xwede, que foi assistido por sete anjos quando criou o mundo, sendo o mais importante Melek Taus, muitas vezes representado por um pavão, símbolo de diversidade, beleza e poder.

Assim como para os muçulmanos e os cristãos, o bem e o mal ocupam um lugar importante entre os yazidis. Presentes no coração dos homens, só cabe a eles fazerem a escolha certa.

Por que eles são perseguidos?

Se os yazidis são perseguidos desde o início dos tempos, é porque as outras religiões, seja o islamismo ou o cristianismo, fazem uma interpretação errada do culto deles.

"No Iraque e na Síria eles foram vistos como adoradores do diabo porque fizeram uma espécie de sincretismo entre as duas religiões do Livro", explica Frédéric Pichon. Assim, o arcanjo Melek Taus foi indevidamente visto como diabo pelos muçulmanos. Certas práticas e restrições dos yazidis podem parecer excêntricas, como, por exemplo, o fato de não poderem comer alface ou usar roupas de cor azul.

Essas práticas contribuíram para criar uma espécie de desprezo entre seus vizinhos muçulmanos. "Os yazidis são adoradores do fogo, o que faz com que eles pareçam pagãos para os sírios", completa Frédéric Pichon. "O islamismo não tem consideração por essa religião, ao contrário do cristianismo e do judaísmo, que são tolerados."

Qual é a situação atual dos yazidis?

"A situação dos refugiados yazidis é particularmente dramática. Populações inteiras estão em situação de destituição absoluta, e as do Sinjar correm o risco de desaparecer. Certas famílias encontradas em Zakho, perto da fronteira turca, andaram durante três ou quatro dias", conta Sébastien de Courtois, jornalista independente e produtor da France Culture, que também está atualmente na fronteira turco-síria.

"Ainda se pode ver medo e pânico no olhar deles. As cenas de massacre que eles relatam são insuportáveis. As forças do Estado Islâmico estão os atacando. Querem assassinar todos eles", diz Sébastien de Courtois.

Segundo Frédéric Pichon, o Estado Islâmico aplica literalmente a doutrina do islã conquistador. "O EI quer regenerar o islamismo com uma vontade de purificação da religião como os 'Born again Christians', exceto pelas atrocidades", ele explica.

"O problema dos yazidis não é um problema religioso, é uma questão de dominação totalitária", diz Jean-Pierre Filiu, professor do Sciences Po. "Assim que o EI tiver acabado com os yazidis, ele atacará uma outra minoria."

Não é a primeira vez que os yazidis são perseguidos. Em agosto de 2007, quatro atentados suicidas simultâneos coordenados pela Al Qaeda na Mesopotâmia causaram a morte de cerca de 400 pessoas, constituindo o atentado com mais mortes desde o 11 de setembro de 2001.

E o que desencadeou essa carnificina? Os terroristas não toleraram que um jovem rapaz yazidi se apaixonasse por uma jovem sunita, segundo Pichon.

Em 2001, 900 curdos do Iraque, oriundos das regiões petrolíferas de Mossul e Kirkuk, então sob controle de Saddam Hussein, naufragaram a bordo do navio East-Sea, ao largo de Fréjus, no departamento francês de Var: 70% dos náufragos eram de fé yazidi e diziam estar sofrendo perseguições no dia a dia por causa de sua religião.

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